Manuel Silva

Os factos alternativos de Passos Coelho

Poucas semanas após o incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande e se prolongou por alguns concelhos vizinhos, matando 64 pessoas e destruindo muitos bens materiais, incluindo várias casas, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou ter levado aquela tragédia ao suicídio de algumas pessoas, o que era falso.

Para “dar a volta” àquele “facto alternativo”, como diria Donald Trump, o candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal de Pedrógão Grande afirmou ter dado erradamente tal informação ao líder do seu partido. É o habitual. Aparecem sempre, nestas situações, a assumir culpas os “de baixo” dos aparelhos partidários!

Pedro Passos Coelho veio pedir desculpa pelo que disse, tendo afirmado não estar devidamente informado. Pior a emenda que o soneto. O líder do maior partido da oposição, que já foi primeiro-ministro, fala do que desconhece e sem estar devidamente informado, não pensando na gravidade das palavras saídas da sua boca. O PSD está mesmo entregue a uma liderança e direcção medíocres.

Já não é a primeira vez que Passos Coelho cria “factos alternativos”. O leitor ainda não deve ter esquecido que aquando da campanha eleitoral para as eleições legislativas realizadas em 2011 disse não cortar salários, nem pensões, não mexer no 13º mês e, no poder, foi o que se viu, justificando a sua mudança relativamente ao prometido com as exigências da troika, “esquecendo” que o PSD também assinou o acordo com as organizações integrantes da mesma. Posteriormente, disse pretender ir além da troika.

Na campanha para as eleições legislativas de 2015 prometeu reverter os cortes de salários e pensões em dois anos. Na oposição critica o governo por proceder àquela reversão, que faria vir o Diabo, como disse há um ano. Só que, o Diabo apareceu mesmo, mas a bater à sua porta, trazendo-lhe más novidades (para ele). No ano transacto a economia cresceu 1,4%. O défice foi o mais baixo do regime democrático (2%), o desemprego baixou e as pessoas vivem melhor. É certo que a dívida pública aumentou 1% ou 2%, mas no consulado Passista-Portista cresceu 32%.

Se há criador compulsivo de “factos alternativos” em Portugal é o Dr. Pedro Passos Coelho. E não é esta a única semelhança com o Presidente dos States, há muitas outras, do ponto de vista ideológico. Não é por acaso que do PSD poucas críticas vieram até hoje à loucura de Trump. Até se verificaram alguns elogios de gente dessa área ao mesmo. PS: depois da tragédia iniciada em Pedrógão Grande, o roubo de material de guerra altamente destrutivo no Quartel de Tancos, que estará, sabe-se lá, em que mãos. O estado de graça do governo terminou. Uma das suas funções é garantir a segurança dos portugueses, o que, neste caso, falhou redondamente. Passos Coelho e o PSD continuam a dar tiros nos próprios pés. Se a oposição interna deste partido, no congresso a realizar na primavera do próximo ano, não eleger outro líder e outra direcção, com um programa de acção social-democrata, reformista, defensor da ascenção social, o PSD estará condenado a longos anos de oposição.

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