Manuel Silva

Militantes do PSD querem uma só via, social-democracia

Rui Rio foi eleito presidente do Partido Social-Democrata (PSD). Apesar de a campanha eleitoral que culminou na sua eleição ter sido entediante, pouco se falando na sua estratégia e na estratégia de Santana Lopes para o partido e para o país, no que os distingue do PS, mas também dos conservadores do CDS, percebeu-se quem quer um PSD social-democrata, reformista, de centro, incluindo o centro-direita e o centro-esquerda, e quem pretende a evolução na continuidade, parafraseando o último ditador do Estado Novo, Marcelo Caetano.

Após vários militantes conotados com a política do “ajustamento” no poder e a vinda do Diabo, que nunca mais aparecia, na oposição, recusarem candidatar-se, sabendo a derrota que os esperava, apesar de controlarem o aparelho partidário, pois ajudaram a conduzir o PSD à irrelevância autárquica nos grandes centros, chegando a obter 9 ou 10% de votos em Lisboa, no Porto e nos concelhos limítrofes destas cidades, há menos de 4 meses, surge a candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança, apoiado pelo passismo.

Não será justo considerar Santana propriamente um “passista”, pois houve momentos em que criticou alguns aspectos da política do governo Passos Coelho – Portas. Até quis sair do PSD  e  criar um novo partido, convidando para a formação do mesmo, entre outros, o seu acérrimo crítico e caução intelectual do cavaquismo, Pacheco Pereira.

Embora mencionasse muito a herança de Sá Carneiro, Santana Lopes evitava falar de social-democracia. Parecia queimar-lhe os lábios aquela expressão. Era o que estava a jeito para os seguidores de Passos Coelho tentarem impedir a vitória de Rui Rio, mesmo sabendo que este tinha mais apoio no país, o que pouco lhes importava, pois preferiam um partido enfraquecido, a caminho da irrelevância, desde que mantivessem os seus lugares.

Pedro Santana Lopes usou durante a campanha um palavreado muito floreado, mas também muito superficial, como é habitual há décadas. Caso fosse eleito líder, provavelmente “ajudaria” o PS a obter a maioria absoluta e a descartar o PCP e Bloco de Esquerda. Ou alguém duvida que se os socialistas ganharem as próximas legislativas com a maioria, acaba a “geringonça”?

Todas estas questões foram ponderadas pela maioria dos votantes sociais-democratas, os quais perceberam que com Rui Rio e as pessoas que pelo mesmo deram a cara, o PSD abandonará o conservadorismo social e o neo-liberalismo de pacotilha, mal estudado, dos últimos 8 anos, voltando a ser social-democrata, a conjugar a liberdade com a igualdade de oportunidades e de todos perante a lei, combatendo os privilégios, promovendo a ascenção social dos “de baixo” e praticando a justiça social.

Rio foi apelidado de contabilista, pela ênfase que coloca na necessidade de baixar a dívida e o défice orçamental. Tal é fundamental para a credibilidade internacional de Portugal e para atrair investimento gerador de riqueza, emprego e melhores salários. Por outro lado, como até o Senhor de La Palisse diria, um crescimento acentuado, só por si, faz o endividamento baixar relativamente ao PIB.

Nos dias 16, 17 e 18 de Fevereiro, decorrerá o congresso do PSD. Rui Rio deverá rodear-se de uma equipa politicamente forte, que leve as ideias atrás mencionadas à prática, tendo como objectivo a vitória nas eleições para o Parlamento Europeu e legislativas no próximo ano. Até lá deverá ser feita uma oposição credível, que explore os pontos fracos deste aparente sucesso económico-financeiro, como são as cativações e atrasos de pagamentos, os quais estão na origem da degradação de serviços públicos e a colocar em causa a situação financeira de várias empresas. Por outro lado, será positivo conseguir com os outros partidos acordos de regime em sectores como a saúde, o ensino ou a segurança social, como, aliás, tem sido sugerido pelo Presidente da República.

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