Nazaré Oliveira

O COLÉGIO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO (parte III)

■ Encontro de antigos Alunos do Colégio de São Tomás de Aquino no Estoril, 1987. Da esquerda para a direita: Lino, A. Oliveira (Professor), Gui Paiva, Sales Loureiro (Professor), Guimarães da Rocha, D. Margarida Sales.

A criação do Colégio de São Tomás de Aquino, pelas consequências que teve e pelas transformações que operou em São Pedro do Sul, foi um dos acontecimentos mais importantes da segunda metade do século passado, pelas possibilidades e perspectivas que abriu à juventude sampedrense, e mesmo lafonense, enquanto foi o único estabelecimento de ensino secundário na Região de Lafões. Marcou uma viragem no nível cultural da terra, não só pelos resultados da sua função lectiva, como por iniciativas e realizações que promoveu, nomeadamente a criação de uma página juvenil, o Mirante, inserida na Tribuna de Lafões, passeios académicos, espectáculos. Teve algum êxito a opereta Três Continentes, escrita pelo Dr. Sales Loureiro e levada à cena no Cine-Teatro, ensaiada pelo Dr. Dionísio e pelo maestro Álvaro Duarte e interpretada pelos alunos do Colégio.

Entre 1949 e 1972, o Colégio de São Tomás de Aquino preparou para a vida muitas gerações de jovens sampedrenses de ambos os sexos, que se espalharam por todo o país e alguns pelo estrangeiro, nas mais diversas actividades e profissões: juristas — magistrados e advogados — médicos, engenheiros, economistas, professores — do ensino Básico, do Secundário, até à cátedra do ensino Superior — políticos, funcionários públicos, bancários, comerciantes, industriais… Muitos deles, para além da actividade profissional, tiveram intervenção cívica e cultural de relevo, quer a nível local, quer a nível nacional.

 

O 1º ENCONTRO DOS ANTIGOS ALUNOS

O espírito colectivo dos antigos alunos do Colégio permaneceu vivo, nomeadamente entre o significativo grupo dos residentes em Lisboa. E foi dali que partiu a ideia de um grande Encontro. Um grupo formado por Manuel Guimarães da Rocha, Heitor Rodrigues de Vasconcelos, Maria de Lurdes Figueiredo Duarte, Manuel José Barros, José Luís Marque Pereira e Álvaro Manuel Carvalhas Tavares constitui-se em Comissão Organizadora e, no dia 30 de Maio de 1987, aconteceu o 1º Encontro.

A concentração realizou-se junto ao Casino do Estoril. Entre mais de uma centena de convivas, lá estive também. Vindos de vários pontos da país, muitos antigos alunos (eles e elas) foram chegando ao longo da manhã. Os abraços traduziam a alegria do reencontro e a saudade de um tempo que começava a ficar distante. Para cada um havia um saquinho com recordações provenientes de apoios conseguidos pela comissão organizadora. Depois foi o almoço ao ar livre, num local aprazível com todos os requisitos. Um folheto com o timbre da Junta de Turismo da Costa do Estoril anunciava promissora ementa. Foram as sardinhas assadas, carapau grelhado, febras, frango de churrasco, queijadas de Sintra, meloa, tudo regado com bom vinho branco e tinto, onde não faltava o de Lafões, que a Adega Cooperativa não quis deixar os seus créditos por mãos alheias. Boa comida, boa música e uma excelente organização. Primorosa mesmo!

Começado o almoço, à medida em que os estômagos iam ficando menos exigentes, as línguas iam-se soltando mais. Em ambiente de total descontracção, contavam-se episódios, recordavam-se peripécias, ouviam-se saudáveis gargalhadas. E nem sequer faltou uma agradável surpresa: o sorteio do direito a um fim de semana de três dias no Hotel Cidadela, gentil oferta daquela unidade hoteleira, com que foi contemplada a Maria Manuel Quintela.

Depois, o Dr. Sales Loureiro, um dos fundadores e directores do Colégio, foi chamado à liça. Em palavras que deixavam transparecer alguma emoção, recordou a criação do Colégio e o seu significado e influência na vida de tanta gente. Tal como outros, evocou o saudoso Cónego Isidro dos Santos Faria, seu companheiro na fundação e direcção do Colégio, cuja memória esteve no espírito de todos. Sem formalismos, ao sabor das circunstâncias, outros foram usando da palavra. Recordaram-se professores que a morte já tinha levado, os que não puderam estar presentes, especialmente aqueles que mais marcaram a vida do Colégio: o Dr. Alberto Dias, o Eng. Amaral, o Dr. Acácio, a Drª. Irondina, o Dr. Silvestre, o Dr. Aloísio, a D. Guilhermina. E quem não se emocionou com a mensagem enviada pela D. Cidalina e lida pelo seu filho?

A anteceder o almoço, houve algumas actividades recreativas: praticou-se ténis, natação — na piscina do Tamariz — passeio; não houve futebol, porque estavam todos muito pesados.

Para além do objectivo imediato deste encontro, teve a Comissão Organizadora uma intenção: que ele fosse o ponto de partida para uma grande reunião a realizar futuramente em São Pedro do Sul. Ali mesmo, foi nomeada uma nova Comissão que haveria de concretizar essa ideia e ficou constituída por: Arlindo Carvalhas, José Borges da Silva, José Carlos Duque, José Gastão Loureiro, Luís Manuel Rocha e Manuel de Almeida Moreira. Foi ainda nomeada uma sub-comissão para a área de Lisboa, constituída por Heitor Rodrigues de Vasconcelos, Rui João Duarte e Maria de Lurdes Figueiredo Duarte, cuja missão era dinamizar e promover a deslocação a São Pedro do Sul de uma caravana da área de Lisboa. Pode dizer-se que ali começou a ser preparada a operação “SÃO TOMÁS DE AQUINO 1989”.

 

2º ENCONTRO

Foi em São Pedro do Sul, em 1989, quarenta anos após a fundação do Colégio. Começou com uma sessão comemorativa, num fim de semana, à noite, no Salão Nobre da Câmara Municipal. O Professor Doutor José Maria da Cruz Pontes, catedrático da Universidade de Coimbra e meu antigo colega de curso, que tive a honra de apresentar, proferiu uma conferência sobre São Tomás de Aquino, brindando-nos com os primores da sua cultura e o brilho da sua palavra.

No dia seguinte, foi a missa solene, na Igreja do Convento, celebrada pelo Padre António Lopes da Encarnação, que destacou a importância do ensino particular, num tempo em que o ensino oficial quase se restringia às cidades.

Depois foi a corrida pedestre São Pedro/Termas, em que alguns antigos alunos ainda se aventuraram, equipados com camisolas expressamente confeccionadas e com a legenda “Colégio de São Tomás de Aquino – São Pedro do Sul 1949-1989” (Ainda guardo uma dessas camisolas). Alguns não passaram da Negrosa, que as barrigas, pesaditas, não deram para mais.

Houve um piquenique na Senhora da Guia e o encontro terminou com o tradicional almoço nas Termas, onde foi distribuído um prato decorativo de louça, com a efígie de Santo Agostinho e a respectiva legenda e datas. Ainda guardo um na minha estante, junto dos meus livros.

Dez anos depois, haveria de realizar-se novo encontro para festejar o Cinquentenário. Mas isso fica para o para o próximo número, com o qual se encerrarão estas crónicas sobre o COLÉGIO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO.

(Continua)

 

 

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