Mário Almeida

A água do nosso descontentamento

Ed669_aguaA mesma água que corre debaixo das pontes e que faz mover moinhos também provocou, sobretudo no passado, muitos conflitos. Era frequente ouvir relatos de agressões e até de mortes por via da água. A água era disputada como se fosse a própria vida que estivesse em causa. Havia e há razões para que assim seja. No passado e nos dias de hoje!

As Nações Unidas estabeleceram o dia 22 de Março como Dia Mundial da Água.

Porquê esta referência especial à água? Porque não o Dia Mundial do Petróleo também?

Sim, porque hoje no mundo global onde nos deslocamos para todo o lado de carro, de autocarro, de moto ou até de avião, parece impensável, dado a sua importância, que o petróleo não tenha a dignidade de um dia só para si, reconhecido pelas Nações Unidas.

Sem petróleo podemos ter dificuldades na mobilidade, mas a água é essencial à vida!

Sem ela nem eu nem ninguém conseguimos viver. Tão simples quanto isso.

Deixo esta declaração de interesses antes de passar ao assunto, propriamente dito, que aqui me traz, ou seja, a passagem da gestão de sistemas de água que estavam a ser geridos por algumas Juntas de Freguesias do nosso concelho para o Município de São Pedro do Sul.

Esta decisão não augura nada de bom. A experiência diz-nos que cada vez que se sobe um patamar de poder a decisão prejudica sempre quem está cá em baixo. Os efeitos vão começar a sentir-se desde logo pelo aumento do preço da água nas freguesias onde há alterações, nomeadamente Santa Cruz da Trapa, Carvalhais e Sul.

Na última Assembleia Municipal, quando este assunto chegou à discussão, foi referido que não era justo que houvesse diferenciação no preço da água dentro do mesmo concelho. Que houvesse munícipes a pagar a água mais cara que outros ou, dependendo do ponto de vista, alguns munícipes pagassem a água mais barata que outros.

O argumento até pode ser aceitável se for para haver uma nivelação de preços por baixo, no entanto, o nivelamento é sempre por cima!

Historicamente as freguesias em causa substituíram-se ao Estado e à autarquia, respondendo às necessidades das suas populações, construindo, muitas vezes com verbas próprias, outras vezes com apoio da câmara, certamente nunca com o apoio do governo, uma rede de abastecimento de água que serve os seus fregueses e melhora as condições de vida das pessoas.

O Estado, em nome sabe-se lá de quê, impõe que a responsabilidade da gestão e controlo da água tenha de ser assegurado pela autarquia.

Sendo certo que a culpa não é deste governo, posto que foi o anterior que criou a lei, também não é da autarquia que teve de a fazer cumprir. No entanto, o erro da Câmara na gestão deste processo foi o de não ter acautelado, a tempo e horas, com todas a Juntas de Freguesia a assinatura de um protocolo que fosse aceite por todas a partes.

Assim não foi, ficando de fora a Freguesia de Sul.

O meu primo Abílio que acompanhou este processo de perto dizia há dias o seguinte: -sendo que as 3 freguesias em causa foram eleitas pelo PSD e apenas 2 chegaram a acordo com a câmara, ficando uma de fora e provocando, naturalmente, uma divisão interna no partido, será que houve apenas inexperiência e amadorismo na gestão deste processo, ou muito talento político?

Nota Final: O Dia Mundial do Petróleo existe e comemora-se a 29 de setembro!

Fiquem bem!

Mário AlmeidaRedação Gazeta da Beira

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