Manuel Silva

RUI RIO, A TINA E A ASSUNÇÃO

Recentemente, Rui Rio, em entrevista concedida ao jornalista Daniel Oliveira, disse que o PSD é um partido social-democrata e não liberal, situado ao centro político e que procura votos no centro, centro-esquerda e na abstenção.

 

Mais disse que Pedro Passos Coelho se situa à sua direita e, durante a liderança daquele, em termos ideológicos, o PSD esteve bastante à direita.

Esta é a linha correcta a seguir pelo Partido Social-Democrata, até porque a linha direitista montenegrina continua a conspirar na sombra. Ouvem-se vozes dentro do PSD a defenderem o regresso de Passos Coelho, do qual Montenegro teria sido uma lebre. Por acaso não aprenderam nada com a derrota esmagadora nas autárquicas de 2017, nas quais o partido ficou ao nível do PCP nos grandes centros e, em Lisboa, obteve metade dos votos do CDS? A culpa foi de Passos Coelho pela sua política empobrecedora, sem sensibilidade social, na governação e desastrada na oposição.

No entanto, Rui Rio, na mesma entrevista, disse que não faria uma política financeira diferente da de Passos Coelho, naquelas circunstâncias, porque não havia alternativa (a célebre TINA (there is no alternative, não há alternativa) pronunciada por Margareth Thatcher de má memória. Ou seja, depois de se colocar numa posição de repúdio do liberalismo económico, em defesa da social-democracia, também afirmou que não havia alternativa àquela política, a qual, aliás, tem sido seguida pelos partidos da Internacional Socialista que, à excepção do PS de António Costa, estão a desaparecer. Aliás, a alternativa existe mesmo nos populistas dos coletes amarelos que derrotaram, no final do ano passado, aquele que sonhava vir a ser o Sr. Europa, como foi o democrata-cristão alemão Helmut Kholl, Macron, faltando-lhe, no entanto, a capacidade de visionário e de líder daquele estadista; e na extrema-direita, que terá, como se prevê, uma forte presença no Parlamento Europeu a eleger no próximo dia 26 de Maio. Dizer que não há alternativa é querer impôr um pensamento e uma acção únicos, o que é contrário à democracia, que assenta na diversidade e não no unanimismo. Para União, chegou a União Nacional, partido único do regime salazarista. Curiosamente, são as forças anti-democráticas e reaccionárias que estão a constituir uma alternativa à política dos burocratas de Bruxelas que ninguém elegeu, a qual encontra eco no PPE (Partido Popular Europeu), de que fazem parte o PSD e o CDS. Qualquer cidadão, ao ouvir ou ler aquela parte da entrevista dirá “o PSD, com Rui Rio, virou à esquerda, mas se houver uma nova crise e ele fôr primeiro-ministro, quem a pagará serão os mesmos de sempre, teremos de volta a perda de rendimentos e o empobrecimento”. Isto, num país onde há tanta pobreza e miséria! Assunção Cristas, no seu estilo parecido ao de Cristina Ferreira, para a qual confeccionou um prato de arroz de atum – António Costa também confeccionou uma cataplana. A que ponto chegou a política neste país! –  apresentou uma moção de censura ao governo, que sabia condenada ao fracasso, com o fim de “entalar” o PSD. Este partido deveria abster-se, com uma declaração de voto repudiando a política da “geringonça”, mas também o oportunismo estéril do CDS.

O PSD, ao votar daquela forma, pouco intervindo, aliás, no debate parlamentar, reconheceu, na prática, a liderança da oposição pelo CDS.

Não é por acaso que apesar de o PS descer nas sondagens, estando longe da maioria absoluta, o PSD não passa dos 25%. Além de falar nas falhas e erros do governo, deverá já apresentar ideias alternativas gerais e sectoriais.

 

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