Manuel Silva

Um país sem juventude é um país sem futuro

Na última festa do Corpo de Deus realizada em S. Pedro do Sul, na respectiva missa fizeram a sua primeira comunhão apenas sete crianças de ambos os sexos.

É certo haver vários pais que não são católicos e não matriculam os seus filhos na catequese, mas a maioria dos progenitores dos estudantes do ensino básico são-no e procedem àquela matrícula, pelo que, certamente, a maioria dos alunos(as) do ano frequentado por aquelas crianças ali estava representada.

Via-se a felicidade espelhada nos rostos daqueles meninos e meninas, bem como dos seus pais e mães. Como católico, gostei do que vi e rezei a Deus para que aquelas crianças não se afastem da religião, da prática do Bem e da Justiça pregada por Cristo.

Lembrei-me que, há 50 anos, realizava eu a minha primeira comunhão, ministrada pelo Sr. Cónego Isidro dos Santos Faria, então pároco da freguesia de S. Pedro do Sul, mais tarde meu professor, infelizmente já desaparecido. Recordei-me – aqui, com tristeza – que os que me foram mais queridos nesta vida estavam comigo, o que já não acontece presentemente.

Recordei-me também que, há meio século, comungámos cerca de 50 meninos e meninas. No final da festa litúrgica pensei muito seriamente nesta diferença de números que espelha o que se passa em todo o país, com a diminuição cada vez maior de jovens e crianças e o aumento, felizmente, do número de idosos, em consequência da evolução da medicina e do acesso à mesma.

Num artigo recentemente publicado no jornal “Expresso”, o seu director-adjunto, Nicolau Santos, afirmava existirem actualmente 2 700 000, ou seja, quase três milhões de reformados, sendo a população activa constituída por cerca de 5 000 000 de pessoas. Por este andamento, não tarda que haja um cidadão a trabalhar e descontar para pagar a reforma de outro.

Por outro lado, com o abandono do interior pelo poder central, destacando-se a retirada de serviços públicos do mesmo, os poucos jovens aqui existentes emigram ou procuram emprego nos grandes centros do país. As cidades, vilas e aldeias do interior já hoje são habitadas por uma população maioritariamente constituída por gente de meia idade e idosos. Daqui a 20 anos, muitas destas localidades desaparecerão, o que, aliás, já se verifica em alguns pontos do nosso concelho.

Já não é a juventude a camada populacional fundamental para qualquer partido ganhar eleições nacionais ou locais, mas os velhos.

Um país sem jovens é um país sem futuro.

Se doravante não nascerem mais crianças, o sistema de segurança social, como as demais componentes do Estado Social, não serão sustentáveis.

Há que fazer reformas estruturais que permitam a existência de mais crianças e jovens no futuro, bem como fixar os do interior onde nasceram. Há alguns meses fiquei apreensivo quando a nº 2 do PS, Ana Catarina Mendes, disse, em entrevista ao “Expresso”, temer a realização de reformas. Pudera, o governo do PS, com apoio maioritário no parlamento, nem a reforma do Estado, tantas vezes prometida e adiada por todos os partidos, foi capaz de realizar! Por outro lado, a oposição, desacreditada pelo seu passado recente e pelo seu presente, não constitui uma alternativa válida e credível. Como diria alguém, “assim não vamos lá”.

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