O mágico pôr-do-sol na Serra do Caramulo
XIV Marcha Noturna, Vouzela – Verão 2018 (Texto e fotos de Aníbal Seraphim)

Ainda ecoava na memória do Passeio Pedestre por Terras de Alcofra o entusiasmo com que os membros do Parque Natural Local Vouga-Caramulo falavam desse experimental trilho, e já anunciavam com igual entusiasmo a caminhada noturna a realizar a 25 de Agosto.
Afirmavam que era algo único e a não perder. O mesmo dizia quem já em edições anteriores havia participado. O repto foi lançado, o apetite foi aguçado, o evento publicitado e a expectativa de participação foi mais que duplamente ultrapassado.
Dessa memória ressaltou, de uma pesquisa ao panfleto do percurso, os seguintes dizeres: “Este trilho não é apenas um trilho. É um trilho da terra, de pó… de tempo depositado nas pedras da Serra do Caramulo”. O interesse em participar foi despertado e teria que ser concretizado. Assim, a 25 de Agosto chegava a tão aguardada data.
Antes da hora prevista para a confirmação das inscrições no Posto de Turismo a azáfama era grande, pois o número de participantes tinha sido duplamente ultrapassado face às expectativas e havia pessoas que desejavam participar sem ter feito a prévia inscrição. O número de inscritos já ia nos 130 participantes e a logística do transporte para o local de início do percurso, e regresso, estava incluído no programa. Mas tudo foi prontamente organizado e delineado para que a Marcha decorresse normalmente e com o entusiasmo em alta.
A organização funcionou em pleno e à hora programada iniciou-se a viagem dos participantes, nos autocarros, até a Aldeia de Fornelos do Monte, onde se iniciaria o percurso. Desse local os caminheiros fizeram uma bela subida, dos 757 metros de altitude até os 1035, fazendo assim cerca de 3 km numa hora, a tempo de observar a magia do pôr-do-sol na grandiosa dimensão da Serra do Caramulo.
Dessa paragem, em Monte Ventoso, os participantes degustaram caldo verde, broa e chouriço com bebidas à escolha. Enquanto o sol se punha e dava lugar às cores crepusculares, foi possível observar a estonteante paisagem em que as Serras da Estrela e Arada são visíveis. Nesse dia houve um extra que tem tanto de belo como de inconveniente para a observação dos astros, um dos pontos que o programa abrangia, foi noite de lua cheia.
A paragem pelo Monte Ventoso foi mágica em todos os sentidos, com um final de dia com majestoso pôr-do-sol, gastronomia, belas paisagens, ar puro e um nítido e brilhante nascer de lua cheia para iluminar a noite.
Reiniciaram-se assim os restantes 6 km de caminhada, já sem a subida ingreme inicial, mas mantendo uma quota de altitude acima dos 900 metros, e em que os contornos dos numerosos blocos graníticos de pequena, média e enorme dimensão, que emolduram a agreste paisagem, ganharam um brilho lunar e tornaram a caminhada bela e agradável, pois a seguir a um belo dia de sol surgiu uma noite com uma boa claridade.
Perto da Capela de São Barnabé já se encontravam José Matos e Emanuel Santos, os membros do FISUA (Associação de Física da Universidade de Aveiro), que preparavam o telescópio e escolhiam o terreno para a observação astronómica, que fazia parte da segunda paragem da marcha. À conversa com eles, vieram à memória outros eventos e apesar dos anos se terem passado, o entusiasmo mantem-se vivo e a palestra dada ao ar livre por José Matos, cujo humor é uma imagem de marca constante, contribuindo para o enriquecimento de conhecimentos de quem o escuta, que de uma forma tão solta, divertida e leve dificilmente os mistérios desvendados do Universo serão esquecidos pelos participantes. Até pelos mais novos que permaneceram muito atentos.
Emanuel Santos preparou o telescópio e esclareceu as muitas dúvidas às questões apresentadas pelos entusiastas da caminhada. Dos cinco planetas visíveis a olho nu, incluindo o planeta Terra, como bem lembrou Emanuel, de leste para oeste era visível Marte, Saturno, Júpiter e Vénus. Nessa noite pôde-se observar, pelo telescópio, Júpiter, em que apenas eram visíveis duas das suas 79 luas e Saturno, que estava num alinhamento de anéis que eram visíveis e bem identificável o planeta em questão.
Já que era noite de lua cheia, foi possível observar mais demoradamente pelo telescópio a “nossa” Lua. No entanto e dada a enorme luminosidade reflectida, foi aconselhado ver ao telescópio com óculos de sol para não ferir a vista.

Após o relaxe da caminhada e da divertida observação astronómica, houve ainda lugar à degustação de chá de carqueja acompanhado de doce regional, cujos sabores eram divinais, e retemperaram energias para uma caminhada de 1,5 km até Caselho, onde os autocarros se encontravam para o regresso a Vouzela.
Um serão e noite memoráveis que deixa vontade de regressar num outro dia, numa outra estação, pintado com outros tons. Era esse o ambiente que se respirava e o tema que se falava por parte dos caminheiros que vieram de norte a sul do país, que não resistiram à tentação de fazer esta caminhada após terem tomado conhecimento da mesma através da divulgação efectuada.
3 Fotos extraídas da página do Parque Natural Local Vouga-Caramulo
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