Mário Almeida

Brasil - um país adiado!

É a segunda vez que volto a este tema da situação política brasileira. Como se trata de um país irmão, um país com quem temos muitas relações, quer comerciais, quer sociais e até familiares, vale a pena voltar a refletir sobre o assunto.

A presidente Dilma Rousseff foi apeada do poder. Ou, como quem diz, foi suspensa durante um período de 180 dias para análise, discussão e julgamento sobre o processo de impeachment. Ou melhor, da sua destituição.

Se a acusação ficar provada, o mais certo é que ela, mesmo que queira, não poderá ser candidata às próximas eleições. Porque avançando a cassação do mandato, levará também à suspensão dos seus direitos de admissibilidade eleitoral.

No caso de ganhar o processo de impeachment, regressará ao poder. Aí sim poderá acabar o mandato.

No entanto, as alianças com os partidos no poder (que lhe fizeram a “cama”), não será a mesma!

Muito provavelmente as condições políticas serão manifestamente diferentes. A desconfiança e quebra de lealdade política, se até aqui foi aquilo que se viu, em caso de regresso da “presidenta”, será ainda pior.

Portanto, no Brasil esperam-se tempos muito conturbados os que aí vêm.

A governação do país está condicionada durante os próximos 180 dias, não só pela suspensão da “presidenta”, mas também por um governo fragilizado politicamente. Por um lado, composto por vários ministros a braços com problemas na justiça (o que, convenhamos, não é anormal naquele país!), por outro lado sem a legitimidade eleitoral que tinha a presidente Dilma Rousseff.

A somar a isto, o governo tem uma aliança com 11 partidos! O que torna quase impraticável o exercício da governação.

Portanto, o Brasil (e um pouco por cá também, com esta aliança de governo!), vai ver adiado todas as reformas de que o país precisa para preparar o seu futuro. E vai precisar de o preparar porque a crise está a rebentar, a inflação vai disparar e os problemas sociais vão aumentar.

É tudo mau!

Esta crise política foi fabricada e teve o único objetivo de destituir Dilma e afastar Lula de uma recandidatura. A presidente, do meu ponto de vista, tem a mesma legitimidade que tiveram outros presidentes antes dela, que também praticaram os mesmos atos, mas que não foram alvo de processos de afastamento.

Mas ela não pode se queixar senão dela própria.

Michel Temer, que substitui Dilma Rousseff na Presidência da República está a contas com a justiça. Investigado no processo “Lava-jato” está impedido de concorrer a eleições porque corre nos tribunais um processo de cassação de mandato.

Mas também não há nenhuma autoridade moral, da parte daqueles que acusam o sistema político de ter retirado o poder e substituído alguém que tem a “ficha limpa”, por Michel Temer que tem a “ficha suja”, acusando-os de golpe.

Em primeiro lugar foi a própria Dilma que chamou Lula para o governo e com esse propósito impedir a justiça de investigar o antigo presidente. Isso sim, é golpe! Depois foi também ela que abriu a porta a Michel Temer para chegar à presidência, convidando-o para Vice-presidente.

Não há inocentes nesta matéria, são todos culpados.

Mas quem paga, lá como cá, é o povo!

Fiquem bem!Redação Gazeta da Beira

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