Manuel Silva

Uma opinião politicamente incorreta sobre o terror do DAESH

Recentemente, vários atentados terroristas bem planeados pelo chamado Estado Islâmico provocaram uma carnificina, matando cento e muitas pessoas, em vários locais de Paris.

Uma certa esquerda portuguesa, condenando os atentados, considera serem os mesmos uma resposta às intervenções militares do Ocidente em países árabes.

Arnaldo Matos, em artigo publicado no “Luta Popular on line”, jornal do PCTP/MRPP, embora demarcando-se daqueles actos, em nome da violência revolucionária organizada pela vanguarda do proletariado, justificou-os, com base no mesmo argumento de outras esquerdas. Mais afirmou não serem os franceses mortos inocentes, mas politicamente culpados, no que toca “à agressão do seu governo a países árabes”. No século XIX, um anarquista francês lançou uma bomba para dentro de um café parisiense, matando mais de cem pessoas, tendo gritado “ninguém é inocente”. Esta última frase tornou-se um slogan dos “anarcas”. Desconhecíamos que também pertencia aos seus inimigos maoistas.

Estas posições não fazem sentido, pois as intervenções dos EUA e restantes países da NATO foram, à excepção do Afeganistão, perpetradas contra os inimigos da Al Qaeda e do DAESH (Estado Islâmico).

A Al Qaeda e o seu líder, Bin Laden, na luta contra a URSS no Afeganistão, foram apoiados, armados e financiados pelo governo americano da época. A maioria dos investimentos de Bin Laden e seus familiares eram realizados no país do Tio Sam. Para derrubar Assad ou Kadafi, o Ocidente também apoiou e armou guerrilhas constituídas, em grande parte, por fundamentalistas islâmicos que posteriormente fundaram o DAESH. Ou seja, o apoio ocidental às “primaveras árabes”

foi um desastre. Só um cego daqueles que não querem ver não percebia não se estar perante qualquer primavera política, mas manifestações controladas por terroristas radicais. Os verdadeiros democratas eram uma minoria dos manifestantes. Os factos têm-no provado.

É este o erro do Ocidente: em nome do derrube de ditaduras, ajudou a colocar no poder tiranos piores que os destituidos, a criar estados falhados, como são os casos da Líbia e do Iraque, ou corruptos, como o Estado afegão. Os fundamentalistas islâmicos, da Al Qaeda e do DAESH, têm-se comportado como cães que mordem a mão que lhes dá de comer, pois têm muito a agradecer aos países da NATO.

O que move o terrorismo fundamentalista islâmico é o ódio à liberdade, à democracia, à herança iluminista, laica e simultaneamente judaico-cristã ocidental, procurando levar ao poder os pescadores de águas turvas da direita radical e anti-democrática, destruidora daqueles valores. Estes atentados são uma boa ajuda para uma possível vitória de Marine Le Pen nas próximas eleições presidenciais francesas. Na Polónia e na Hungria, a direita nacionalista e ultra-montana já está no poder. Por toda a parte aumenta a votação na extrema-direita.

O combate ao terrorismo deve ser político, cultural, militar e policial, unindo todas as instituições democráticas ocidentais, nacionais e trans-nacionais, mostrando a este bando de assassinos que não estamos dispostos a prescindir da liberdade e não nos metem medo, muito menos “medo de ter medo”, como dizia Alexandre O’neil num poema de resistência à ditadura salazarista.Redação Gazeta da Beira

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