Maria do Carmo Bica
Fazer nascer no cimo da montanha a bela flor da resistência

Participei recentemente (23 a 25 de novembro) nas IV Jornadas Internacionais Ecossocialistas. Gente de todo o mundo reuniu-se em Lisboa para “dar forma à transformação ecossocialista”, que é o mesmo que dizer como sair da atual encruzilhada em que vivemos. Qual o melhor caminho para sair da crise global que ameaça a vida no planeta, tal como a conhecemos. A crise de que falo é resultado da exploração abusiva de recursos naturais associada a modelos produtivos que provocam níveis de poluição cujo efeito já estamos a sentir no clima.
Nas 20 sessões que tiveram sala cheia participaram 60 oradores de 5 continentes e 18 nacionalidades.
No início de um debate sobre agroecologia e soberania alimentar a moderadora distribuiu a cada participante uma semente. Uma semente de feijão e disse: semeiem esta semente e que dela floresça o que mais desejarem.
Ainda não semeei a semente que me coube, que é de feijão e ainda não é tempo da sua sementeira. Vou aguardar o tempo certo. Saber esperar também é lutar. Mas já sei o sonho que quero ver florescer nesta semente. O mesmo de sempre, nunca desisti dele. Quero que floresça o dia em que todas as pessoas que se envolvem na luta política, o fazem por convicção, por acreditarem que este é o caminho para a construção de uma sociedade justa, onde todos possam viver com a mesma dignidade, onde todos tenham um cantinho para fazer nascer as sementes dos seus sonhos.
Senti nestes Encontros um clima bom, de fraternidade, de solidariedade, de verdadeira luta por um mundo melhor. O que contrasta com outros ambientes.
Desta semente eu quero que floresça o dia em que a esquerda abandonou completamente os métodos estalinistas das purgas e das perseguições, que só gente humanista e verdadeiramente democrata pode construir um mundo melhor.
Não adianta cantar o Bella Ciao, um dos mais belos hinos de luta e de resistência se não sabemos respeitar a liberdade, a pluralidade o direito à diferença. Que deixem de cantar a liberdade, que assumam as suas ideias centralistas e totalitárias, que não nos tentem enganar.
Não é digno de cantar o Bella Ciao quem não respeita a liberdade, por favor… , não estraguem esta bela canção associando-a à vossa ânsia de poder absoluto e totalitário. A minha participação política será sempre em liberdade e em respeito pela diversidade e pluralidade. Estarei sempre ao lado dos que lutam contra qualquer tipo de opressão.
“E essa será a flor da Resistência
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade”
Estamos em tempo de resistência, estamos em tempo de fazer nascer no cimo da montanha a bela flor da resistência.
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