Manuel Silva
Bases do PSD derrotam os APPARATCHIKS
Para quem desconhece, o termo apparatchik significa “membro do aparelho” do Partido Comunista e/ou do Estado na defunta URSS. Vladimir Ilitch Ulianov (Lenine) chamava-lhes “revolucionários profissionais”.
Nas várias fases por que passou, sempre houve apparatchiks no PSD a comportarem-se como donos do partido. Foi contra essa corrente que Francisco Sá Carneiro derrotou os futuros construtores do MSD (Movimento Social-Democrata) no final de 1975, após o 25 de Novembro e, mais tarde, em 1979, Magalhães Mota, Sousa Franco e demais dirigentes e deputados que pretendiam tornar o PSD no MDP/CDE do PS. Nesta altura, o PSD perdeu cerca de metade do grupo parlamentar. Os dissidentes criaram a ASDI (Acção Social-Democrata Independente).
Poucos meses depois, Sá Carneiro, à frente da Aliança Democrática (AD), constituída pelo PSD, CDS, PPM e “Reformadores”, dissidentes do PS, entre os quais se encontravam António Barreto e Medeiros Ferreira, ganhava as eleições legislativas com maioria absoluta. O MSD e a ASDI não passaram de nados mortos.
Algo de parecido se passou na recente eleição do presidente do PSD. Paulo Rangel, que, embora à direita de Rui Rio, é um social-democrata moderado, foi o “Inocente útil” (Lenine também dizia “com a ajuda dos inocentes úteis dominaremos o mundo”) da direita radical do PSD, os herdeiros do passismo.
A direita radical, que não é constituída apenas pelo Chega, mas também pelo CDS e a ala passista do PSD, para chegar ao poder necessitava dos votos dos sociais-democratas. A maioria do aparelho, nas mãos do pior que há na direita, ao saber da candidatura de Paulo Rangel, colou-se à mesma, instrumentalizando-a com o apoio dos principais jornais, “opinion makers” e televisões. Como escreveu o comentador assumidamente de direita, João Miguel Tavares, no “Público”, Rangel seria o S. João Batista anunciando a vinda do salvador, fosse Passos Coelho ou alguém por ele.
No entanto, as bases, os militantes derrotaram o aparelho, elegendo Rui Rio como líder do PSD e, acima de tudo, como candidato a primeiro-ministro.
O aparelho é de direita. As bases são sociais-democratas. Perante este cenário, o que restava aos apparatchiks era a demissão dos seus cargos, para que as bases revoltadas escolhessem outras pessoas dignas da sua confiança. Ainda não perceberam que cansaram os militantes da vossa estrutura? Como dizia o general Humberto Delgado, em 1958, sobre os salazaristas, com os quais tendes vários aspectos comuns, “cansaram-nos! Cansaram-nos! Reformem-se!”. Está na hora de a maioria de vós ter uma profissão, já que na vossa actividade político-profissional nada demonstraram. Apesar de terem sempre sabotado Rui Rio e por ele serem derrotados, ainda queriam continuar nos vossos lugares, aos quais estão agarrados como lapas? O saneamento efectuado nas listas de candidatos a deputados está correcto.
Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, Pinto Balsemão, Manuela Ferreira Leite e Nuno Morais Sarmento são também derrotados, pelo que escreveram e disseram ou pelo seu silêncio. O futuro dos que não se assumem em momentos cruciais é o oportunismo.
PS: à direcção, administração, colaboradores, assinantes, anunciantes, e demais leitores da “Gazeta da Beira”, apresento votos de um Feliz Natal e um Feliz 2022.
16/12/2021

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