Mário Almeida
A saúde da “Geringonça”
A Geringonça fez 6 meses de mandato e mereceu honras de um Conselho de Ministros especial.
A data merecia uma comemoração a altura e António Costa não deixou créditos por mãos alheias!
O objetivo não foi de olhar para os números que já começam a ser preocupantes em tão tenra idade ou, como dizem alguns, para os “sinais”, de que a economia e o país não estão bem.
O objetivo, dizia eu, era o de festejar 6 meses de mandato da “Geringonça”, que toda a gente não julgava ser possível.
A “Geringonça”, como disse o primeiro-ministro, não só existe, como funciona. Para surpresa até do próprio!
António Costa é um exímio negociador, mostrando a capacidade de, sem ganhar eleições, conseguir alcançar o poder e, honra lhe seja feita, mantê-lo!
Ainda não se sabe com que custos. Mas isso é outra conversa que só o tempo histórico poderá dar essa informação. Por enquanto ainda é cedo.
Aparentemente a parte mais fácil já está feita, a de reversão de tudo o que foi feito antes, devolvendo salários e pensões.
Só ainda não se sabe por quanto tempo. Mas isso é outra conversa!
Sempre pensei que esta solução não durasse muito tempo. Porque, parece-me, a natureza dos partidos da coligação são muito diferentes uns dos outros e que, mais dia, menos dia, as diferenças viriam à tona e seria a “morte do artista”.
O Partido Socialista de António Costa, está hoje muito mais próximo do marxismo/trotskismo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, que do PSD.
Muita gente, modestamente também eu, desvalorizou a solidez desta coligação de governo, que tem como cimento o ódio pessoal a Passos Coelho e a ambição desmedida em ser primeiro-ministro de António Costa.
Hoje tendo muito mais a acreditar que a queda da coligação resultará muito mais de fatores externos, que fatores internos. Ou através da economia, com números que podem começar a piorar, ou através de sondagens que mostrem PCP a perder terreno para os seus parceiros da coligação!
Chegada até aqui a “Geringonça”, tudo o que vier daqui para a frente será lucro!
O melhor que podia acontecer a António Costa seria agora uma crise que provocasse eleições.
O Partido Socialista poderia dizer que tinha devolvido rendimento às pessoas (sem dizer por quanto tempo, claro!). Rendimento que tinha sido “roubado” pelo governo anterior!
O Bloco de Esquerda poderia dizer que devolveu dignidade às pessoas, com a aprovação do casamento gay, com a adoção por casais gay, com a lei das barrigas de aluguer.
E o PCP poderia dizer que devolveu força aos sindicatos, tanto no caso das escolas, como no caso dos estivadores.
Ainda assim, muita coisa ficaria por explicar. Como, por exemplo, a trapalhada das 35 horas. Porque apenas alguns trabalhadores da função pública cumprem 35 horas e outros têm de cumprir 40? Já agora, porque a lei não é universal e aplicada a todos os trabalhadores? Porque só à função pública?
Isso fica por explicar. Mas claro que António Costa já terá resposta também para isso!Redação Gazeta da Beira
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