Naturais do Distrito Viseu também são candidatos às Europeias
A Gazeta da Beira entrevista candidatos ao Parlamento Europeu

Nome: José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro, atual deputado na Assembleia da República, nasceu a 28/06/1953, em Viseu, e é docente universitário, candidato pelo PS (Partido Socialista)
1-Porque é que abraçou esta candidatura Europeia?
As políticas nacionais, de todos os países, são fortemente determinadas pelas decisões assumidas nos diferentes órgãos europeus, nomeadamente no Parlamento Europeu. A União Bancária ou a Política Agrícola Comum, “dossiers” sob a responsabilidade de deputados socialistas, respetivamente, Elisa Ferreira e Capoulas Santos, são dois exemplos claros de como a intervenção dos parlamentares portugueses foi decisiva para a Europa e, sobretudo, para os pequenos países da periferia em que Portugal se enquadra. Penso que, tal como eles, o meu desempenho parlamentar pode ser um contributo importante e um desafio político aliciante.
2- No seu entender, quais devem ser as prioridades do novo quadro comunitário?
Para o Partido Socialista, as áreas prioritárias na política europeia são o Emprego, a União Económica e Monetária, o Mar (Portugal tem uma candidatura nas Nações Unidas para alargar a sua Zona Económica e Exclusiva – ZEE), a Energia e a Ciência e Tecnologia. Neste contexto, o novo quadro comunitário, deve privilegiar a educação, a formação de recursos humanos, a ciência, a investigação, o desenvolvimento tecnológico, o financiamento à internacionalização da economia, a competitividade das empresas e o emprego, sobretudo para os jovens.
3 – Os concelhos de Viseu, especificamente, enfrentam, atualmente, graves problemas. O desemprego, o encerramento de serviços públicos… motivam a desertificação e o êxodo rural da população, determinando a “morte lenta” de muitos territórios. Que soluções é que esta candidatura pode trazer para estes problemas em específico?
Por outro lado, as políticas ambientais e o investimento nas energias renováveis são fundamentais para a nossa autonomia energética o que significa melhor ambiente, maior competitividade e mais emprego.
Finalmente, agricultura e pescas, fomento das políticas de saúde e investimento na coesão social e territorial são áreas estratégicas que devem assumir prioridade no novo quadro comunitário de apoio.
Convém clarificar que a minha candidatura só tem significado num projeto comum. Há trabalho individual, mas não há políticas individuais. As políticas são comuns e estão num programa comum de candidatura.
Outra realidade que deve ficar igualmente clara, é que o papel subsidiário da Europa, na justa medida em que os países são independentes e é aos governos que compete definir as soluções de incidência interna. Fechar tribunais, repartições de finanças, encerrar equipamentos de saúde, cortar reformas e pensões, desertificar ainda mais o interior são, a título de exemplo, políticas nacionais do PSD e CDS das quais discordamos e para as quais apresentámos alternativas. Portanto, neste caso, a solução passa por mudar este governo.
4 – Tendo como base as políticas europeias atuais, segundo o seu ponto de vista, o que é que deve ser alterado? O que é que se propõe a mudar na Europa? Tendo em conta que o espaço euro abrange economias tão díspares, qual é a sua posição relativamente à questão da moeda única; do Pacto Orçamental e da Restruturação da dívida portuguesa?
No plano europeu, o PS defende a criação de um Programa de Combate ao Desemprego Jovem, com ação prioritária em países com elevada taxa de desemprego, como é o caso de Portugal; o reforço da ação do BCE junto dos mercados financeiros; a mutualização de uma parte da divida dos Estados; a criação da União Bancária completa com um sistema comum de garantia de depósito e um mecanismo de recapitalização com poderes para intervir junto dos bancos; e, entre muitos outros, a Convergência Fiscal, a Gestão Cambial, conduzida de forma a não penalizar as economias do sul da Europa, e o aprofundamento da União Económica e Monetária como resposta afirmativa à crise do euro.
5 – No seu entender o que é que deve ser feito para tornar as instituições europeias mais democratizadas e mais próximas dos cidadãos. Como é que se pode combater a abstenção nas Europeias e o desinteresse e a desinformação dos portugueses pela Comunidade?
Os dirigentes dos órgãos europeus de governo devem ser eleitos diretamente por todos os cidadãos do espaço comunitário. Essa é a única via para a legitimação política da sua ação e, simultaneamente, a sua responsabilização e utilização da capacidade instalada para, através do voto, os substituir ou reconduzir. Só assim, os europeus se sentirão mais próximos da política e mais motivados para participar nos atos eleitorais.
Nome: Delmira Maria de Araújo Figueiredo, candidata pelo MAS (Movimento Alternativa Socialista)
Data e local de Nascimento: 01/01/1965 ; nascida em Moçambique
Profissão: Professora
1 – Porque é a única candidatura que põe o dedo na ferida: por exemplo defendendo o fim dos privilégios dos políticos e uma auditoria pública para se saber realmente quanto é o valor desta dívida (que está a afundar o nosso país) e descobrir os seus verdadeiros responsáveis (Duarte Lima, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, etc). E doa a quem doer, é fundamental prender e confiscar os bens de quem roubou e endividou o país. Basta que sejam as nossas populações a pagar com os seus salários, reformas e direitos as negociatas ruinosas de BPN´s, Parcerias Público Privadas, Submarinos, fundações, etc.
2 – As prioridades deviam ser um investimento fortíssimo na melhoria dos serviços públicos (Saúde, Educação e Segurança Social) em benefícios dos povos e na criação de emprego mas para isso é essencial enfrentar os interesses da banca europeia (sobretudo alemã) que só se preocupa com o seu mega lucros mesmo que isso leve ao desemprego e precariedade a milhões de pessoas na Europa (como o ex-conselheiro económico do Durão Barroso, Philippe Legrain, denunciou recentemente quando denunciou que a “ajuda a Portugal resgatou a banca alemã”).
3 – O interior do país tem sido esquecido por sucessivas políticas dos governos PSD-CDS e PS que essencialmente foram semelhantes entre si favorecendo os grandes grupos económicos e esquecendo a maioria das nossas populações em general e do interior em particular. O MAS defende que o interior do nosso país deveria receber muito mais investimento nos seus serviços públicos e na criação de emprego mas isso só será possível se se enfrentar os grandes interesses instalados no país e dentro desses grandes partidos (PSD-CDS e PS) que já não fazem parte da solução mas do problema do nosso país.
4 – Economistas reconhecidos como o João Ferreira do Amaral defendem que uma moeda como o Euro só tem favorecido economias fortes como a Alemã em claro prejuízo das economias mais frágeis do Sul (ex: Portugal e Grécia). Como o nosso povo nunca foi democraticamente auscultado sobre a entrada na moeda única, o MAS defende um referendo para que o nosso povo possa decidir democraticamente sobre se devemos continuar ou não no Euro. O Pacto orçamental infelizmente pretende aprofundar ainda mais as disparidades entre os países ricos e pobres da Europa tirando ainda mais soberania/democracia aos povos de cada país. Relativamente à dívida defendemos que enquanto durar uma auditoria pública à dívida que se suspenda o pagamento desta dívida injusta e que esses recursos sejam investidos na criação de emprego, na Ciência, Saúde e Escola Pública.
5 – Ter a coragem de defender que mais ninguém defende: Prisão e confisco para quem roubou e endividou o país, fim dos privilégios dos políticos, Auditoria e Suspensão do pagamento da dívida e Referendo ao Euro. Sabemos que, como no passado, nos vão tentar silenciar e ostracizar (o MAS foi a única força política portuguesa que teve que recolher o dobro das assinaturas necessárias para a sua legalização) mas não desistimos nem desistiremos. Pelo nosso povo faremos isso e muito mais!
Nome: Manuela Maria Coelho Antunes, candidata pelo BE (Bloco de Esquerda )
Data e local de Nascimento: 28/04/1967, em Viseu
Profissão: Professora de Educação Física
1 – Como militante e ativista do BE é natural que esteja envolvida em mais uma eleição determinante para Portugal.
Acredito nesta lista, uma lista plural, encabeçada pela Marisa Matias, considerada uma das melhores eurodeputadas na defesa do ambiente, e por uma ampla maioria de candidatos independentes, cidadãos e cidadãs oriundos de vários sectores: da cultura, da ciência, dirigentes sindicais e ativistas sociais, com um equilíbrio paritário entre o número de homens e de mulheres.
E, principalmente acredito no manifesto da nossa candidatura que espelha o nosso compromisso com todos os portugueses e portuguesas: que se opõem ao Tratado Orçamental Europeu, em nome da defesa dos nossos serviços de saúde e educação, em nome do emprego e das pensões; que lutam por uma economia em que o trabalho, que produz a riqueza, é valorizado e defendido; que lutam por um estado social mais robusto e que defendem a prestação pública, universal e gratuita da saúde e da educação; que lutam pelo controlo público de toda a banca que o Estado resgatou e por uma política de crédito que recupere o investimento e o emprego.
2 – A prioridade é lutar pela coesão territorial e social a nível europeu e nacional. Os fundos comunitários continuam concentrados no litoral, como se verifica a nível das infraestruturas, com o interior a ser um mero espaço de atravessamento de mercadorias entre os portos de Sines, Aveiro e Leixões e a Europa. O BE Viseu foi dos primeiros a defender a linha ferroviária de mercadorias e passageiros entre os portos de Aveiro/Leixões e Vilar Formoso, passando por Viseu, mas este QREN esquece completamente o investimento nos dois eixos verticais do interior previstos no PNPOT para ligar os núcleos urbanos das regiões do interior. Por isso, discordamos que se destinem 600 milhões de euros para uma auto-estrada Viseu-Sul a construir por privados, quando o secretário de Estado dos Transportes já confessou que o governo não investirá na requalificação do IP3 para não prejudicar o negócio da auto-estrada, condenando as populações e as empresas da nossa região a mais portagens ou a continuar a arriscar a vida no IP3. Na Assembleia Municipal de Viseu, foi aprovada uma moção por unanimidade, a defender uma estrada para sul, com perfil de auto-estrada, mas sem portagens, por exigência do BE (à semelhança das autovias espanholas).
As gentes do interior também têm direito à mobilidade e ao desenvolvimento!
3 – O BE tem desde há muito vindo a alertar para a morte lenta do interior, a que temos chamado de “interioricídio”, levada a cabo pelos governos do Bloco Central, mas que o PSD e o CDS têm agravado, com o encerramento ou perda de valências de Tribunais, Centros de Saúde, postos de correios, repartições de Finanças e Escolas. O encerramento de serviços públicos não tem em conta as dificuldades de mobilidade das populações serranas do interior, mal servidas de transportes públicos e empobrecidas por uma carga fiscal que até as impede de se dedicar à agricultura de subsistência. Defendemos uma nova PAC – Política Agrícola Comum, que incentive a produção, acabando com as cotas, e deixe de beneficiar apenas 8% dos agricultores que recebem 70% dos fundos, quando a grande maioria (92%) só recebe 30%. O BE exige a isenção de faturação para a micro-actividade agrícola. Também defendemos a discriminação fiscal positiva para as empresas que se instalem no interior com criação de emprego não precário. Estamos lado da Federação Europeia de Reformados e Pessoas Idosas que exige que a União Europeia reconheça o direito a cuidados continuados de proximidade e de dignidade das pessoas idosas.
4 – Se tivermos de escolher entre o Euro e o Estado Social, optaremos pela matriz democrática da Europa.
Defendemos o referendo ao Tratado Orçamental Europeu (apoiado pelo PSD/CDS/PS) para envolver todo o país nesta decisão que apenas é a continuação das políticas de austeridade que estão a levar o país à recessão, desemprego e pobreza.
Consideramos que é urgente reestruturar a divida para evitar o declínio social, aliás, consideramos que este é mesmo o ponto de partida para o enfrentar.
Uma reestruturação que inclua a revisão das taxas de juro e de prazos de pagamento, além de 1 abatimento de cerca de metade da divida, até ao nível considerado sustentável (60% do produto nacional). Deve incidir sobre os títulos detidos pelo setor financeiro mas também pelas instituições da Troika, que detêm grande parte da divida portuguesa substituindo e salvando os credores familiares.
5 – Somos europeístas, por isso defendemos uma refundação da União Europeia que recentre o projeto europeu nas pessoas e não no dinheiro. As instituições europeias estão em crise, porque estão dominadas pelos grandes conglomerados bancários, que provocaram a crise a nível mundial transferindo a especulação no imobiliário para as dívidas soberanas, e usam a austeridade como um instrumento de saque das finanças dos Estados e de escravização dos povos, através da desvalorização do valor do trabalho. Eu diria que não é só o futuro da Europa que está em causa nestas eleições europeias, mas também o futuro do nosso país; é a escolha entre o Estado Social, a defesa dos serviços públicos, Saúde, Educação, Segurança Social , o emprego e, por outro lado, a austeridade que a Troika, incluindo o BCE e a CE, vão continuar a impor-nos por mais 20 e tal anos, conforme Cavaco Silva já admitiu. Defendemos o controlo democrático sobre o BCE, que tem de estar ao serviço dos povos da europa e não dos lucros dos bancos. O Parlamento Europeu tem de assumir a função legislativa e a Comissão Europeia tem de ser eleita diretamente pelos cidadãos europeus. No próximo dia 25 o voto de cada um e de cada uma de nós pode fazer a diferença entre um futuro de paz numa Europa democrática e solidária ou uma Europa onde a extrema-direita alastre nos governos nacionais, pondo povos contra povos, pobres contra miseráveis, e semeando o ódio que leva à guerra.
Nome: Margarida Barbedo, candidata pelo PCP-PEV (CDU – Coligação Democrática Unitária)
Nasci em Lisboa há 65 anos (19-11-48) e vivi toda a minha vida no Norte, primeiro no Porto e desde há 17 anos no distrito de Viseu.
A minha formação foi em Serviço Social, mas desde há bastantes anos sou empresária agrícola.
1 – Aceitei candidatar-me por várias ordens de razões.
Em primeiro lugar porque o Partido Comunista Português no qual milito há 40 anos assim o entendeu e me deu essa honra.
Depois, porque tendo vivido com uma imensa alegria o 25 de Abril, sinto o dever agora e sempre de testemunhar Abril e lutar pelos seus ideais.
Finalmente porque a candidatura da CDU às eleições europeias do dia 25 de Maio é um contributo relevante para a defesa do povo e do país face à agressão a que têm sido sujeitos.
2 – Não é um novo quadro comunitário, nem qualquer quadro comunitário que irá resolver os nossos problemas. De resto, passados trinta anos sobre a nossa adesão à CEE, e de inúmeros “quadros comunitários”, as desigualdades no seio da UE em vez de se resolverem, ou tenderem para a sua resolução, têm-se antes agravado.
Somos nós próprios que podemos impor a liquidação das actuais políticas de austeridade e a sua substituição pelo desenvolvimento económico, a criação de emprego, o progresso e justiça social, a promoção da cultura e da língua portuguesa, a salvaguarda dos recursos naturais e a defesa do ambiente.
Em suma, uma política de defesa da democracia, do progresso social, da soberania e independência nacional, de cooperação entre estados, uma política de paz e amizade entre os povos de todo o mundo.
3 – Como bem refere, a situação nos concelhos do interior é diferente da dos grandes centros urbanos do litoral. E é pior.
A despromoção ou encerramento de serviços de proximidade (escolas, urgências e maternidades, tribunais, repartições de finanças, zona agrária, etc.), a liquidação de estruturas de apoio à agricultura (adegas cooperativas, cooperativas agrícolas, lagares de azeite) e ainda a falta de uma política de apoio à vida rural, têm consequências desastrosas no nosso distrito, que tem uma economia muito ligada à terra.
A falta de acessos rodoviários de qualidade e as enormes distâncias que temos de vencer para aceder aos mais simples dos serviços, arrasta os nossos concelhos para uma progressiva desertificação. Quem cá vive, sai à procura de melhor vida; quem alguma vez encarou vir viver para cá desiste em face destas condições.
Nesta campanha não me cansarei de denunciar estes problemas que não param de se agravar e que têm como responsáveis máximos este governo e os anteriores.
4 – O Pacto Orçamental visa amarrar Portugal e outros países em dificuldades à maldição da dívida e do défice. O seu cumprimento, se se mantivesse pelos tempos fora, impediria o desenvolvimento de políticas públicas de combate à recessão. Consideramos que o poder orçamental deve pertencer a cada estado. O poder orçamental faz parte da nossa soberania.
A emissão de moeda é outro elemento fundamental de soberania, como hoje estamos vendo. A nossa pertença à zona euro amputou-nos do direito de decidir muita da nossa vida económica e financeira. Uma moeda única só fazia sentido se na EU imperasse o princípio da solidariedade entre os estados, o que visivelmente não acontece.
Quanto à dívida pública, o que defendemos é não a sua reestruturação mas a sua renegociação, nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento, rejeitando a sua parte ilegítima.
5 – A nossa campanha é uma campanha pela participação esclarecida nas eleições para o Parlamento Europeu.
Considero que uma boa votação na CDU e uma clara rejeição eleitoral dos partidos responsáveis pela política de agressão aos trabalhadores e ao povo português seria um bom contributo para depor este governo, abrir o caminho a eleições antecipadas e permitir que se adopte rapidamente a política patriótica e de esquerda de que o nosso país precisa.
Nome: Fernando de Carvalho Ruas
Data e local de Nascimento: Real – Freguesia de Farminhão – Concelho de Viseu
Profissão Economista, candidato pelo PSD (Partido Social Democrático)
1 – A visão sistémica das regiões de Portugal decorrente da minha Presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses; a experiência da participação no Comité das Regiões, do qual sou membro fundador; a relação próxima com a vizinha Espanha, mormente, com a Galiza (Vigo, Ourense) e Castilla Y Leon( Ciudad Rodrigo, Salamanca e Valladolid); o contacto regular com inúmeras Comunidades Portuguesas espalhadas pela Europa; fizeram-me perceber a necessidade do conhecimento de proximidade nas Instâncias Europeias.
É absolutamente necessário olhar a Europa com “os olhos da proximidade”.
2 – O novo Quadro comunitário prevê já, na sequência dos esforços do Governo Português, uma significativa fatia (passou de 23 para 35%) de recursos financeiros destinados à componente Social.
A qualificação dos Portugueses e o apoio às Empresas é outra das componentes a enfatizar.
Nas áreas territoriais de menor densidade populacional, os fundos deverão ser majorados, a fim de minimizar e até a reverter, de forma decisiva, o êxodo das Pessoas.
São, ainda, relevantes necessidades da componente ambiental, traduzíveis na melhoria da qualidade de vida das Comunidades; mas, também, da diminuição da “pegada ecológica” do todo nacional, com destaque para os recursos energéticos.
3 – O facto de ser um cidadão/eurodeputado com raízes profundas no interior do nosso País, dá-me uma acrescida responsabilidade na chamada de atenção do Parlamento Europeu para um tratamento específico a dar às regiões de baixa densidade demográfica. Através de instrumentos já existentes – regime aplicável às R.U.P. -Regiões Ultraperiféricas da Europa; Agrupamentos Europeus de Cooperação Territorial; Associações de Municípios no âmbito da Convenção de Valência -, com relevância para o primeiro, é possível “carrear” para estas “euroregiões” recursos acrescidos, visando a recuperação socio-economica.
Por isso me baterei.
4 – As alterações dirão respeito à implementação da verdadeira equidade entre os Estados-Membros.
A Europa meridional, e os Países mais periféricos, entre os quais se insere Portugal, deverão gozar de um estatuto de igual dignidade, não podendo ser a sua importância depreciada. Estamos muito próximo das Comunidades que representam Europeus baseados além- Atlântico, mas que mantiveram a sua portugalidade e alimentam as suas raízes europeias, mesmo quando são de gerações mais modernas.
A recuperação da economia portuguesa alavancada no crescimento da Europa permitirá, de forma gradual, a recuperação da situação débil das finanças, baseada no rigor orçamental. É possível “fazer mais com menos” desde que se invista criteriosamente e com sustentabilidade.
5 – Há um longo trabalho pedagógico a desenvolver, no sentido de compreendermos, todos, que só temos a ganhar em estarmos na União europeia. Não é por mero acaso que países do leste europeu pretendem integrar a União. Contudo esta terá que ser cada vez uma União Política, não se reduzindo a uma união meramente económica.
No respeito pela autenticidade e pela identidade de cada Estado-Membro, os nossos Concidadãos assumirão cada vez mais a Europa como sua quanto mais participarem na definição das políticas, global e sectorial, que os conduza a um nível de conforto e de qualidade de vida. Isso só se consegue se estivermos, de corpo inteiro, mostrando as nossas necessidades e o nosso potencial.
Nome: Nuno Silva, candidato pelo PPM (Partido Popular Monárquico)
Data e local de Nascimento: 26 de Setembro de 1966, Viseu, Freguesia de Santa Maria
Profissão: Empresário
1 – É necessário dar representação a todos os que acreditam que a Europa pode voltar a cumprir a sua missão genuína, a missão de ser um espaço de solidariedade onde os Estados se tornam mais fortes pelas pontes de solidariedade que estabelecem, ao invés da Europa actual, uma Europa egoísta, onde Estados do designado “directório” se aproveitarem de quem revela fraquezas.
A Crise que atravessamos é o paradigma da falta de solidariedade Europeia. Perante as pressões especulativas a Europa deveria ter reagido emitindo moeda, dando um sinal ao mercado que, se as taxas aumentassem, a moeda desvalorizava provocando uma perda de valor nos activos detidos pelos próprios agentes especulativos. O que ganhavam com a subida das taxas perderiam com a desvalorização de activos. Era uma resposta inteligente e eficiente que, só não foi assumida, porque a Alemanha não tem interesse na desvalorização do Euro. O interesse de um sobrepôs-se ao interesse geral.
2 – A prioridade terá de ser a redução de custos de produção e a autonomia energética da União Europeia. Redução de custos através de fundos de capital de risco para que a Europa volte a ser um espaço de ambição, de empreendedorismo, de descoberta e afirmação de talentos.
Autonomia energética através da reconversão, gradual, de toda a rede elétrica de iluminação pública para sistemas autónomos alimentados por painéis fotovoltaicos. A tecnologia já oferece esta possibilidade, só a falta de vontade política impede que se torne realidade. É uma solução que tem a virtude de constituir um investimento que se paga com a própria poupança obtida pelo fim da fatura elétrica.
Uma mudança desta natureza geraria milhares de postos de trabalho e contribuiria para diminuir a dependência da EU de Estados que, ainda recentemente, mostraram que não respeitar o Direito Internacional, como é o caso da Rússia.
3 – Todos os grandes centros económicos europeus estão ligados por caminho-de-ferro. Actualmente foi assumido pelo Presidente da Câmara de Viseu, como prioridade, a construção da ligação ferroviária Aveiro/Viseu/Guarda/Salamanca, é uma optima noticia. Precisa de ser apoiada pelos Deputados no Parlamento Europeu, nomeadamente quanto à possível dispensa de comparticipação financeira nacional dada a situação especial que atravessamos.
Acredito na aposta na investigação, nos mais diversos domínios mas com enfase nas questões energéticas, matéria estruturante da competitividade económica. No Caso específico de Viseu acredito que, por já ter tradição e competências instaladas, poderia receber um grande centro Europeu de investigação em energias renováveis.
4 – É muito importante voltarmos a ter um modelo de decisão que dê igual valor a cada Estado. No modelo actual, com ponderação de votos, 6 Estados detêm 72% do peso dos votos, significa que os restantes 22 Estados têm, no conjunto, 28%.
Quando poucos detêm o poder sobre muitos o interesse de muitos é sacrificado ao interesse de poucos. Esta é aa grande causa da Europa se ter tornado num espaço de egoísmos e conflitos.
5 – A abstenção combate-se apresentando propostas concretas, sobre as quais as pessoas fazem o seu juízo e optam. Quando as candidaturas não apresentam nem corporizam qualquer proposta ou projecto a campanha fica vazia, não mobiliza, não motiva, não estimula e abstenção torna-se uma consequência natural.
A candidatura do PPM apresenta 3 propostas concretas, sobre as quais espera ouvir a opinião dos portugueses:
– Criação de um fundo financeiro -pode ser constituído pela emissão de títulos de dívida Europeia – que avalize a dívida soberana dos Estados no montante que ultrapassa os 60%
– Criação de uma Pensão Social Europeia, destinada a quem não tem nem pode gerar os seu próprio rendimento, nomeadamente pessoas com mais de 65 anos e pessoas com deficiência que as impeçam de trabalhar.
– Constituição de um fundo de resgate das famílias sobre endividadas. Hoje, mais 40% das famílias portuguesas está em situação de sobre-endividamento, com financiamentos que, em alguns casos, as taxas ultrapassam os 20%. Com este fundo estes financiamentos podem ser trocados por outros a taxas de 5 a 7%, com prazos mais alargados que permitam reduzir em mais de 55% os encargos mensais das famílias.
Queremos uma Europa Justa – Uma Europa onde o salário justo seja o motor da economia. Não foi o poder militar que travou o comunismo, poderá ter limitado as ambições expansionistas, mas quem derrotou o comunismo foi a Justiça, a justa remuneração catalisador do desenvolvimento e da reconstrução Europeia.
Foi o salário justo que descobriu em cada pessoa o melhor que tem para dar e gerou energias que até então se desconheciam. A justiça foi a arma que destruiu os alicerces de toda a construção Marxista baseada na mais-valia e na concentração do Capital.
Nota de redação:
Tendo como critério candidatos naturais ou residentes no distrito de Viseu, já que falamos de um jornal regional, a Gazeta da Beira entrou em contacto com todos os partidos políticos candidatos ao Parlamento Europeu. Sendo que os seis candidatos a que damos voz, foram os únicos que, reunindo as condições, aceitaram participar neste Especial Eleições Europeias. A ordem das entrevistas segue a apresentada pela Comissão Nacional de Eleições, para o boletim de voto, após sorteio.
• Patrícia Fernandes
Redação Gazeta da Beira
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