“MARTIFER quer continuar a ser uma referência internacional nas renováveis”
Entrevista a Carlos Martins, Presidente da Martifer

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer” será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!
• Paula Jorge
Ficha Biográfica
Nome: Carlos Manuel Marques Martins
Idade: 55
Profissão: Engenheiro mecânico
Livro preferido: “21 Lições para o século XXI” de Yuval Noah Harari. Também gosto de ler Camilo Castelo Branco.
Personalidade que admira: Uma das pessoas públicas que eu mais admiro e que tive oportunidade de privar algumas vezes é o Dr. Jorge Sampaio.
Paula Jorge (PJ) – Muito obrigada, Senhor Engenheiro, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio. Há quantos anos se iniciou no mundo da metalomecânica e como aconteceu?
Carlos Manuel Marques Martins (CMMM) – A Martifer começou em 1990, comigo, com o meu irmão Jorge Martins e com o engenheiro António Bastos que entretanto deixou a empresa, vendendo a sua participação em finais de 90. Eu tive uma experiência de um ano a trabalhar numa empresa concorrente e achei que tinha uma vocação empreendedora e que podia alicerçar naquilo que eu tinha aprendido na outra empresa, criando assim uma empresa concorrente com perspetiva de futuro diferente. Na altura em que montámos a empresa foi praticamente com capitais emprestados por amigos e vizinhos
PJ – De forma breve, pode descrever o seu percurso profissional até ao mais recente cargo de Presidente do Conselho de Administração?
CMMM — Acabei o curso de engenharia mecânica. Ao longo do curso sempre tive que trabalhar nas férias, principalmente nas obras, para amealhar dinheiro que servisse para fazer face aos meus gastos enquanto estava a estudar. Quando acabei o curso fui prestar serviço militar no exército, estive um ano e meio em Lisboa. Depois fui trabalhar para uma empresa que se chamava Carvalho e Nogueira, estive lá um ano. Ao fim de um ano, desafiei o meu irmão e o António para começarmos com a Martifer. Esta é um bocado da minha história. Nunca trabalhei em mais lado nenhum. A Martifer começou do nada, chegou até onde chegou, atingiu o seu pico em 2010, entretanto a crise veio em 2011, ela teve que se reformular, que se reestruturar, que se redimensionar, até àquilo que é hoje. A Martifer passou por momentos de glória e depois passou por momentos difíceis e hoje é uma empresa diferente, mas que está bem, felizmente.
PJ – A Martifer é um grupo industrial multinacional que conta com unidades industriais em Portugal (Oliveira de Frades, Aveiro e Viana do Castelo), Roménia, Angola, Moçambique e Argélia, com uma capacidade e dimensão que lhe permite executar projetos de elevada complexidade e envergadura nos vários mercados onde atua. Esta dimensão é gigante e incompreensível a um ser comum como eu. Pode explicar-me como é que esta explosão de sucesso aconteceu?
CMMM – A Martifer já foi muito maior do que o que é hoje. Além das geografias onde estamos hoje, já esteve com fábricas nos Estados Unidos, no Brasil, na Austrália e na Polónia. A Martifer, dentro da construção metálica e das fachadas em alumínio, é uma empresa líder mundial. Hoje está preparada para fazer o projeto mais complicado em qualquer parte do mundo, respondendo às maiores exigências técnicas dentro da qualidade requerida e é líder mundial! Veja, há 2 ou 3 empresas no mundo como a Martifer, mas a Martifer está lá. É reconhecida, hoje, como sendo capaz dentro dessa área e rapidamente começou a ser conhecida para responder a projetos de elevada complexidade. A Martifer era muito maior do que o mercado português, naquilo que fazia, e por isso começou a responder a projetos fora de Portugal, os projetistas também são globais, conhecem a capacidade da Martifer, isso fez com que, pontualmente, tivéssemos que responder com uma capacidade de fabricar localmente para fazer face às necessidades dos projetos a que estávamos a ser convidados, ou seja, algumas coisas não foi “vamos avançar, porque faz sentido construir uma fábrica”, mas “vamos avançar, porque temos projetos lá que temos de fazer”. Então, no Brasil tínhamos a alternativa para fazer todas as infraestruturas, quer para o Mundial de Futebol de 2014, quer para os Jogos Olímpicos de 2016. Não tínhamos outra alternativa senão termos uma fábrica localmente. Entretanto, as obras acabaram e nós decidimos vender as instalações. Portanto, basicamente, como player mundial tínhamos, nalguns casos, que criar capacidade empresarial própria para dar resposta às obras que entretanto tínhamos espalhadas pelos 4 cantos do mundo. Depois, em 2005, a Martifer começou a pensar de forma diferente e achou que podia, não só crescer dentro da área das estruturas metálicas (da metalomecânica), mas resolveu também começar a sua atividade nas energias renováveis, acreditando que muito daquilo que a energia renovável era feita, já com uma componente metalomecânica, nomeadamente as torres eólicas. Portanto, avançou por aí, porque as energias renováveis, claramente, em 2005 já eram o futuro e hoje continuam a ser o futuro. O mundo continua a reconhecer que as energias renováveis são uma necessidade para fazer face à pegada de carbono para tornar este mundo mais sustentável. Foi esse o caminho. Hoje, a Martifer continua a ser metalomecânica (com o estaleiro em Viana do castelo) e as energias renováveis continuam a ser uma aposta nossa. Fomos avançando no biodiesel, que era uma energia de fonte renovável, fomos avançando no fotovoltaico, que era uma energia de fonte renovável. Foi um percurso normal que se fez e já que avançámos nesta perspetiva de diversificação, uma atividade que nós achávamos que era futuro, aproveitávamos onde já estávamos para não só fazer metalomecânica, mas aproveitar para fazer coisas, nomeadamente as energias renováveis. Basicamente foi este o percurso.
“O mundo continua a reconhecer que as energias renováveis são uma necessidade para fazer face à pegada de carbono, para tornar este mundo mais sustentável. Foi esse o caminho. Hoje, a Martifer continua a ser metalomecânica e as energias renováveis continuam a ser uma aposta nossa.”
PJ – Sim, foi isso que aconteceu, juntamente com uma visão incrível!
PJ – Sabe dizer-me quantos colaboradores tem, atualmente?
CMMM – Temos cerca de 1300.
PJ – Fale-nos um pouco de alguns entraves que possam apresentar-se como fatores impeditivos àquilo que um grande empresário pretende fazer.
CMMM – O primeiro entrave, hoje, é que com a crise que veio na primeira década deste século, o financiamento para desenvolver os negócios passou a ser mais complicado, ou seja, o sistema bancário português teve que se redimensionar, mas também ter uma perspetiva diferente de atribuição de crédito. Hoje, a avaliação de risco é completamente diferente e isto por si só é uma dificuldade. Outra dificuldade é a dimensão do país. Quer queiramos, quer não, por muito que se diga que as fronteiras não existem, que os países estão abertos, há sempre um protecionismo local marcante. O facto de Portugal ser um país pequeno é muito mais fácil para um português fazer negócio em Portugal do que um espanhol e vice-versa. Se o mercado espanhol é 6 vezes maior do que o nosso, logo o empresário espanhol tem uma vantagem que o empresário português não tem. O seu mercado natural é maior. Por outro lado, o facto de Portugal não estar no centro da Europa e estar na extremidade da Europa, quer queiramos, quer não, os custos logísticos associados são significativos e nós temos de suportar a logística duas vezes: temos uma logística para trazer para Portugal as matérias-primas e depois temos que pagar uma logística para levar os produtos acabados para qualquer lado que seja. Logo, isso é um entrave. Mas também tem vantagens! De facto, Portugal tem muito boa mão de obra, mão de obra qualificada, tem pessoas que trabalham, a produtividade em Portugal não é tão baixa como as pessoas dizem que seja. As empresas, com a crise, tiveram que se modernizar muito em termos de produtividade para conseguir exportar. Veja, por exemplo, na tecnologia: uma tecnologia que nasça em Portugal a uma tecnologia que nasça nos Estados Unidos, o facto de nascer nos Estados Unidos, além de naturalmente ser mais global, só por si o mercado dos Estados Unidos tem massa crítica para poder suportar um investimento do desenvolvimento de tecnologia que a dimensão de Portugal não tem. Por isso há empresas tecnológicas portuguesas que se instalam nos USA. Não é fácil! Se a Europa fosse, efetivamente, uma união de estados federados, em termos empresariais, era capaz de ser mais fácil. Não é! E como não é, quer queiramos, quer não, a Europa apesar de estar mais ou menos aberta, apesar de se circular bem dentro da Europa tem algumas dificuldades que efetivamente não são os Estados Unidos.
PJ – Um bom líder não pode estar sozinho. Quer falar-nos da sua equipa?
CMMM – Sim, sim, isso é muito importante. O dia tem 24 horas e mesmo trabalhando aos sábados e domingos, ou temos a capacidade para delegar nas pessoas que nós temos ou então não temos sucesso. Temos de ter tempo para pensar, temos de ter tempo para falar com as pessoas, temos de ter tempo para pensar bem nas coisas, porque a falta de planeamento ou uma má avaliação são a “morte do artista”. Só com uma equipa muito forte, muito alinhada, esclarecida e sabendo qual é o rumo é que isto corre bem.
PJ – E depois também é preciso tempo para a família.
CMMM – Sim, a base familiar é muito importante. Não podemos ir para casa e levar para casa os problemas do dia a dia do trabalho, nem devemos ir para o trabalho com os problemas de casa. Ou seja, é preciso ter o equilíbrio entre as partes de maneira a que no trabalho estejamos concentrados no mesmo. O suporte e equilíbrio familiar é fundamental para que um líder tenha sucesso.

PJ – Poderá elencar, de forma resumida, as grandes obras que estão, neste momento, em curso com a marca Martifer?
CMMM – Neste momento algumas das grandes obras em curso são: A sede da VINCI, em França; estamos a fazer o ITER – Tokamak, uma Central Nuclear, em França; estamos a fazer a ampliação do aeroporto de Genebra – Entre outras grandes obras que estamos neste momento a fazer!
PJ – Poderá destacar algumas obras, realizadas no passado, a nível nacional ou internacional, com a marca Martifer?
CMMM – Fizemos os estádios do Brasil, depois fizemos todas as obras para os jogos olímpicos do Brasil e fizemos também o grande museu do Amanhã do arquiteto Santiago Calatrava no Brasil, depois fizemos o estádio nacional da Arábia Saudita em Jeddah e fizemos a maior ponte ferroviária em Espanha, com o maior vão livre do mundo (uma obra muito singular). Além da cidade telefónica e da cidade do Banco Bilbao Vizcaya em Espanha. A Martifer tem das obras mais emblemáticas que há, sem dúvida. Cá em Portugal, talvez a obra mais difícil que tenhamos feito foi a ponte móvel no porto de Leixões.
PJ – Muitas histórias terá guardadas, quer partilhar connosco uma das histórias que mais o marcou no seu percurso profissional?
CMMM – Digamos que a Martifer tem um número enorme de histórias desde que começou até agora. Foi um emblema nacional em 2007/2008, claramente. Foi uma empresa que se destacou, onde ganhámos todos os prémios, representámos Portugal lá fora, tivemos prémios de empreendedorismo, mas depois em 2011, Portugal por necessidade financeira do resgate económico que teve que fazer naquela altura, fez com que os nossos sonhos dessem dois passos atrás. Portanto, a partir daí a Martifer teve que alienar algum património para poder sobreviver e passou 4 ou 5 anos da sua vida lutando, diariamente, para sobreviver e só em 2017 é que nós voltámos a dar a volta e a ter a empresa que tínhamos tido no passado. Eu acho que a Martifer tem duas histórias: Tem a história da glória, e depois, tem a história de grandes dificuldades. Hoje sinto um grande orgulho, porque com a ajuda da minha equipa fomos capazes de resistir e dar a volta. Este percurso, para mim, hoje, é a maior lição de vida que tive e isso vai-me acompanhar para o resto da minha vida e enquanto empresário irei recordar estes momentos verdadeiramente complicados. Hoje, a vida está muito mais assertiva, as pessoas e as empresas em Portugal estão muito mais preparadas para crises futuras.
PJ – Que lições tirou desta marcante experiência?
CMMM – Basicamente é assim, hoje estamos muito mais conservadores nas decisões e quando se quer dar um salto em frente pensamos duas vezes. Antigamente bastava que houvesse uma pessoa que dissesse “vamos embora” e as pessoas geralmente alinhavam dessa forma, avançando, porque achávamos que tudo iria dar certo. Hoje, é exatamente o contrário. A equipa tem de estar toda de acordo para se dar o salto, para termos a certeza que o caminho é esse. Estamos muito mais conservadores na decisão de investimento e naquilo que é a avaliação do risco.
PJ – O Senhor Engenheiro tem um percurso profissional de sucesso. Quais são os valores em que acredita para que esse sucesso seja possível?
CMMM – Para mim, falar verdade é a base de sucesso para criar confiança. Se não houver confiança nas pessoas que estão à nossa volta não é possível. A confiança é a base de tudo na vida, mas principalmente nos negócios. Ou seja, ser verdadeiro, ter confiança nas pessoas e depois muito trabalho.
PJ – O que é ser um líder para si?
CMMM – Primeiro é uma pessoa que motiva a sua equipa permanentemente. Alguém que dá um pouco do seu tempo diariamente a todos os membros da sua equipa. Líder é uma pessoa que tem o seu próprio carisma, em que as pessoas se revêm. Líder é aquela pessoa que nunca utiliza a expressão “quem manda sou eu”. Normalmente, é uma liderança que surge naturalmente e que as pessoas respeitam. Líder é aquela pessoa que faz da sua equipa uma família.
PJ – Que conselhos daria aos nossos leitores, do mundo empresarial, que ambicionam alcançar prosperidade?
CMMM – Para que a pessoa queira ser um empresário, um empreendedor, tem que ter essa vocação, porque se não tiver vocação, logo, por si só, é muito complicado. Um empreendedor, mesmo tendo aulas de empreendedorismo, frequentando as melhores escolas da área, tem que ter nascido com uma dose própria de empreendedorismo. Ser empreendedor é muito mais do que ser empresário. O empreendedor é alguém que cria, o empresário pode ser alguém que herde uma empresa da família. Se nós conseguirmos juntar uma dose de empreendedorismo a uma capacidade apurada de gestão, então temos é mais fácil. Mas, não chega só ser empreendedor para ter sucesso. É preciso estudar bem os dossiers, é preciso estudar muito bem os negócios, é preciso estudar o tipo de negócios em que o mercado está inserido, porque mesmo havendo, hoje, áreas de negócio em que as pessoas acham que são de sucesso, se as coisas não forem bem feitas e bem avaliadas, pode tudo correr mal. Vou dar um exemplo concreto – claramente, a energia renovável é a energia de futuro, dentro da energia renovável, a energia fotovoltaica é uma opção do futuro, mas mais de 90% das empresas ligadas ao fotovoltaico faliram na última década. Alguma coisa correu mal! Ou seja, é preciso, efetivamente, saber “o que é que nós temos que fazer” mas, acima de tudo, “para onde é que nós queremos ir e de que forma é que nós queremos lá chegar”. Hoje, ser empresário é muito difícil. Há muitas pessoas que já tentaram ser empresárias e que desistiram, porque não conseguiram chegar lá. O financiamento bancário, hoje, está mais difícil, e a tendência das taxas de juro é para subir. Portanto, o segredo já não é a alma do negócio. A alma do negócio é a capacidade de avaliar os projetos e se não temos a certeza não custa nada perguntar às pessoas que estão à nossa volta o que é que elas acham, o que é que elas fariam. Ou seja, receber conselhos de gente de sucesso, de uma forma desinteressada, se possível de pessoas com grande experiência de vida, que estão disponíveis para partilhar os seus momentos mais bem sucedidos e os seus momentos menos bem sucedidos. Essas pessoas podem nos ajudar a tomar uma decisão e a indicar-nos qual é o melhor caminho para nós transformarmos uma ideia nossa num projeto. Eu próprio, sempre que me abordam para perguntar o que é que eu acho, recebem a minha opinião desinteressada.
PJ – Além do lado empresarial, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
CMMM – Eu preservo, acima de tudo, a família. Acho que a família é a base de tudo. Sem ter um bom equilíbrio familiar é impossível ter um bom equilíbrio em termos empresariais. A família é o garante de que nós olhamos para os negócios de uma forma a médio e longo prazo. A seguir, também gosto de ter amigos e faço muito para os manter, porque, nos momentos mais difíceis, é a eles que devemos recorrer. Nos momentos mais difíceis os meus amigos estiveram sempre disponíveis. Eles estiveram sempre ali ao meu lado. Às vezes, nós deixamos para trás alguns amigos por não termos tempo… A falta de tempo é um argumento para os preguiçosos! “Porque não tive tempo, porque não tive tempo…”. Quando nós queremos, encontramos sempre, na nossa agenda, 3, 4 ou 5 minutos para ter uma palavra com um amigo. Portanto a família e os amigos são o que tenho de mais importante na minha a vida. Gosto de estar em casa. Em casa gosto de pensar e organizar as minhas ideias. É em casa que gosto de receber os amigos, de jogar às cartas, mas também ler um livro, ouvir música ou ver um filme. Por vezes o silêncio e um bocadinho de solidão também fazem muito bem. Permitem-nos descansar e pensar melhor na vida e naquilo que nós queremos fazer dela.
PJ – Imagine a sua vida sem a MARTIFER, como seria?
CMMM – Vai começar a ser! Eu anunciei que ia deixar de ser Presidente do Executivo em maio de 2018, mas tenho acompanhado de perto as operações nos nossos estaleiros navais em Viana do castelo. A partir de maio de 2019, passarei, efetivamente, a ter funções não executivas no grupo Martifer. São 30 anos! Como acionista da Martifer fico muito confortável na pessoa que escolhemos para liderar operacionalmente a Martifer, que é o Engenheiro Pedro Duarte, eu vou continuar a ajudar naquilo que eu puder. De resto continua a gerar ideias para projetos futuros.
PJ – O que eu acho interessante, Engenheiro, é que eu pedi-lhe para imaginar a sua vida sem a Martifer e o Engenheiro não conseguiu dar o salto e imaginar a sua vida sem a Martifer.
CMMM – A minha vida sem a Martifer… é complicado, porque eu não me estou a ver a vender a minha participação da Martifer. A Martifer é um projeto que eu espero que fique muito para além dos meus dias. A Martifer, hoje, está bem preparada, mas tem de estar atenta, porque o mundo anda muito rápido. É preciso ter uma grande capacidade de resposta para responder a este mundo que avança e que muda todos os dias.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
CMMM – Missão. Eu sinto que tenho uma obrigação perante as pessoas que me rodeiam, por isso é que vou continuar este percurso empreendedor. Se eu tenho a capacidade de criar ideias, ideias que se podem transformar em negócio, então, eu não estaria de bem comigo se não pusesse estas ideias ao serviço de uma comunidade, de um país.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
CMMM – (Risos) Esta questão faz-me lembrar um programa de televisão…
O meu coração diz-me que: Por muito bom que o teu coração seja, a razão deve estar acima de tudo.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Senhor Engenheiro! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!
Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
CMMM – A mensagem que eu posso dizer é que leiam! Leiam, não só este jornal, a Gazeta da Beira, mas leiam! A leitura faz bem à alma e ao corpo e é uma forma de nos mantermos informados, de nos mantermos cultos. A cultura e a história são a base da nossa identidade e o garante de futuro de uma Nação.
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