Manuel Silva

CAVACO DESMENTIDO POR EX-MINISTROS SEUS

O primeiro-ministro e demais membros do governo têm dito que o pior já passou, foram feitas reformas estruturais e Portugal está no bom caminho relativamente a crescimento económico e finanças públicas, no que tem sido secundado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, e até por António Costa, de certa forma, quando disse perante chineses estar o país diferente (para melhor).

A dura realidade desmente aquelas afirmações. Diversas personalidades ligadas ao PSD e ao CDS têm-no reconhecido. São os casos de Miguel Cadilhe e Silva Peneda, ministros das Finanças e do Emprego quando Cavaco Silva era o chefe do governo.

Em conferência realizada no Clube dos Pensadores, em Gaia, Miguel Cadilhe afirmou encontrar-se mal a democracia em Portugal, pois tem permitido a eleição “de incompetentes, sacanas, corruptos, venais”. Mais disse, contrariando Cavaco, Passos e Portas, não terem sido efectuadas as reformas estruturais necessárias durante a presente legislatura e não se vislumbrar sair das próximas eleições um governo que as ponha em prática, porque não é visível qualquer reformador.

Silva Peneda, actualmente a trabalhar junto da Comissão Europeia, considerou recentemente não se dever o pequeno crescimento registado no ano passado a qualquer mérito do governo, mas à conjuntura internacional, verberando ainda as injustiças sociais resultantes da actual política.

As palavras de Miguel Cadilhe fazem lembrar  a tese fascista segundo a qual “a democracia é o reino da mediocridade e quem deve governar são as elites”. Também Lenine, na sua concepção do “partido comunista como vanguarda do proletariado” dizia dever existir uma maioria operária no seu Comité Central, constituída pela “nata do proletariado”.

A situação ilustrada pelo antigo ministro das Finanças é resultante do afastamento das elites dos partidos do chamado arco da governação, dado os aparelhos dos mesmos terem sido tomados há muito por medíocres e oportunistas, especialmente os oriundos das jotinhas, cuja vivência política se resume às paredes das sedes partidárias onde fizeram escola, desconhecendo o país e o mundo real.

Se os partidos moderados não pretendem passar, no futuro, por uma situação parecida à dos seus congéneres gregos e espanhois, terão de mudar de vida e passar a escolher para os seus órgãos nacionais, distritais e locais  apenas pessoas com boa formação política e cultural, dotadas de ética e de espírito de serviço à comunidade, sem qualquer complexo relativamente a críticas de exercício de elitismo.

O pessimismo com que Cadilhe vê o possível cenário saído das eleições legislativas a realizar no próximo Outono será perfeitamente perceptível  pela generalidade da população. A actual maioria encontra-se esgotada, sem qualquer elan nem projecto futuro que vá além da austeridade e do empobrecimento. É previsível a sua derrota. Se o PS tem algum projecto de mudança, não é visível. Daí as sondagens apontarem para que ganhe as legislativas por pouco e longe da maioria pretendida. Apenas as forças à esquerda do partido liderado por António Costa têm um conjunto de ideias e propostas a apresentar.

Na generalidade dos restantes países da UE também não se vislumbram dirigentes visionários e capazes de vencer a crise. A condução da política está entregue cada vez mais a pessoas demasiado comuns, o que, além do federalismo e da austeridade, está na origem do avanço de partidos extremistas e poderá levar à liquidação da democracia.

Miguel Cadilhe e Silva Peneda, militantes do PSD, lançam estes alertas  porque são sociais-democratas. Passos Coelho é liberal-conservador, sem qualquer sensibilidade social e humanista. Cavaco Silva é um tecnocrata. A descaracterização do PSD começa no seu consulado.

PS: Afinal a lista – ou pacote – de contribuintes VIP existia mesmo, tendo levado à decapitação da direcção da Autoridade Tributária. Pouca gente acreditará ser desconhecida do governo, mas a sê-lo, tal vem provar não ter o executivo controlo sobre a administração dele dependente. O que será mais grave, a mentira, a começar no primeiro-ministro, ou a incompetência?Redação Gazeta da Beira

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