Presidente da União de Freguesias de Silva Escura e Dornelas em entrevista

ENTREVISTA

Presidente da União de Freguesias de Silva Escura e Dornelas em entrevista

Casa da Calçada quer potenciar turismo na freguesia

Desta vez a Gazeta da Beira esteve na União de Freguesias de Silva Escura e Dornelas, à conversa com António Bastos, o presidente de junta. A União de Freguesias, o turismo como forma de potenciar a freguesia, e o novo Espaço do Cidadão foram alguns temas em destaque. Conheça os projetos deste executivo até ao final do mandato.

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Gazeta da Beira (GB) – Já exerce mandatos autárquicos há quase 20 anos. O que é que o motiva?

António Bastos (AB) – Essencialmente, ajudar a população, neste caso de Silva Escura e Dornelas e poder dar continuidade ao que tenho feito nos mandatos anteriores.

 

GB- À semelhança do que aconteceu em Cedrim e Paradela, também aqui houve uma União das freguesias de Silva Escura e Dornelas. Como é que decorreu o processo?

AB- Foi um processo pacífico. Nós, antecipadamente, quando decidimos concorrer, deixamos, de imediato, bem claro, aquilo que iriamos e estamos a fazer. Ou seja, nós apesar de sermos uma União de Freguesias estamos a gerir Silva Escura e Dornelas, como eram geridas até aqui. Apesar de ser um todo, o Carlos gere a parte de Dornelas e eu e a Anabela gerimos a parte de Silva Escura. Eu não vejo grande dificuldade. De facto, havia uma certa rivalidade entre Silva Escura e Dornelas desde que estas se tornaram independentes. Ainda há hoje em dia, nós notamos um pequeno atrito em algumas pessoas que vão falando. Agora, o nosso papel é ouvir e falar de forma que as pessoas compreendam. Até agora não tivemos problema nenhum. Sempre deixamos claro que nós fizemos esta União porque fomos obrigados, não foi por vontade de Silva Escura, nem por vontade de Dornelas. Temos coordenado o trabalho de equipa entre estas duas freguesias. Para nós, continua a ser a freguesia de Dornelas e a freguesia de Silva Escura.

 

GB-O mandato já decorre há cerca de ano e meio. Tendo em conta a sua experiência enquanto presidente de junta de uma união de freguesias, estas mudanças trouxeram vantagens?

AB- Para ser sincero, não. O trabalho é o mesmo, o que é que se poderá poupar? Apenas nos vencimentos. Agora, dá-nos mais trabalho: temos uma área maior, o pessoal que continua a trabalhar na junta é o mesmo de quando tínhamos duas equipas. Não noto nenhuma melhoria.

 

GB- À margem da união de freguesias, que balanço pode ser feito, para já, deste mandato autárquico?

AB-É positivo. Com muito esforço pessoal à mistura, temos procurado atender as necessidades de todas as pessoas. Há obras que, por veze,s não são possíveis, pois nós dependemos do Município. Com o dinheiro que as duas freguesias recebem, cerca de 57 mil euros, dá para fazer alguma coisa e temos feito, mas se não fosse com o apoio da Câmara Municipal não conseguíamos. Por vezes, as pessoas querem as coisas para hoje e não pode ser, levam o seu tempo, mas temos conseguido realizar. Pelo menos, 80% daquilo que nos têm pedido.

 

GB- Pode-nos destacar as obras mais importantes?

AB- Em Dornelas, temos atendido a uma série de reclamações antigas das populações, nomeadamente, no Casal e no Reguengo, nesses locais vinha muita água, toda conduzida a um local, o que causava muitos constrangimentos. Foi, por isso, feita uma empreitada juntamente com o rebaixamento da estrada no interior de Dornelas e foram colocados vários aquedutos. Esta foi a obra mais importante, num investimento que ronda os 20 mil euros.. Saliento, ainda, a colocação de tapete nos Zibreiros e em Sequeiros. Há ainda uma empreitada para a recuperação de vários caminhos, pequenos troços de acessos a casas que ainda têm 20 ou 30 metros de acesso sem alcatrão. Houve, também, o alargamento no cemitério em Dornelas, onde havia muito pouco espaço no cemitério antigo para venda de sepulturas. Em fase de pré-conclusão está o espaço Multiusos, o antigo edifício da Junta de Dornelas. Este é constituído por dois pisos e o segundo irá ficar com um salão para várias utilizações, estamos, neste momento, a fazer os últimos acabamentos.

 

GB- Agora de olhos postos no futuro, até ao final do mandato quais são as prioridades? Que obras gostaria de deixar feitas?

AB- As prioridades são sempre continuar a defender a população e ir ao encontro dos seus pedidos. As duas bandeiras do nosso mandato, tal como anunciamos em campanha eleitoral continuam a ser o arranjo e o alargamento da estrada entre Silva Escura e Dornelas e a ligação do alto da serra a Ribeira de Fráguas (Albergaria-a-Velha) que irá ligar dois concelhos. Relativamente a esta última, as obras já decorrem há dois meses. acredito que entre julho e agosto estará pronta.

 

GB- Considera que a ligação a Albergaria-a-Velha pela serra é importante para a freguesia?

AB- Muito. Neste momento, para quem queira ira a Albergaria-a-Velha terá que descer, Sever do Vouga e Pessegueiro, assim, com este novo acesso, poupamos cerca de 8, 9km e é muito mais rápido.

 

GB- Como anunciado recentemente a freguesia de Silva Escura vai receber um Espaço do Cidadão. Qual é o ponto de situação?

AB-O protocolo foi assinado há cerca de um mês. O critério escolhido foi porque, a seguir a Sever do Vouga, é a freguesia com mais população. A minha opinião (aliás era também a opinião do Presidente da Câmara, como foi dito na última Assembleia Municipal), era que fosse utilizada, antes, uma carrinha que pudesse circular por todas as freguesias do concelho. Talvez, assim, servisse melhor a população. Contudo, esta proposta não foi aceite a nível do Governo Central. Perante este cenário, decidimos aceitar. As instalações vão ser na Casa da Calçada. Vamos ver se conseguimos, abrir uma extensão, algum dia por semana, em Dornelas, pois, segundo a informação que recebemos, vamos receber dois equipamentos.

 

GB- É portanto uma boa notícia para Silva-Escura e Dornelas?

AB- Penso que sim. Nós sabemos que a tendência é fechar alguns serviços, eu penso que estes espaços do cidadão são, portanto, uma mais-valia para apoiar a população.

 

GB- Como referiu, ultimamente temos verificado o encerramento de vários serviços públicos. No que concerne à educação, sabemos que não houve encerramento de uma escola primária no ano anterior em Silva Escura. Quanto à saúde, o posto de saúde de Silva Escura abre diariamente e o de Dornelas está fechado. A Junta já pensou numa solução para esse espaço?

AB- Sim, atualmente, felizmente o posto de saúde, em Silva Escura abre todos os dias e é aqui que a população de Dornelas se desloca para ser atendida. Contudo, consideramos que o ideal seria que, pelo menos uma vez por semana, o posto médico abrisse, também em Dornelas. Estamos por isso, a tentar contactar com o Diretor do Centro de Saúde, o Dr. Coutinho, queremos uma decisão definitiva. Neste momento, o espaço nem é da junta nem está a ser utilizado. A nossa prioridade é que o espaço volte a reabrir, contudo, caso não seja possível, temos outros projetos para o edifício que queremos realizar.

 

GB- O turismo tem uma grande capacidade em Silva Escura e em Dornelas. O que é que a junta pode fazer para o potenciar?

AB- De facto, com esta União de Freguesias ficamos muito bem servidos a nível turístico. Para além da Cabreia, temos o Parque de Merendas do Areeiro, o Arestal… temos uma grande oferta. Contudo, o que está a acontecer, atualmente, é pessoas vêm e não cobramos qualquer cêntimo pela estadia. Neste momento, no Centro de Silva Escura não há nenhum restaurante aberto, apesar de termos várias casa de habitação. Temos por isso, em mente, também na Casa da Calçada, abrir uma pequena loja onde os artesãos da freguesia possam comercializar os seus produtos. Hoje, as pessoas vem, dão-nos muito que fazer, mas não deixam cá nada. Se estivessem cá algum espaço deste género, com certeza os turistas iam parar na freguesia e comprar. Já em Dornelas temos mais oferta e portanto torna-se mais fácil conjugar o turismo aos comércios locais.

 

 

GB- A crise nacional dos últimos anos têm-se sentido aqui em Silva Escura-Dornelas?

AB- Sim, tem. Principalmente na parte da indústria. Há muitas pessoas que trabalham na Metalomecânica e na Construção Civil e têm-se notado algum desemprego nessas áreas. No fundo, é o reflexo da não existência de obras a nível nacional.

 

GB- E a nível de habitante? Houve-se pessoas a deixar a freguesia?

AB- Sim, temos o caso de pessoas que já tiveram emigradas que voltaram e que agora tiveram a necessidade de voltar a emigrar.

 

GB- Para finalizar, a pergunta que é já tradicional neste ciclo de entrevistas. O que é que a União de Freguesias de Silva Escura e Dornelas tem para oferecer?

AB- Tudo! Nós estamos de braços abertos para receber a população. Temos muito para oferecer, a Cabreia, o Parque de Merendas do Areeiro, o Arestal… As pessoas ficam maravilhadas com a amabilidade das pessoas.

 

António Bastos

  • Data de Nacimento: 28 de setembro de 1966
  • Informático e empresário
  • De 1997 a 2001: Presidente da Assembleia da Junta de Freguesia de Silva Escura
  • De 2001 a 2013: Secretário da Junta de Freguesia de Silva Escura
  • De 2013 à atualidade: Presidente da União de Freguesias de Silva Escura e Dornelas