Manuel Silva

Este Antana é mesmo um FLOP

Recentemente, Pedro Santana  Lopes foi candidato derrotado a presidente do PSD, tendo obtido à volta de 40% dos votos dos militantes. Após o congresso de Fevereiro aliou-se ao vencedor, Rui Rio, tendo os dois, conjuntamente, elaborado uma lista para o Conselho Nacional.

Passado pouco tempo Santana Lopes diz-se aborrecido com o PSD, não pretender colaborar mais com o mesmo e admitir a criação de um novo partido.

Estes estados de alma santanistas são já velhos e conhecidos, bem como demonstrativos da sua instabilidade pessoal e egolatria galopante. Quando fala das suas posições, está demasiado presente o “eu”, não o partido ou o país. A estabilidade que garantiria na governação seria a mesma de quando foi primeiro-ministro na segunda metade de 2004 e princípios de 2005, que permitiu a obtenção da única maioria absoluta do PS, sob a liderança de José Sócrates, em eleições realizadas no início daquele último ano, com os resultados que se viram e continuam a ver tantos anos depois…

Não é a primeira vez que Santana Lopes assume posições do género. Há muitos anos, disse que sairia do PSD para formar o Partido Social Liberal (PSL), cuja sigla coincidiria com as iniciais do seu nome. Como diria o meu saudoso amigo José Borges, “pensa que o mundo gira à volta do seu umbigo”. No entanto, não chegou a constituir qualquer partido e lá continuou no PSD.

Nos primeiros tempos do governo de Passos Coelho, mais uma vez pensou abandonar o seu partido e criar outro. Devia encontrar-se demasiado desesperado no cumprimento daquela tarefa, pois convidou para seu companheiro na futura organização o seu maior crítico de sempre no PSD, José Pacheco Pereira. Mais uma vez os seus intentos saíram frustrados e, como se nada se tivesse passado, foi um dos maiores apoiantes de Passos até ao fim político deste, sendo, no último congresso, o candidato da continuidade do mesmo.

Santana Lopes disse também que o “PPD está zangado com o PSD”. Há aqui um equívoco. Quando Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota fundaram o partido em 1974, poucos dias depois da Revolução do 25 de Abril, à qual juraram fidelidade, pretenderam “baptizá-lo” como Partido Social-Democrata. Só não o fizeram porque já existia outra formação política com o mesmo nome, que morreu nas cascas. Em consequência, o nome do partido foi Partido Popular Democrático (PPD), criado pelo grande escritor, já falecido, Ruben Andersen, que embora simpatizante, nunca seria seu membro.

Desaparecido o outro Partido Social-Democrata, este nome foi adoptado pelo então PPD, liderado por Sá Carneiro, em 1976. A partir daí foi aquela a designação do partido e a sua sigla passou a ser PSD. Não sei se nesta altura Santana Lopes já era seu militante, pois, no pós 25 de Abril, destacou-se, na faculdade de Direito de Lisboa, no Movimento Independente de Direita (MID), uma organização de contornos fascizantes.

Todos os partidos dissidentes dos partidos tradicionais da nossa democracia fracassaram , como foram  os casos do MSD (Movimento Social-Democrata) ou ASDI (Aliança Social-Democrata), saídos do PSD; a UEDS (União de Esquerda para a Democracia Socialista), a FSP (Frente Socialista Popular) e o POUS (Partido Operário de Unidade Socialista), saídos do PS; o PND (Partido da Nova Democracia), dissidente do CDS, ou a Política XXI, dissidente do PCP. Até o PRD, criado a partir de Belém pelo general Eanes, ou o Partido dos Reformados (PSN – Partido da Solidariedade Nacional), após algum sucesso inicial, desapareceram.

Se pensa criar uma cisão no partido, engana-se. O MSD e a ASDI tinham figuras muitos importantes no PSD até à sua formação e falharam. Muitos verdadeiros sociais-democratas não abandonaram o seu partido quando o mesmo deixou de defender aquela ideologia e endossou o neo-liberalismo muito mal estudado de Passos Coelho e Miguel Relvas. Foi o caso de um dos maiores opositores ao anterior governo, Pacheco Pereira.

Se Santana Lopes criar outro partido terá a mesma sorte das dissidências dos vários partidos acima indicados. Se procura, rebuscando as suas reminiscências da juventude, fundar um partido populista parecido a outros partidos da nova direita populista e nacionalista europeia, está enganado. Nos bons e nos maus momentos, o povo português sempre optou por soluções moderadas.

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