Mário Pereira – Crónicas do Olheirão

Apontamentos dos dias que correm

Apontamentos dos dias que correm

São vários os assuntos da atualidade sobre os quais o melhor comentário que se pode fazer é a expressão “mas que pouca vergonha”, que ouvia amiúde em pequeno, mas que ultimamente só me lembra ouvir a uma pessoa com deficiência intelectual.

 

Liberais dia sim, dia não.

Ouvimos muitos empresários e os partidos ditos liberais revindicarem que o estado subsidie os aumentos dos combustíveis, da energia e das matérias-primas causados pela guerra, coisas que nem me parecem mal, não fora o caso de essas mesmas pessoas serem ferozes opositoras da ideia de haver um imposto extraordinário sobre os lucros causados pela guerra.

 

Roubos da água da rede pública

Os dados do município de Oliveira de Frades, que não serão muito diferentes de outros, mostram que há uma diferença enorme entre o volume de água que é introduzida na rede e a que é faturada, porque uma parte perde-se em roturas e outra é roubada.

O ponto é que, se eu fizer uma ligação ilegal à rede da água pública e roubar água no valor de centenas ou milhares de euros, seja para regar o jardim, a horta ou encher a piscina, posso apanhar uma coima, mas se tirar um chocolate no supermercado, vou responder a tribunal.

O que está errado nisto é que os legisladores e as pessoas em geral não atribuem a mesma condenação moral ao roubo de uma coisa pública ou de uma coisa particular.

 

O assessor Pedro Alves

A comunicação social e as redes sociais foram, há semanas, invadidas por críticas à contratação de um assessor pelo Ministro das Finanças, com um salário acima de 5000 euros.

O ponto não é a justeza das críticas, mas é triste ver dirigentes do PSD que estavam tão indignados, nem são passados 15 dias, nomearem para assessor do grupo parlamentar o ex-deputado Pedro Alves, que fora afastado pelo Dr. Rui Rio, mas é apoiante do atual presidente, com um salário de 4100 euros, e segundo dizia a notícia pode trabalhar a partir de casa e acumular com a atividade de professor.

Acredito que ele possa dar um bom assessor, embora como deputado, não se lhe conheçam méritos especiais. Acontece que uma das críticas era o custo para o erário público do salário do assessor do Ministro das Finanças, mas tanto quanto sei o dinheiro dos grupos parlamentares também é pago com os nossos impostos.

Tudo o que disseram sobre o assessor do Ministro das Finanças pode ser dito a dobrar sobre este caso. É, por isso, um espanto que o PSD, os outros partidos, os agitadores das redes sociais e alguma comunicação social se tenham esquecido do que disseram há menos de um mês.

 

Coitadinhos

Os administradores e diretores da TAP devem andar cheios de dores de costas (eu compreendo-os porque experimentei jogar golfe e também fiquei com dores de costas) para num momento em que nós estamos a pagar os salários e os carros deles decidirem trocar os “carros velhos” por BMW mais apropriados às suas costas.

Dizem que os carros novos custam menos que os velhos. Gostava de ver essas contas, mas, ainda que estejam certas, fazer a coisa certa no momento errado é, para todos os efeitos, um erro.

13/10/2022


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