Manuel Silva

Franceses dizem: A REACÇÃO NÃO PASSARÁ!

Na segunda volta das eleições presidenciais francesas, realizada no passado dia 7 de Maio, a esmagadora maioria dos eleitores “disse” nas urnas: a reacção não passará, derrotando a extremista de direita, líder da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen.

A filha de Jean Marie Le Pen professa ideias racistas, xenófobas, isolacionistas e nacionalistas, sendo politicamente descendente de tradições reaccionárias e fascistas francesas do passado: o absolutismo de Joseph de Maistre, no século XVIII, o extremismo de direita e anti-democrático de Charles Maurras, um dos ideólogos que mais influenciou Salazar, na primeira metade do séulo XX, o regime de Vichy, representante da ocupação alemã durante a II guerra mundial, a “grandeur de France”, que passou também por um dos mais cruéis colonialismos da História.

Se é certo que a maioria do povo francês repudiou o mal, a FN e seus candidatos vêm subindo de eleição para eleição. Le Pen obteve 11 milhões de votos (34%). Por outo lado, pouco faltou para Mélanchon, candidato apoiado pelos comunistas e pela extrema-esquerda, ter passado à segunda volta destas eleições. A direita e a esquerda moderadas averbaram consideráveis derrotas, principalmente o Partido Socialista, devido à sua traição ao prometido nas anteriores eleições, que se caracterizou por uma clara viragem à direita e a adesão à TINA (there is no alternative – não há alternativa) ao austeritarismo.-

Mas, se a França não ficou pior, também não ficou melhor com o Presidente que elegeu. Macron não representa o centro, mas a direita liberal, especialmente na parte económica. Foi ministro da Economia do governo socialista agora de saída. Nunca se distanciou da sua política idêntica à do “ajustamento” do governo PSD-CDS. Fez alterações na legislação laboral lesivas dos trabalhadores e beneficiadoras do factor capital. Efectuou cortes que atingiram os mais vulneráveis e a classe média.

A prova de que é um neo-liberal está na escolha de um thatcheriano, Edouard Philippe, dos republicanos de direita, para primeiro-ministro. Ameaça com despedimentos os funcionários públicos. Já quando era ministro de Hollande aprovou legislação facilitadora do despedimento colectivo. Além de Edouard Philippe e outros direitistas, o seu governo inclui socialistas cuja prática anterior prova serem-no apenas de nome, e tecnocratas, que normalmente são gente despida de sentimentos e não quer saber de quem fica para trás. Ah! E também não se preocupa relativamente ao preço com que muitas vezes se obtém o chamado sucesso.

Macron sempre defendeu e defende a política federalista da UE, que conduz, como a experiência demonstra, ao domínio e à humilhação dos fracos e pobres pelos fortes e ricos. Imitando o seu antigo presidente, mal foi eleito, foi ao beija-mão de Merkel. Entusiasta da globalização, não se preocupa com a necessidade da sua regulamentação e nunca se lhe ouviu a mais pequena crítica às injustiças e desigualdades que criou em todo o mundo.

Os franceses, ao elegerem Emmanuel Macron, vão ter mais do mesmo, ou seja políticas que estão na origem do avanço da extrema-direita. Assim sendo, a subida de Le Pen ao Eliseu, provavelmente ficou adiada por 5 anos.

 

Os factos alternativos da direita portuguesa

No ano transacto, a economia portuguesa cresceu 1,4%. No primeiro trimestre de 2017, teve um crescimento homólogo de 2,8%. Tal não se deve apenas à melhoria do consumo, resultante da reposição de salários e pensões ou do aumento do salário mínimo, mas também ao aumento das exportações e confiança dos agentes económicos. O emprego também aumentou.

Os partidos da direita dizem dever-se aquela situação à reforma laboral que aprovaram há 5 anos. É curioso como a mesma só teve efeito positivo passado todo este tempo e com outro partido no governo. A seguir à aprovação da dita reforma, que cortou direitos ancestrais dos trabalhadores, o desemprego aumentou, chegando a atingir 17% da população activa. A economia atravessou alguns anos em recessão. Se no último ano do governo Passos/Portas a economia cresceu 1,5%, no segundo semestre desse ano estava a entrar em declínio.

O crescimento e o aumento do emprego, que denotam sinais de sustentabilidade, apenas aconteceram com um governo socialista, apoiado por comunistas e bloquistas, que pelos vistos e pelos actos, não assusta os investidores.

No que toca a criação de factos alternativos, Passos Coelho, Assunção Cristas e os seus partidos imitam bem Trump e a restante administração da Casa Branca.

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