Nem os professores são um rebanho de ovelhas nem o governo do PSD/CDS tem coração de leão

Carlos Vieira e Castro

CarlosVieiraCastroSegundo sindicalistas  da Fenprof, no distrito de Viseu, dois terços dos  professores contratados inscritos para prestarem prova de avaliação de conhecimentos não o puderam fazer devido à greve dos professores vigilantes que assim se recusaram a vigiar os exames com que o ministro Nuno Crato pretende humilhar toda a classe dos professores. Em 40 das 113 escolas a prova nem sequer se realizou. Foi o caso da Escola Infante D.Henrique do agrupamento de Escolas Viseu Sul, em Viseu, onde só um dos 200 professores convocados para vigiar não fez greve e do Agrupamento de Escolas do Viso onde só dois professores furaram a greve. Exemplar foi o caso de Vouzela onde a greve foi a 100%.

O ministro Crato encetou uma escalada de guerra contra os  professores que só pode servir como manobra de diversão para esconder a escandalosa transferência de financiamento da escola pública para os colégios e escolas privadas. Acossado, Crato dispara para todos os lados, e vem agora pôr em causa a formação dos Politécnicos e das Escolas Superiores de Educação, desprezando o relatório PISA que mostra a evolução positiva do ensino em Portugal e a queda a pique da qualidade do ensino na Suécia, seu modelo da privatização da escola pública.

Passos e Portas rejubilaram com a avaliação positiva da Troika. Mas, como disse a coordenadora do BE, Catarina Martins, “a Troika avaliou sempre positivamente aquilo que empobreceu mais o país”. Mal Paulo Portas acabava de proclamar em conferência de imprensa que a Troika estava de partida, logo veio o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi,  afirmar que Portugal irá ter um programa cautelar. Ou seja, Passos e Portas, os “drones” da Troika, continuarão e infernizar-nos a vida com mais austeridade telecomandada.

E perante mais um chumbo do Tribunal Constitucional, por unanimidade, Passos e Portas congeminam  mais cortes nas pensões, agora para ambos os sectores, público e privado, ou em alternativa, um aumento da taxa do IVA, o que a verificar-se só agravaria ainda mais o custo de vida e levaria mais pequenas e médias empresas, já tão periclitantes, à falência.

A presidente do FMI, Lagarde, diz que teremos de continuar a aguentar a violência da austeridade, apesar de reconhecer que a austeridade aplicada pela Troika a Portugal foi excessiva e teve efeitos perversos. E o tecnocrata mor da Troika em missão no nosso país já fala em redução do salário mínimo, quando até as confederações patronais admitem a necessidade de o aumentar para estimular o consumo.

Mas o PSD e o CDS precisam de criar uma narrativa de sucesso ainda que mitificada, e o deputado e vereador do CDS  Hélder Amaral, escreveu esta semana, no Diário de Viseu,  um artigo em que depois de embandeirar em arco os supostos indicadores positivos da retoma económica, termina com este axioma fabuloso (literalmente, de fábula): “O país precisa de lideranças forte, esclarecidas e mobilizadoras. É preferível ter um exército de ovelhas lideradas por um leão, que um exército de leões liderados por uma ovelha”. Já viram tamanha desfaçatez na apologia do populismo e de um governo de “democracia musculada”, eufemismo para “ditadura encapotada”?

Já vai sendo tempo de mostrarmos a estes senhores do CDS e do PSD que os portugueses não são um rebanho de ovelhas, e que na realidade preferimos identificar-nos com um exército de leões chefiados por uma ovelha, ainda que uma ovelha negra (não é um trocadilho racista, refiro-me, evidentemente,  a Passos e Portas), porque é mais fácil a um exército de leões revoltar-se e dar cabo de líderes incompetentes e cobardes, passando a assumir livremente o comando do seu destino. Como aconteceu há 40 anos no 25 de Abril.

Boas Festas!

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