Paulo Vinagre
Apicultor

Esta paixão pela apicultura pode dizer-se que nasceu comigo. Aprendi com o meu saudoso pai, fui aprendendo e pesquisando novas práticas de maneio das abelhas.
“Gente Que Ousa Fazer”
Olá! Sou a Paula Jorge. Estarei convosco para responder a mais um desfio. Espero não vos desiludir.
A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!
• Paula Jorge
Ficha Biográfica
Nome: Paulo Jorge Rodrigues Vinagre
Idade: 51 Anos
Profissão: Instrutor de Condução Automóvel
Livro preferido: Tenho vários dentro do policial e suspense
Destino de sonho: Cancun
Personalidade que admira: o meu Pai
Muito obrigada, Paulo Vinagre, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.
Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio. Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?
Paulo Jorge Rodrigues Vinagre (PV) – Tenho o 12º ano de escolaridade, Área de Humanísticos, após a conclusão do ensino secundário fiz o serviço militar obrigatório, quando saí, em dezembro de 1991, fui convidado para trabalhar como instrutor, como não tinha o curso de instrutor, fiz a formação e finalizei com aproveitamento. Ingressei então como instrutor na Escola de Condução Beira Alta. Onde trabalhei até ao ano de 2000. Nesse ano fui convidado para trabalhar em Viseu na Escola de Condução Semáforo, onde exerci a minha profissão. Em 2004 regressei a S. Pedro do Sul, aceitando o convite do Sr. Baptista para trabalhar na Escola de Condução Baptista, onde continuo até hoje. Desde que optei por esta profissão, tirei outros cursos, a saber, Diretor de Escola de Condução e Agente de Seguros, a Apicultura já nasceu comigo!
PJ – Dedicou todo o seu trajeto a ensinar a arte da condução. Que lição de vida retira desta entrega?
PV – Para mim o ensino de condução, (Teoria e Prática) é uma arte que não está ao alcance de todos, tem de ser exercida com gosto, com paixão pelo ensino. Quem me conhece sabe que assim é, depois é gratificante verificar que neste momento já estou a ensinar netos daqueles que no início da minha carreira aprenderam a conduzir comigo. É sinal que estou cada vez mais jovem (risos).

PJ – Todos lhe conhecem a dedicação ao setor da apicultura. Como nasceu este gosto/paixão?
PV – Esta paixão pela apicultura pode dizer-se que nasceu comigo. Aprendi com o meu saudoso pai, fui aprendendo e pesquisando novas práticas de maneio das abelhas. Mas, hoje, temos a praga da vespa velutina, mais conhecida como Asiática que nos dá cabo das abelhas e se não forem todos os cidadãos a contribuir na altura certa, fevereiro até maio, com colocação de armadilhas parar capturar as Rainhas Fundadoras, nunca mais esta praga nos vai deixar descansados, não são só os apicultores a ser afetados com esta espécie invasora. São os fruticultores, os agricultores e aqueles que não sendo também podem ser atacados por esta espécie invasora. Por isso subscrevo o que já disse o nosso Presidente Vítor Figueiredo, todos somos Proteção Civil.
PJ – Descreva-nos como foi evoluindo a sua ligação à apicultura e todo o investimento que foi fazendo ao longo dos anos até aos dias de hoje.
PV –– Comecei como já referi anteriormente com o meu pai, inicialmente só com os cortiços (o meu avô materno também teve). E depois com as colmeias. Até chegar aos dias de hoje, com cerca de 100 colmeias. São necessários vários investimentos, para que o mel possa chegar ao consumidor. E ainda mais desde 2011 com o aparecimento na nossa zona da vespa asiática.
PJ – Que apoios dá o estado ou outros setores para quem queira investir na área da apicultura?
PV – Em relação aos apoios, não existe da parte do estado apoios que outros setores têm. Quando há um incêndio, por exemplo, como já aconteceu e arderam algumas colmeias, zero de apoio, para os tratamentos contra a varroa, temos de investir todos os anos, e não recebemos nada em troca, ou seja, comparado com outras atividades ligadas à agricultura que têm subsídios. Apesar de as colmeias terem de estar registadas. E agora com a vespa asiática o investimento é muito maior, desde a compra de harpas, preparar isco para as armadilhas, trocá-lo como eu faço de 15 em 15 dias, só para quem gosta da atividade, caso contrário não vale a pena.

PJ – Que conselhos daria a quem queira iniciar o investimento nesta área?
PV – Primeiro obter um a formação na área, falar com os apicultores que conheça com o objetivo de se inteirar do que é necessário para começar a atividade e, acima de tudo, coragem e não ser alérgico(a) à picada de abelha. Quem quiser ter uma ou duas colmeias para consumo próprio, não vale a pena sequer pensar nisso.
PJ – Quais são os grandes inimigos/obstáculos de uma boa produção de mel?
PV – Os incêndios, a vespa asiática, as diferentes doenças e ácaros que atacam as abelhas.
PJ – Fale-nos das especificidades do mel que produz e dos seus benefícios.
PV – O mel da SERRA do SÃO MACÁRIO é a marca já conhecida no mercado não só a nível regional como também nacional. A flora predominante é a urze que leva a que tenha um sabor forte que ate pica na garganta, mel escuro e de consistência densa, característico deste mel. Há quem diga que é o melhor dos méis a nível nacional. Como benefícios para a saúde devo salientar alguns, o mel de urze é uma fonte de antioxidantes, contribuindo para reduzir as reações de oxidação, atividade antibacteriana, atividade anti-inflamatória, e segundo alguns contribui também para inibir ou suprimir o desenvolvimento e progressão de tumores.

PJ – Gostaria de saber qual é a sua perspetiva relativamente àquilo que é uma riqueza para todos nós, que é o setor florestal, e quais as medidas que entende serem necessárias para a sua preservação.
PV – Não sendo a minha área e salvo melhor opinião acho que se deve investir na sua proteção, fazendo estradas para que os veículos de socorro possam mais facilmente circular. E também na prevenção dos incêndios, algo que a Proteção Civil tem feito.
PJ – Quer partilhar connosco algum projeto em que esteja envolvido e ainda não tenhamos falado?
PV – Como já referi no início da entrevista sou também agente de Seguros, trabalho que exerço em Part Time com a companhia de seguros Prevoir Vie desde o ano de 2008, como complemento à minha atividade principal.
PJ – Para além das ocupações já mencionadas, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
PV – Passear em família, um bom filme no cinema, ou em casa em família e caminhar em contato com a natureza.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
PV – Dinâmico.

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
PV – Sou uma pessoa realizada.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Paulo Vinagre. Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!
Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
PV – Para todos os nossos estimados leitores, uma mensagem de esperança e nunca abdiquem dos vossos sonhos, porque estes comandam a vida!
28/10/2021

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