Manuel Silva

Dia Mundial da Criança

No passado dia 1 de Junho decorreu o Dia Mundial da Criança. Na sua edição dessa data, o jornal “I” ouviu várias crianças de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos, sobre o que pensavam ser o mundo daqui a 20 anos.

À excepção de um menino muito pessimista, que pensa estarmos mais pobres, com pior qualidade de vida e que os maus sairão vencedores em 2037, todos os outros são muito optimistas, prevendo ser o mundo melhor, mais justo, acabar a pobreza, não haver más pessoas nem criminalidade, melhorar o meio ambiente, não haver desempregados e todos vivermos felizes uns com os outros. Para estas crianças, dentro de 20 anos, estaremos num paraíso terreno. Precisamente nesse dia, uma criança de 70 anos, que, para mal do mundo, preside ao país mais poderoso do planeta, retirava o mesmo do Acordo de Paris sobre o clima.

Todas as crianças sonham com um mundo melhor, incluindo as que vivem na guerra e na miséria. É próprio da sua inocência normalmente perdida quando se chega a adulto.

Daqui a 20 anos, aqueles miúdos e miúdas terão uma visão mais realista da sociedade e saberão que o mundo nunca será perfeito, mas poderá sempre melhorar, desde que haja homens e mulheres de boa vontade, dispostos a lutar e a fazer sacrifícios pela justiça. É com pessoas destas que, como dizia António Gedeão no poema “Pedra Filosofal”, “o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos duma criança”. Se mantiverem a sua generosidade, então sem a inocência e a ingenuidade de hoje, poderão dar um bom contributo para uma sociedade mais justa, fraterna e humanista.

Tal como no Natal, também no Dia Mundial da Criança há em todos os países muitos milhões de meninos felizes, mas igualmente muitos milhões de meninos e meninas infelizes, com fome, doentes, sem abrigo, sem acesso à educação, a morrer em consequência dos “danos colaterais” da guerra ou afogados na fuga dos seus países destroçados, a serem raptados por grupos de guerrilha, ideológicos e religiosos.

O DAESH rapta crianças que, depois de uma lavagem ao cérebro, se fazem explodir destruindo as suas muito jovens vidas e as de muitas outras pessoas.

Recentemente, vi uma reportagem televisiva sobre “los niños del sendero”, as crianças do Sendero Luminoso, realizada na selva peruana, onde actua um grupo radical do Partido Comunista do Perú, nome oficial do Sendero, dirigido por Vitor Quisque Palomino (camarada José), que considera o líder Abimael Guzzman (camarada Gonzalo), a cumprir pena de prisão perpétua há um quarto de século, um “traidor revisionista”.

No início da reportagem as crianças maoistas jogavam futebol e diziam conhecer os craques daquele desporto, destacando o português Cristiano Ronaldo. Sabiam manobrar armamento e explosivos como os seus camaradas adultos. Na entrevista mostraram possuir uma enorme formação política e ideológica.

Ninguém acredita que aqueles pequenos tivessem aderido ao partido e à guerrilha com 7, 8, 10 ou 12 anos por consciência política. Estas crianças foram raptadas aos pais, especialidade dos seguidores do “maior marxista-leninista-maoista vivo”, Guzzman, que assassinavam os progenitores que procuravam defender os filhos, pois impedi-los de entrar no “Exército Popular” seria estar “do lado do inimigo capitalista, burguês e imperialista”.

No dia 1 de Junho e em todos os outros dias, as instituições democráticas internacionais devem, além de reflectir na situação das crianças que sofrem, tomar medidas para as defender do inferno terreno em que são obrigadas a viver.

 

Garcia Pereira responde aos seus Ex-Camaradas

Há poucos meses, escrevi neste jornal ser incompreensível o silêncio de Garcia Pereira face aos ataques de que tem sido alvo no jornal do seu antigo partido, o “Luta Popular on line”, principalmente por parte de Arnaldo Matos.

Recentemente, no site intitulado “Só a verdade é revolucionária”, uma das frases mais conhecidas de Lenine, Garcia Pereira respondeu a todos os ataques, acusando Arnaldo Matos e os seus mais próximos de terem sabotado a campanha eleitoral das legislativas de 2015 em Lisboa, por cujo círculo era cabeça de lista, com o fim de, passado o acto eleitoral, o sanearem tal com o aconteceu.

Diz que Arnaldo Matos não admite opiniões contrárias e terá agredido fisicamente, por mais que uma vez, um dos principais membros do actual Comité Central. Garcia Pereira publica o nome do dirigente em questão. Eu não o irei fazer, dada a consideração que o mesmo me merece, apesar de já não ter qualquer contacto com ele há mais de 30 anos, sendo até aí bons camaradas e amigos.

A terminar, apesar de nada me ligar ao PCTP/MRPP, mas também não me arrepender de aí ter feito política, e porque possuo amigos nos dois grupos, lamento esta guerra que me incomoda e faz lembrar a canção “Brothers in arms” dos Dire Straits.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.