Mário Almeida

À ESPERA DE UM MILAGRE

Enquanto o PSD vai anunciando, com as dificuldades do costume, o fim da crise e as virtudes da política de austeridade que, de acordo com Passos Coelho, levou o país a superá-la com dor e com muita determinação, o PS vai percorrendo o seu caminho, sem saber muito bem, nem ele nem nós ainda qual é, no entanto, vai aproveitando a boleia do Syriza na Grécia, e lá vai dizendo que a política de austeridade falhou!

Colando-se ao PSOE de Espanha, ou afastando-se do PSOK da Grécia, de quem era irmão até há muito pouco tempo, o Partido Socialista de António Costa ainda não encontrou o seu caminho. Lá se vai colando a uns ou a outros conforme as conveniências. Talvez seja esta indefinição e calculismo que justifica as projeções eleitorais estarem muito abaixo do que seria esperado. Mas até as eleições muita coisa pode mudar!

O Syriza e Alexis Tsipras tornou-se de um momento para o outro como a grande esperança da Esquerda Europeia, mas também pode representar o fim do sonho. Não há dúvidas que para Portugal seria bom que a Grécia tivesse sucesso neste afrontamento às políticas da UE, nomeadamente à Alemanha, concretamente à Srª Merkel, no entanto, não creio que esse sucesso aconteça. Vasco Pulido Valente escrevia há dias num artigo muito interessante sobre este caso, que a Srª Merkel não estava em casa para receber os desengravatados da Grécia!

Paulo Portas e Maria Luis Albuquerque logo após a crise do verão de 2013, partiu Europa fora com o mesmo objetivo de renegociar as condições do nosso empréstimo à Troika. O resultado foi aquilo que se viu: uma mão cheia de nada!

O erro do Syriza não estará tanto na política que apresentou a seu eleitorado e que tenta implementar, com o argumento, válido e sólido, de que foi isso que o povo grego escolheu nas urnas, mas na forma como tenta impor à Europa. À bruta!

A Europa é composta por países que também prestam contas ao seu eleitorado. É comum falarmos na Alemanha, apenas por que dá jeito, mas são todos os países da chamada Europa do Norte que tradicionalmente se opõem a uma política de mais dinheiro para os países do Sul.

Receio que, no caso grego, o radicalismo extremo dê lugar, mais uma vez, ao pragmatismo.

Ninguém fica a ganhar. Não ganham os gregos porque ficam com o problema da dívida por resolver. O Syriza fica com um grave problema de credibilidade para resolver junto do seu eleitorado. A Europa fica também com um grande problema, não vai mais poder contar com a Grécia nas decisões que precisarem de unanimidade.

Ninguém garante também que, vendo rejeitadas as suas propostas, a Grécia não se encoste à Rússia!

Os mercados já responderam às propostas gregas com aumento das taxas de juro e queda do rating da dívida (sempre os mercados!!)

Há dias o meu primo Abílio convenceu-me que a política está muito dependente dos mercados porque os políticos do passado foram irresponsáveis quando governaram recorrendo à dívida -e aos mercados- como se não houvesse amanhã. Comprometeram a nossa soberania e puseram-se nas mãos dos agiotas. Só quando voltarmos a ter dinheiro para comer sem ter de recorrer a empréstimos é que a política regressa ao centro das decisões.

Fiquem bem!Redação Gazeta da Beira

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