Mário Almeida

Qual é a pressa?

O que será que leva toda a esquerda, quase em uníssono, a pedir ao Presidente da República que nomeie rapidamente António Costa?

Ainda ele ia no corredor à caminho da sala escura, escondido dos jornalistas, para assinar um acordo, que já existiria um mês antes mas só no dia da Moção de Censura ao governo foi assinado, já as “esganiçadas” do Bloco exigiam a Cavaco Silva a Nomeação de António Costa.

O motivo de tanta pressa nessa nomeação, nada tem que ver com a solidez do acordo e muito menos com os mercados (só faltava mais essa, a esquerda pedir rapidez ao presidente da república para acalmar os mercados!), tem tudo a ver com aquilo que move a esquerda e que levou a uma assinatura envergonhada de um acordo, dentro de uma sala escura, com fotógrafo oficial, fazendo lembrar em tudo os velhos hábitos comunistas.

Ou seja, o que move a esquerda nesta espécie de acordo escrito numa folha de couve é que venha a seguir um burro que a coma. E todos estão à espera que o burro seja Cavaco Silva.

O tal acordo que já existiria no momento da nomeação de Passos Coelho e que só foi assinado um mês depois só tem um fim. Impedir que Passos Coelho seja governo. Tudo o resto é detalhe!

Todas as declarações de vários dirigentes, quer do BE quer do PCP revelam a solidez (ou falta dela!) do referido acordo.

A rapidez com que toda a esquerda tem pedido a nomeação de António costa é no mínimo suspeita e revela que o tal acordo tem tanto de sólido como um cubo de gelo em chapa quente. Pode desfazer-se a qualquer momento!

São frequentes as declarações a desmentirem os dirigentes do PS, quanto à solidez desta “geringonça”, como bem apelidou Paulo Portas.

Francisco Louçã, em entrevista à RTP, disse que Mário Centeno não leu o acordo, quando este referiu que a reversibilidade das privatizações dos transportes públicos deverá ser pensada tendo em conta os custos de tal decisão. Ora bem, para Francisco Louçã a reversibilidade das privatizações está consagrada no acordo. E que é para cumprir!

Então, em que ficamos?

Quanto a jerónimo de Sousa, também em várias entrevistas que deu, não clarificou na certeza de um voto favorável ao orçamento de 2016.

Portanto, são muitas as incógnitas e poucas as garantias de que o próximo orçamento de estado para 2016 seja aprovado na assembleia da república por esta minoria de esquerda.

Assim, a ser nomeado António Costa, teríamos um governo que resultaria do capricho de alguém que perdeu as eleições mas quer ser primeiro-ministro à força.

Cavaco silva que já anda nisto há muitos anos, e que de parvo não tem nada, pode ter percebido e não querer satisfazer tal capricho.

As contas de Cavaco pode ser entre ter um governo de gestão de Passos, ou um governo de Costa que não consiga fazer aprovar o orçamento para 2016, ficando assim em gestão também. Nesse caso pode optar pela primeira solução.

No momento em que escrevo estas linhas não faço a mínima ideia de qual será a decisão do Presidente da República, mas quase que aposto que irá manter em gestão o atual governo. Pelo menos dessa forma garante o respeito pelo voto popular que escolheu um primeiro-ministro e não uma minoria que quer chegar à força ao pote do poder.

Do mal, o menos!

Afinal qual é a pressa?Redação Gazeta da Beira

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