Paulo Lemos Quintela

República das Bananas

Nasci nos finais da queda do grande império português, num regime político da “velha caduca”, ditatorial de quarenta e oito anos, reciprocada por uma outra ditadura que já conta quarenta anos. Em praxe política: prostituída, pseudo – ideológica.

O conceito “direita” ou “esquerda” está ultrapassado, pois na realidade o que existe é os que estão com o sistema e os outros que não estão.

Vivemos na habitual bipolarização do PS com o PSD (não cito o CDS/PP, pois hoje não passa duma mera facção de ex PSD´s e os seus fundadores estão todos ausentes).

Na prática o que temos assistido constantemente é a golpadas encapotadas de denominadas “opções políticas”, tendo como praxis o encerramento dos serviços públicos, deixando assim de assumir a função de servir o cidadão, apesar das suas contribuições fiscais.

Recordo o que apreendi ainda na escola, nesse tempo da “Velha Senhora”: que o ESTADO era constituído por nós todos, assim teríamos defender o que era de todos…

O que era privado…tinha objectivos individuais e cada um tinha que saber administrar o que era seu…sabendo poupar.

Com esta prolongada bipolarização PSD / PS, decidiram que só eles podiam dispor de tudo aquilo que é de todos.

Assim, passaram a chamar-lhe também: “Reformas das Estruturas do Estado”.

O que tem acontecido na realidade?!

Os impostos que nós pagamos com o suor de muitas horas, dias e anos de trabalho, estão a deixar de nos servir. Servem antes para sustentar ladrões e a destruição de todas as estruturas fundamentais do Estado.

Assim, as repartições dos serviços públicos estão a fechar, não por falta de utentes, mas por interesses individuais de alguns…deixamos de ter na vila e agora vamos aonde?! Quantos quilómetros?! Transportes públicos, comboios cá não têm nada, só em veículo próprio…

Aqui no interior do País, com a extinção dos Serviços Florestais, em vez de prevenir e lucrar, passamos a presenciar os negócios das indústrias dos fogos…”nos teatros dos incêndios florestais”

Na Beira Alta, as vias de acesso, daqui ao litoral, só uma está transitável, e passou ser uma das mais pagas do País, as outras são como as do final do século XIX…outras mais antigas são do tempo daquele Marquês…do Pombal. Pagamos impostos para coisas a que não temos direito. Só há litoral?! Lisboa efectivamente é o País, e o resto do rectângulo é o que apelidaram de Portugal para venda em saldo…

No que resta dos Serviços Públicos, as chefias deixaram de ser ocupadas por profissionais através de concursos nacionais, são, agora, ocupados por clientela partidária de competência duvidosa com simples nomeações partidárias ora PSD ora PS. Têm como atitude principal perseguir quem não for seguidor, nem que tal possa provocar graves situações aos verdadeiros funcionários do Estado Português.

O que tem acontecido nestes últimos vinte e tal anos com as extinções dos Serviços Públicos, foi passá-los para outras instituições que não tenham nada a ver com o assunto.

Uns dos principais grandes cancros nacionais são as autarquias, das quais na bipolarização PS e o PSD ganham sempre do mesmo modo… com os votos “salário-dependentes”, com o atafulhar de pessoas, aonde se confundem entre militantes e funcionários.

As suas características comportamentais são o de “novos-ricos”, o esbanjamento dos dinheiros públicos para obras parolas, que nada têm de utilidade. Destroem o património e o ambiente.

Basta ver as podas camarárias. Mais do que avisados, continuam a alimentar um pseudo departamento que florestal, que se comporta de forma a contrariar todos os princípios básicos da Silvicultura e da Arquitectura Paisagística.

Há alguns que se julgam mais do que a lei…ninguém lhes toca, basta-lhes trocar de cartão!…

Ninguém lhes toca?! Porquê? Quem é que tem fazer cumprir a Lei?

E ainda querem deixar as Escolas nas mãos dos municípios?

Como surgiram os negócios do “Parque Escolar”?

Denunciei à Assembleia da Republica o que se tentou fazer aqui…

Aonde estiveram os então deputados eleitos pelo Distrito de Viseu?

Quem os escolhe para candidatos a deputados?!

De que o Povo se queixa, se votam sempre nos mesmos?…Redação Gazeta da Beira

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