Manuel Silva
Conclusões do Debate PASSOS-COSTA nas televisões
CONCLUSÕES DO DEBATE PASSOS-COSTA NAS TELEVISÕES
A esmagadora maioria dos comentadores políticos afirma ter sido António Costa o vencedor do debate que teve com Passos Coelho, no dia 9 de Setembro, nas televisões. Apenas alguns (poucos) apaniguados do “Sol” e do “Observador” escreveram, de forma muito pouco convincente, ser o ainda primeiro-ministro a ter melhor prestação.
Pedro Passos Coelho não foi capaz de demonstrar, perante os argumentos de Costa, que não ganhou as últimas eleições com base em mentiras, que apesar de toda a austeridade, a dívida pública é superior em 30% à dívida herdada de Sócrates, que o país e a esmagadora maioria dos portugueses estão mais pobres e que a miséria aumentou.
O líder do PAF foi praticamente omisso em relação ao que pretende fazer nos próximos 4 anos a coligação que dirige, caso continue no poder. Por um lado, saberá que as suas promessas já não têm crédito. Pode-se enganar as pessoas uma, duas, várias vezes, mas não se engana sempre. Por outro lado, está implícito no seu silêncio – há quem lhe chame fazer-se de morto – que, com ele à frente do governo, teremos mais austeridade, aumento da pobreza, da miséria e do desemprego, bem como um ainda maior emagrecimento da classe média.
As denúncias das políticas praticadas pelo governo Passos – Portas foram fundamentais e fatais. Só por isso António Costa ganhou o debate. No entanto, também não mostrou ser a sua política futura muito melhor que a actual. Além de ter sido muito generalista nas propostas ao país, parece confiar demasiado na sorte e não contar com variáveis económicas nacionais e internacionais que possam surgir.
Quanto ao emprego, o principal tema do programa socialista, não foi explícito quanto à forma como conseguir o seu aumento. E já esqueceu a criação de 207 000 postos de trabalho! Não falou também na revogação dos aspectos mais gravosos para os trabalhadores da revisão da legislação laboral nos últimos 4 anos. Rejeitou a renegociação da dívida, mas não disse como se pode pagar o seu serviço. Se a dívida não fôr renegociada ou reescalonada, não só é impagável como prolongará a austeridade e o empobrecimento provavelmente por algumas décadas. Em democracia tal não se vislumbra possível.
Esta postura de António Costa deve-se aos seus compromissos com a UE e o euro, de que, aliás, o PS e todos os partidos socialistas foram desde sempre grandes entusiastas.
No dia seguinte ao debate, em entrevista concedida ao canal 2, o cabeça de lista do PCTP/MRPP por Lisboa, Garcia Pereira, mostrou qual o mal na origem da crise actual: a União Europeia, onde os grandes dominam os pequenos, e a moeda única, feita para beneficiar a Alemanha (o valor do euro é equivalente ao do velho marco) e tirar competitividade aos países que passaram a possuir uma moeda muito mais forte, como é o caso de Portugal. Defendeu ainda a saída da UE e do euro.
Também o PCP e o BE afirmam dever Portugal bater-se pela independência económica e preparar-se para uma possível saída da moeda única.
Como já escrevi em anterior artigo publicado na “Gazeta da Beira”, com o PSD e o CDS teremos a continuidade, com o PS teremos a evolução na continuidade. Por isso, é necessário que todas as portuguesas e todos os portugueses que não querem mais austeridade e que a sua vida volte a melhorar votem nos partidos à esquerda do PS, velhos ou novos.Redação Gazeta da Beira
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