Médicos passam a ceder 20% à Termalistur
Novo diretor clínico já está em funções
Na edição anterior, a Gazeta da Beira fez referência à restrutração interna que a Termalistur estava a levar a cabo. O processo chegou ao fim. O novo diretor clínico, António Silva, já está em funções. A maioria do corpo clínico aceitou ceder 20% do valor de cada consulta à empresa municipal. Em entrevista à Gazeta da Beira, Victor Leal, Administrador da Termalistur, explica todo o processo.
Gazeta da Beira: Os médicos acordaram ceder 20% do valor da consulta À Termalistur. O acordo doi fácil? Este é um valor razoável?
Victor Leal: O processo poderá ter sido moroso e ter tido alguns obstáculos no seu percurso, mas penso que todas as partes tiveram o bom senso de procurar defender os interesses superiores das Termas de S. Pedro do Sul. Foi sempre tendo em vista a defesa intransigente do interesse público, e só esse, que a Termalistur e a Câmara Municipal decidiram corajosamente enfrentar este processo. O que esteve em causa foi todo um novo enquadramento legal e contratual que deveria ter sido posto em prática desde 2004 e que na verdade só foi possível agora. Sempre afirmei, e cada vez estou mais convencido de tal, que o que nos separava era muito menor do que nos aproximava. O valor percentual da consulta que reverterá para a Termalistur é apenas uma peça num conjunto mais basto de alterações que queríamos, e vamos, colocar em prática: a agenda medica; o diagnóstico e prescrição electrónica; o acompanhamento permanente de clínicos; os procedimentos de investigação; a simplificação de todos os processos de atendimento, etc etc Ultrapassado que foi um obstáculo, o acordo foi facilmente alcançado e penso ser um óptimo acordo para a Termalistur, para o corpo clinico, mas acima de tudo para as Termas de S. Pedro do Sul.
GB: Estes novos contratos ditam mais algumas alterações?
VL:Como referi anteriormente é todo um novo enquadramento de trabalho que está a ser criado nesta parceria dinâmica e profícua. As Termas de S. Pedro do Sul possuem um Corpo Clinico de excepção, com uma experiência e dedicação extremas e com este novo enquadramento clinico estão criadas as condições para desenvolver-se aqui um Termalismo de qualidade ímpar, onde a credibilidade médica, a investigação cientifica e a produção de saber e conhecimento será uma realidade, só comparável ao melhor que se pratica na Europa.
GB Este é um valor que pode fazer diferença à empresa Municipal? Em que é que vai ser investido?
VL: A Termalistur como todos sabem passa uma situação complicada ao nível financeiro. Encerramos 2013 com cerca de 520.000 euros de prejuízo; temos um passivo na ordem dos 13 milhões de euros; tivemos que investir cerca de 45.000 euros neste primeiro trimestre só para conseguir abrir o Balneário D. Afonso Henriques em condições aceitáveis, e portanto são problemas que se solucionam só por duas vias: aumento da receita e diminuição da despesa. É nesta equação que temos vindo a trabalhar. Pelo que toda a receita acrescida é bem-vinda. Mas iremos procurar investir grande parte deste valor em investigação, em credibilização cientifica, em produção de artigos técnico-cientificos que serão acima de tudo as melhores formas de promoção das Termas.
GB: Terminada esta ciclo, o corpo médico sente-se motivado? Isto é? Não poderá haver “mágoas” por detrás destes novos acordos?
VL: Considero pelo contrário. Vejo o corpo clinico, o seu Coordenador e o Director Clinico com uma motivação excepcional e a trabalhar arduamente na inauguração deste novo ciclo. Com grande empenho e dedicação. Todo este processo decorreu com grande abertura, diálogo e bom senso. Por vezes muito do que se diz nem sempre corresponde á verdade.Redação Gazeta da Beira
Comentários recentes