Paulo Páscoa

A liberdade de Abril

Ed653-Cravo_olheiraoVivemos tempos de grande agitação. Momentos de contestação e revolta. Uma época de profunda instabilidade financeira, social e ambiental. O mundo assiste diariamente, em direto, às dificuldades e angústias de cada povo.

Estão em curso grandes mudanças nos nossos hábitos do quotidiano. Correções necessárias para que se consiga atingir um conceito que vem sendo utilizado desde 1987, mas muito pouco aplicado, que é o do desenvolvimento sustentável, que numa definição simplista significa “procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”.

A natureza humana, na maioria dos casos como sentimento de sobrevivência, dá preferência à sua satisfação individual, numa perspetiva mais egoísta e muito pouco altruísta, sustentada muitas vezes pela palavra “liberdade”, esquecendo que a nossa liberdade termina onde começa a do próximo.

As nossas liberdades, de opinião, de decisão, de imprensa, também evoluíram conforme o regime político onde vivemos, bem como enquadradas com os nossos direitos e deveres enquanto membros de uma sociedade organizada. Estes conceitos, como é óbvio, só têm lugar em países democráticos, onde se fomenta a realização pessoal e coletiva.

Em Portugal, faz este ano 40 anos que o 25 de Abril aboliu o regime ditatorial, trazendo-nos para o nosso dia a dia a palavra liberdade. Mas acima de tudo, trouxe-nos responsabilidades e exigências. Responsabilidades, porque passamos a fazer parte das escolhas e das decisões, a ter o direito e o dever de participar ativamente na evolução do nosso País. Exigências, porque enquanto peça da sociedade, temos de ter e exigir rigor para o bom funcionamento de todos os agentes económicos, sociais, políticos, que compõem a gigante engrenagem nacional.

De facto, nunca ninguém será totalmente livre, porque haverá sempre direitos e deveres, legalmente institucionalizados, que nos limitam nas nossas ações e que trazem consequências aos nosso atos, não permitindo a anarquia de pensamentos e atitudes, para uma saudável convivência em sociedade.

Cabe a cada um promover uma liberdade sustentável, para que as gerações futuras não fiquem reféns das escolhas presentes.Redação Gazeta da Beira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.