Manuel Silva

A submissão da política ao mediatismo

Na revista “Sábado” do dia 3/5/2018, vem uma reportagem sobre as 50 mulheres mais poderosas de Portugal e as áreas em que se afirmaram.

Há 50 anos, no Maio de 68 francês, revolução a que me referirei pormenorizadamente no próximo número, um dos temas da luta dos “enragés” era a libertação e a emancipação da mulher. Se os “maiistas” perderam politicamente, neste e outros aspectos ganharam, daí, apesar de ainda haver muitas barreiras a vencer pela luta das mulheres, estarem integradas no mercado de trabalho e serem muito mais independentes.

O tema da reportagem foi capa da revista, onde se encontram inseridas as fotografias das duas líderes partidárias, Assunção Cristas (CDS) e Catarina Martins (BE), bem como a apresentadora  televisiva Cristina Ferreira, sendo esta colocada em destaque e as restantes atrás da mesma.

A disposição daquelas três senhoras na fotografia não é inocente. Mostra a submissão da política ao mediatismo.

A comunicação social, já para não falar nas famigeradas redes sociais que a condicionam, procura marcar a agenda política e, de um modo geral, os políticos vão a reboque, levando a que muitas vezes se discutam banalidades e futilidades – a chamada espuma dos dias – e não os problemas concretos com que nos confrontamos.  A imprensa, a rádio e as televisões adoram  a “novidade” rapidamente esquecida quando outra “novidade” aparece. Mais uma vez os partidos e seus dirigentes vão atrás.

Os comentadores políticos, então, usam e abusam da “novidade”. Foi assim com o actual Presidente da República, o que deu um enorme contributo para estar hoje em Belém. O “partido” que o lá colocou foi a comunicação social. Era um dos seus. O seu antigo aliado, Marques Mendes, criticou severamente Rui Rio e o PSD por demorarem uma semana a pedir esclarecimentos a Manuel Pinho na A.R. sobre a alegada continuação do pagamento do vencimento pela sua antiga entidade patronal, o BES, quando fazia parte do governo de José Sócrates.

Uma semana foi o prazo esperado para a reacção do ministro da Economia de Sócrates. Como nada disse, o PSD requereu a sua audição no parlamento, obrigando todos os outros partidos a defenderem a mesma posição, o que levou alguns dirigentes e deputados socialistas a criticar, tarde e a más horas, José Sócrates, o qual abandonou o PS. Recordamos: quem provocou esta situação foi Rui Rio e o grupo parlamentar do PSD. Estou para ver o que tem para dizer sobre o assunto o ex-líder do PSD derrotado pelo populismo estéril de Luis Filipe Menezes e seus “compagnons de route”.

O PSD voltou a ter um líder e uma direcção que não se preocupam com o mediatismo, mas em debater os problemas concretos das populações. Têm apontado as fragilidades governamentais e da “geringonça” na saúde, na educação, no combate aos incêndios, na economia e nas finanças, demonstrando que se houver uma crise ou um aumento das taxas de juro, as mesmas não têm sustentabilidade.

Mas lá diz Marques Mendes e quejandos: o PSD deve apresentar uma alternativa. Andarão assim tão distraídos? A alternativa está definida em termos gerais. Na economia e finanças, os sociais-democratas abandonaram o liberalismo económico de Passos Coelho e defendem posições Keynesianas. Rui Rio tem defendido a baixa dos impostos e o corte nas despesas, gastando menos e melhor, para atrair investimentos, fazer crescer a economia, com melhor distribuição de riqueza, levando, por outro lado, à diminuição do défice e da dívida. Tal como o melhor economista do século passado (Keynes) entende deverem ser criadas folgas orçamentais em períodos de crescimento para, quando surgir uma crise, usar as mesmas, a fim de evitar medidas impopulares.

O programa completo virá a seu tempo. As próximas eleições legislativas são daqui a mais de um ano.

Rui Rio é um líder em contra-ciclo com a informação. Se apresentar um programa que leve os cidadãos a acreditar ser melhor para o nosso futuro que o da chamada esquerda unida, vencerá as eleições, provando ser possível alcançar tal meta sem a comunicação social, com a oposição da comunicação social  ou mesmo contra a comunicação social e seus comentadores “hás been” da política.

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