Manuel Silva

Ala Direita do PSD quer um Bolsonarismo soft?

Miguel Relvas, que saiu do governo  Passos-Portas, onde era uma figura preponderante, pela porta dos fundos, após se comprovar ser a sua “licenciatura” falsa, concedeu uma entrevista ao jornal “Expresso”, na sua edição do passado dia 10 de Novembro.

Ali contesta Rui Rio e a actual direcção do PSD, diz que este partido deve fazer “uma aliança de centro-direita” com o CDS e a Aliança de Santana Lopes nas próximas eleições legislativas. Mais afirma que, em último caso, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas deverão voltar a liderar o PSD e o CDS.

Passos e Portas regressarem para quê? Para afundar  de vez os partidos a que pertencem? Quem foi responsável pela enorme derrota sofrida pelos sociais-democratas nas eleições autárquicas de 2017, quando nos grandes centros, onde se ganham e perdem também eleições legislativas após o abandono do interior, ficaram ao nível do PCP? Já para não falar do desastre da capital, em que o PSD teve metade dos votos do CDS. Foi Passos Coelho e a anterior direcção do PSD.

Aqueles resultados devem-se à vontade dos portugueses verem pelas costas Passos Coelho, o próprio CDS e os seus sequazes, entre os quais Miguel Relvas, figura mais que queimada politicamente.

Se como Relvas diz, o PSD alinhasse numa frente de direita nas próximas legislativas, o PS ocuparia o centro e, com muita probabilidade, obteria a maioria absoluta. Relvas sabe-o muito bem, como os passistas, em maioria no grupo parlamentar. Esta gente pretende o afastamento de Rio, não se importando que o PSD perca, pois com um dos seus na liderança estariam garantidos os seus lugares de deputados, assessores do grupo parlamentar, etc, o que não deverá acontecer – e bem – caso Rui Rio chegue às eleições de 2019 na presidência do partido.

Há quem entenda que Miguel Relvas e toda a ala direita do PSD pretendem destruir o partido e criar um outro da chamada “alt right”, aparentado de Trump, da direita populista, nacionalista e reaccionária que tem ganho força na Europa, e até de um bolsonarismo soft, isto porque não estamos na América Latina…

Quem assim pensa tem muita razão para o fazer. Na mesma entrevista Miguel Relvas afirma que Bolsonaro não tem lepra     e que as primeiras medidas por si anunciadas são positivas.

Bolsonaro pode não ter lepra, mas, em plena campanha eleitoral, defendeu princípios racistas, a inferioridade das mulheres face aos homens, a perseguição aos homossexuais, que os mais pobres deveriam ser esterilizados para diminuir a pobreza, que a polícia pode atirar a matar impunemente, mais defendeu  a tortura e que a ditadura militar brasileira anterior devia matar. Toda a sua vida foi caracterizada pelo ódio. Como podem ter crédito as medidas anunciadas de que Relvas tanto gosta?

Para além de Relvas, há outros bolsonarinhos no PSD e no CDS. Luis Nobre Guedes, um histórico deste último partido, disse que se fosse brasileiro votaria em Bolsonaro. Assunção Cristas disse que não votava em nenhum dos candidatos presidenciais brasileiros.

Nestas alturas, entre um candidato fascista que pode mergulhar o Brasil num banho de sangue ou um candidato de esquerda, cujo partido praticou a corrupção, sem dúvida, mas preservou a democracia, um(a) democrata de direita, centro ou esquerda não hesita. Vota contra a barbárie e o regresso da ditadura. Não há terceiras vias quando está em causa a liberdade, a democracia, os direitos humanos e a independência  do poder judicial.

Como se vê, há personalidades na direita portuguesa que pretendem destruir ou adaptar os seus partidos, a fim de a criarem uma “alt right” e um bolsonarismo soft. Estas personalidades começam a tornar-se perigosas.

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