Manuel Silva

Se Cristo voltasse à terra seria bem recebido?

Estamos na quadra natalícia, comemorativa do nascimento de Jesus e não de qualquer vinda de um Pai Natal, que é uma ficção.

  1. Nicolau, bispo provavelmente nascido na actual Turquia e canonizado após a sua morte, no século IV ajudava os pobres e distribuía presentes pelas crianças. Por isso, naquele tempo, chamavam-lhe Pai Natal. Vestia de vermelho como os “pais natais” actuais. Embora o Natal faça parte da cultura ocidental, a data em que se comemora tem um carácter essencialmente religioso. Deus faz-se Homem, vem pregar a Boa Nova e morrer para salvar a humanidade do pecado e da morte.

Há vários anos, numa missa comemorativa desta data, o então pároco de S. Pedro do Sul, Sr. Padre Carlos Cunha, na respectiva homilia, após afirmar ter sido Cristo mal recebido, nascendo numa manjedoura, pois todas as portas se lhe fecharam quando Sua Mãe se preparava para O dar à luz, interrogou os presentes sobre o que aconteceria naquela altura se Cristo voltasse e respondeu: “provavelmente aconteceria o mesmo”.

Em 2017, com o materialismo e o egoísmo dominantes nas sociedades ditas modernas, Cristo e a Sua mensagem seriam repudiados. Não faltaria quem  novamente o quisesse crucificar.

Os marxistas, defensores da luta e do ódio entre classes como motor da História e da necessidade da “violência revolucionária como parteira da História”, assim dizia Engels, não gostariam de ouvir Cristo pregar a paz e o amor entre os homens. Mais uma vez diriam ser a religião o ópio do povo.

Os neo-liberais entrariam em fúria ao ouvir dizer “ser mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”. Além dos liberais, políticos de esquerda e de direita, empresários e gente das artes e do espectáculo, implicados nos escândalos do “Panamá papers”, “Luxlicks” e outros idênticos, repudiariam  também Jesus, que dizia “ganharás o teu pão com o suor do teu rosto”.

Os que se aproveitam de instituições de solidariedade social, religiosas ou laicas, para enriquecer, odiariam o Homem que correu os vendilhões do templo.

Na sua missão de trazer para a Igreja pessoas marginalizadas, Cristo abordaria prostitutas, toxicodependentes ou ladrões. Alguns católicos veriam com bons olhos essa atitude?

Os fundamentalistas islâmicos da Al Qaeda e do DAESH fariam tudo o que pudessem para assassinar Cristo e caluniá-lo-iam como a hierarquia religiosa judaica fez há dois milénios, tendo-O, por fim, entregado aos lacaios locais do Império Romano para a morte, que venceu, ressuscitando.

Os belicistas Trump e Kim Jong-un odiariam ouvir “amai-vos como irmãos”. Cristo era judeu, morreu em Jerusalém, mas nasceu em Belém, no actual território palestiniano. Certamente reprovaria o reconhecimento de Jerusalém como capital do estado judaico pelo idiota que preside aos EUA. Mais um motivo para Natanyahu e seus acólitos dizerem que o verdadeiro Messias ainda está para chegar…

Por estes motivos, muita gente não receberia bem o enviado de Deus.

Há muitos anos, numa missa comemorativa do nosso feriado municipal, dia  de S. Pedro, na qual foi ministrado o Crisma, o então bispo da diocese de Viseu, actual bispo de Leiria – Fátima, D. António Marto, disse que os cristãos, que estão em maioria na sociedade, ao ouvirem os ateus, especialmente intelectuais, afirmarem a sua não crença, não têm coragem para afirmar “eu sou crente”.

Nesta época, os cristãos devem afirmar a sua crença, que passa, além da troca de presentes, pela reflexão sobre o mistério do Natal e a sua mensagem de paz, amor, fraternidade, justiça e humanismo, para alcançar o reino do Céu.

À direcção, a todos os colaboradores, anunciantes, leitores e assinantes de “Gazeta da Beira” apresentamos votos de um Santo Natal e um bom Ano Novo.

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