Manuel Silva

Em que país vive António Costa?

Se já se sabia que o primeiro-ministro António Costa era um malabarista de números e factos, tal ficou provado no recente debate parlamentar sobre o estado da Nação.

Após ter atingido a maioria absoluta devido às ambiguidades do PSD sobre o Chega, mas também em consequência de enganar os eleitores sobre um putativo aniquilamento do Estado Social a perpetrar pelos sociais-democratas, o que os mesmos, diga-se, não souberam refutar devidamente, tinha todas as condições para aplicar uma política reformista que não só resolvesse os problemas estruturais do país, mas mexesse com interesses instalados e… clientelas.

Mas elaboração de reformas não é com os socialistas. Deveriam seguir os exemplos dos seus camaradas Tony Bair, no Reino Unido, ou Felipe Gonzalez, na Espanha. Para António Costa e o PS, o termo “reformas estruturais” significa destruição do Estado Providência. Recentemente, ao ouvir uma música do fabuloso grupo de rock, Status Quo, veio à minha lembrança esta gente que nos governa há longos anos…

A resolução dos problemas está em estudo. Mas 7 anos de governo, com a geringonça ou sem ela, não são suficientes para chegar a conclusões e materializá-las? Assim sendo, estamos perante “estudantes” cábulas, merecedores de um chumbo, que apenas sabem empurrar os problemas com a barriga. Bom estudante político no PS foi José Sócrates, o que ele aprendeu! Até completou uma licenciatura num fim de semana com uma prova feita numa folha A4!

No debate sobre o estado da Nação, Costa reconheceu que Portugal está pior que há um ano. Dizer o contrário também seria mentir descaradamente. No entanto, elogiou o funcionamento dos serviços públicos, especialmente o SNS e a educação.

O leitor sabe como os serviços públicos estão degradados. Basta contactá-los. O poder socialista nada faz para os melhorar. Há sectores que carecem de mais funcionários, boa parte dos que lá permanecem estão esgotados. Casos de “bounout” (cansaço por trabalho) são cada vez mais frequentes, incluindo nas altas chefias.

O PS acena com o crescimento económico acima da média da UE. Esconde todavia que tal acontece porque as grandes economias passam por dificuldades, mas os países pobres de leste crescem muito mais que nós. Até a Roménia está quase a ultrapassar-nos. Além disso, a inflação tem comido os salários, diminuindo o poder de compra das famílias. Quando a oposição não socialista, com destaque para o grupo parlamentar do PSD, disse a António Costa que deveria devolver o aumento da carga fiscal proveniente do factor inflação, disse que já estava devolvido através dos combustíveis.

Novo malabarismo, pois as pessoas queixam-se de que cada vez pagam os combustíveis mais caros. O que está em causa é devolver aquele excedente nos restantes impostos para aplicar medidas sociais que combatam a pobreza e criem igualdade de oportunidades para todos. Isso já havia sido dito antes por Luis Montenegro.

Quem esteve atento ao debate, viu que a oposição – também os partidos à esquerda do PS – pôs a nu o estado a que se chegou. Não é por acaso que, na última sondagem conhecida, o  PS perde a maioria absoluta e toda a oposição, excepto o PAN, cresce.

28/07/2022


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