Maria do Carmo Bica

O ano de 2014 dedicado à Agricultura Familiar

Carmo-opiniao_DSCN6260O Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014 é uma iniciativa promovida pelo Forum Rural Mundial e apoiada por mais de 360 organizações camponesas de 60 países de todos os continentes. A sua celebração a nível mundial, declarada pela Assembleia Geral da ONU, pretende convertê-lo numa ferramenta para a promoção de políticas activas, a favor do desenvolvimento sustentável e dos sistemas agrários baseados nas explorações agrícolas familiares territoriais.

Esta iniciativa é também encarada numa perspectiva de luta eficaz contra a pobreza e a fome, assim como a promoção de um mundo rural, baseado no respeito pelo meio ambiente e pela biodiversidade.

O Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014 foi oficialmente inaugurado em 22 de Novembro, em cerimónia pública na sede principal das Nações Unidas em Nova Yorque. Esta cerimónia foi presidida pelo Director Geral da FAO, Graziano da Silva, com a participação de representantes da Assembleia Geral e do Secretariado Geral da ONU e uma delegação do Forum Rural Mundial.

A região de Lafões, onde mais de 90 % das explorações agrícolas têm menos de 5 ha, e se enquadram no conceito de agricultura familiar territorial, deve aderir às celebrações do AIAF 2014. Será uma oportunidade para, no início da aplicação da nova PAC – Política Agrícola Comum para 2014/2020, já aprovada em Bruxelas e em fase de preparação dos instrumentos necessários à sua aplicação em Portugal, exigir do governo Português medidas concretas que reconheçam a importância destas explorações no combate à pobreza e à fome, mas também na manutenção dos campos povoados, das paisagens tradicionais rurais e da biodiversidade. Há que aproveitar 2014, para dar o máximo de visibilidade à agricultura familiar territorial e exigir os necessários apoios à sua manutenção e desenvolvimento.

Na última década, de acordo com os dados do RGA 2009, em Lafões verificou-se uma redução generalizada de todas as culturas agrícolas tradicionais, bem como a redução do número de agricultores com menos de 44 anos e do número de explorações e área cultivada. A excepção vai para as ovelhas, que aumentam em número. Contudo, estou levada a crer que se trata de ovelhas “sapadoras”, para pastorear os campos abandonados.

A par deste abandono, começaram a emergir, ao abrigo do apoio do PRODER, novas actividades e novos agricultores. Ainda não há dados suficientes, mas tudo aponta para um novo modelo de rural que está a emergir e urge também apoiar.

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