Nasce o livro “Apoios Centrados nas Pessoas”, pelas mãos de Mário Pereira

Inserido nas comemorações dos 25 da ASSOL

“Apoios Centrados nas Pessoas” é o livro da autoria de Mário Pereira que surge com o objetivo de dar a conhecer uma metodologia pouco conhecida em Portugal. O lançamento foi no passado dia 15 de novembro, inserido nas comemorações dos 25 anos da ASSOL (Associação de Solidariedade Social de Lafões), desta vez em S. Pedro do Sul. Em entrevista à Gazeta da Beira, o diretor da ASSOL explica as vantagens desta forma de atuação que vê o deficiente como um parceiro em prol de uma mudança mais profunda.

LIVRO

Gazeta da Beira (GB) – Lançou o livro “Apoios Centrados nas pessoas” para dar a conhecer uma metodologia pouco conhecida em Portugal. Concretamente, em que é que se baseia esta metodologia?

Mário Pereira (MP) – Duas ideias fundamentais do Planeamento Centrado na Pessoa são o respeito pela individualidade de cada pessoa e a convicção de que todas as pessoas são capazes de fazer escolhas e tomar decisões sobre a sua vida.

 

GB – Em que é que este modo de intervenção se distingue das demais?

MP – Há duas diferenças essenciais: No trabalho com as pessoas o foco é posto no futuro desejado por cada pessoa e são as pessoas que escolhem os apoios que fazem sentido para si em função desse futuro; O trabalho dos técnicos deixa ser o de decidir o que as pessoas devem ou não fazer e impor-lhe essa sua decisão, passando a ser parceiros que ajudam cada pessoa a percorrer o caminho que ela escolheu.

GB –  Na sua opinião, porque que é que em Portugal, na grande maioria dos casos, não é aplicada?

MP – Porque não é conhecida e também porque as organizações e os profissionais estão demasiado habituados a mandar nas pessoas. Deixar de ser superiores às pessoas que servimos e tornarmo-nos seus parceiros é uma mudança muito profunda.

GB- Porque é que a ASSOL apostou nesta metodologia? Quais são as principais vantagens?

MP-Tivemos a sorte de ter sabido da existência desta metodologia há quase vinte anos, mas só começámos a utilizá-la a partir do ano 2000 quando iniciámos o apoio a pessoas com doença mental crónica.

Para nós era relativamente fácil “mandar” nas pessoas com limitações mais ou menos graves, mas quando começámos a trabalhar com pessoas mais velhas que nós, mais inteligentes que nós e que tinham tido vidas como as nossas mas tiveram o azar de adoecer, mandar deixou de ser uma opção.

Então tivemos que começar a negociar o que poderíamos fazer em conjunto e a partir daqui fomos aprofundando este caminho.

A grande vantagem para as pessoas apoiadas é tornarem-se senhoras do seu destinado e puderem assumir algum controlo sobre a sua vida.

Para nós profissionais a grande vantagem é as pessoas olharem para nós como companheiros e não como superiores. Isso torna o nosso trabalho muito mais fácil e agradável.

GB-Onde é que o livro pode ser adquirido?

MP-Para já pode ser adquirido na ASSOL. Se mandarem um email para assol@asol.pt também enviamos pelo correio.

Cidadania Ativa é o novo projeto da ASSOL

“Cidadania Ativa” é um projeto da ASSOL que está no terreno desde outubro. Uma parceria entre a ASSOL, a Associação Pais em Rede e o Instituto Universitário de Lisboa, com o apoio da Fundação Gulbenkian que visa promover “a transição da escola para a vida adulta” aos jovens com necessidades especiais.

Durante este ano letivo, como explica o diretor, “este trabalho experimental decorre nos concelhos de Amarante, Resende, Viseu e alguns concelhos do vale do Dão, Sintra, Loures e Odivelas, onde contamos com o apoio de entidades congéneres que trabalham nessas localidades”.

O balanço é para já muito positivo. Como defende Mário Pereira, “em pouco mais de um mês conseguimos colocar cerca de 80 alunos com necessidades especiais a realizarem pequenos estágios fora da escola, em zonas onde isso nunca havia sido tentado”.

Ainda no final deste ano, com o apoio do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), a ASSOL vai elaborar um manual que vai ser distribuído a todos os agrupamentos de escolas por forma a, como acrescenta Mário Pereira, “facilitar todas as escolas e centros de recursos o acesso a estes instrumentos para a inclusão”.Redação Gazeta da Beira

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