Mirtilo de mãos dadas com a ciência

Projeto Myrtillus abre novas portas para o futuro

• Patrícia Fernandes

Ed650_Mirtilos_SeverIMG_9573O projeto “Myrtillus” chegou ao fim. As principais conclusões foram apresentadas no passado dia 28 de fevereiro, no CAESV. A sessão foi o culminar de três anos de investigação, cujos resultados apresentados podem ser uma mais valia para o futuro dos mirtilos. As diferentes variedades do mirtilo; como aumentar o tempo de conservação; como transformar os resíduos em produtos de valor acrescentado; o que fazer com os subprodutos do mirtilo? De mãos dadas com a ciência, o mercado dos mirtilos tem agora novas nichos de oportunidade para crescer.

“Sejam bem vindos à capital do mirtilo”. Foram estas as palavras, com que António Coutinho, Presidente da Câmara de Sever do Vouga, abriu a sessão de encerramento do projeto “Myrtillus”. Um estudo que o autarca acredita que vai trazer “mais força, mais sustentabilidade, mais dividendos, mais valias do mirtilo” para os produtores e para o concelho. A mesma opinião tem Reinaldo Barnabé, antigo presidente da Mirtilusa que iniciou o projeto, referindo o Mirtilo é hoje “uma peça importante na economia de todos nós”. Como disse, a produção do mirtilos está numa grande evolução, “o saber empírico baseado em 20 anos de experiência, não está mais sozinho a ciência caminha ao nosso lado”.

 

Da teoria à prática

Os objetivos do projeto “Myrtillus” passam essencialmente pelo desenvolvimento de outros produtos, não só a partir do mirtilo, mas também dos seus subprodutos, tais como, as folhas e o caule que podem ser utilizados, por exemplo para  criar infusões. Os objetivos do projeto “Myrtillus” passam, também, por um maior aproveitamento dos resíduos, por forma a criar novas oportunidades de rentabilização para as empresas. Os frutos sobremaduros, por exemplo, podem ser transformados em deliciosos frutos secos, muito semelhantes às “passas”.

Alternativas que procuram dar novas perspetivas a um mercado que tende a ser sazonal. Com explica José Sousa, presidente da Mirtilusa, em declarações à Gazeta da Beira, “O nosso grande objetivo é tentar comercializar, no futuro, alguns produtos que possam sair dos resultados do projeto “Myrtillus” ”.

Como avançou José Sousa, vão agora ser feitos alguns estudos económicos para perceber a viabilidade das soluções apresentadas. Num futuro próximo, o mirtilo de Sever do Vouga, assim como os inúmeros produtos derivados deste fruto, podem estar nas prateleiras dos mercados. Como explicou o presidente da Mirtilusa, “vamos fazer um estudo económico para ver se é rentável ou não, porque não podemos estar a desvalorizar o preço do fruto, não podemos estar a pagar fruto ao produtor a baixo preço, para conseguir apresentar produtos no mercado; o nosso objetivo principal é realizar o máximo de valor do fruto e manter a qualidade a nível do fresco”.

Sofia Freitas, coordenadora da AGIM  mostra-se confiante no futuro. O projeto Myrtilus pode abrir novas portas para o mirtilo e para Sever do Vouga. Como referiu, “a AGIM e os parceiros estão muito empenhados em dar continuidade a este projeto, importa aproveitar as verbas do próximo quadro comunitário de apoio, quer em termos do PDR 2014/2020, quer o horizonte 2020. Nós temos todo o interesse em conhecer melhor o mirtilo, as suas variedades, a sua adaptação aos diferentes climas do país…”.

Como acrescentou a coordenadora da AGIM, este estudo pode servir de inspiração para outras culturas de pequenos frutos: “no caso do mirtilo, a taxa de desperdício não é tão considerável como no caso do morango e da framboesa, este é um projeto que deve servir de exemplo e de guia orientador para outros projetos que se devem alargar a estas duas culturas; estamos em crer que este ano vamos conseguir elaborar um projeto para que esse trabalho seja continuado nos próximos anos”,conclui.

Recorde-se que o “Myrtillus” trata-se de um projeto de I&DT; financiado pela ADI :Agência de Inovação, e ao abrigo do programa QREN Co-promoção. O promotor foi a Mirtilusa que teve como parceiros a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, a UTAD, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a AGIM, a Frulact, a Ervital e o instituto de Investigação Brasileiro, Embrapa.Redação Gazeta da Beira

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