Pedro Figueiredo

Interioridade vs. Igualdade

Portugal é um país que se diz republicano e democrático. Isto por si só pressupõe a vivência numa sociedade que busca a liberdade, a igualdade, a solidariedade entre membros dela.

Muitas são as questões que põem em causa estes valores, e a busca deles, são exemplo o flagelo do desemprego, a pobreza, a desigualdade social e económica, a insegurança, as crises económicas etc.

Outra grande questão é a interioridade, pois nela podem-se interligar todos estes problemas.

Esta questão é sentida de forma acentuada ao longo de toda a vivência de qualquer cidadão do interior.

Começa logo no ato de nascer, ou mesmo antes quando os pais não tiveram acesso a educação sexual e muitas vezes os métodos contracetivos estão a dezenas de quilómetros de distância, durante a infância, adolescência, juventude, terão todos os serviços de educação, saúde, justiça e outros, apenas a dezenas e muitas vezes a centenas de quilómetros.

Como é possível uma criança do interior aceder á mesma quantidade/qualidade de informação e cultura que uma do litoral?

Um jovem que consiga resistir a todos as dificuldades até ao fim do secundário terá, se o seu agrado familiar assim o poder, de escolher um curso superior, mas as opções serão ainda mais distantes, numa cidade distante, com encargos muitas vezes insuportáveis para as famílias do interior.

Assim se conseguir acabar esse curso, terá de procurar trabalho, e logo se deparará com a certeza de que na sua terra nunca o conseguirá. Assim terá de trabalhar no litoral, ou então emigrar.

Em consequência o interior perde população, fica quase só com população envelhecida, acentuando dessa forma os problemas já existentes.

É um ciclo vicioso em que a perca de população leva á perca de serviços, e a perca dos serviços leva ao abandono por parte da população jovem.

Para combater este ciclo, é preciso políticas de incentivo á permanência de jovens no interior assim como de incentivo á população do litoral a regressar.

Essas politicas têm de passar por criar condições no interior que permitam às populações terem o mesmo nível de acesso aos serviços públicos que a restante população do litoral.

Logo têm que se criadas boas vias de comunicação, melhorando as existentes, e criando vias que não só sirvam para ligar do interior ao litoral mas que também liguem o interior entre si, ou seja precisam-se vias de comunicação perpendiculares às autoestradas que ligam o norte ao sul.

É preciso, depois da atual acalmaria no corte de serviços, inverter a tendência de encerramento de escolas, tribunais, centros de saúde, hospitais, no interior, e passar a melhorar a qualidade desses serviços. É preciso incentivar as empresas a investir nas mais-valias do interior para desta forma dinamizar a economia local e assim criar emprego e com este emprego trazer gentes que hoje se encontram nas cidades do litoral, numa densidade populacional tal que cria graves problemas sociais.

Assim com o ataque ao problema da interioridade pode-se resolver muitos outros deste país.

Deixo por fim um caso exemplar e duas questões:

– Como é possível ter-se todas as centrais de biomassa no litoral, quando a maioria das áreas florestais passíveis de se extrair biomassa esteja no interior?

– Será que existe igualdade entre os concidadãos que vivem no litoral e os que vivem no interior?

-Será que é um azar nascer no interior do país?

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