Manuel Silva

ESTÁ A RENASCER UMA DIREITA SOCIAL NA EUROPA? (Parte 2)

A razão para este ataque cirúrgico a Juncker é a seguinte: contrariamente ao falso social-democrata Durão Barroso, que, aliás, nunca teve ideologia nenhuma, sempre se ligando ao que “está a dar” e saltando da carruagem quando “deixa de dar”, como fez no MRPP e na fuga do governo para Bruxelas, o seu sucessor, democrata-cristão, não é um servidor de Angela Merkel e do imperialismo alemão, mas um defensor do crescimento económico e do investimento público para reanimar as economias e permitir a melhoria das condições de vida e a ascenção social legítima dos cidadãos  mais pobres e desfavorecidos.
Aquando da sua tomada de posse e em intervenções anteriores, Jean Claude Juncker prometeu um investimento de 300 mil milhões de euros, dizendo “os investimentos  são fundamentais para a economia e para as pessoas. Não podemos crescer sem investimento. Sem isso não há emprego.  Este programa é fundamental para mim”.  Mais afirmou não beneficiar a austeridade a economia e que “o investimento  deve ser feito de forma cirúrgica em áreas com potencial de crescimento a médio prazo, pois só assim é possível reforçar a economia europeia e terminar com o desemprego escandaloso”.
Ontem como hoje, Juncker mantém-se fiel à democracia-cristã, baseada na doutrina social da Igreja, e aos valores da direita democrática e social, que não quer acabar com os ricos, mas com os pobres. Em vários países europeus, incluindo Portugal, dentro dos partidos de direita hoje influenciados pelo neo-liberalismo e o conservadorismo social, insensíveis ao sofrimento humano, há destacadas figuras que pretendem o regresso desses partidos aos ideais que durante a guerra fria os caracterizou, repudiando o liberalismo económico e defendendo a economia social de mercado, bem como o Estado Social posto na prática por socialistas, sociais-democratas, democratas-cristãos e conservadores. O primeiro-ministro conservador inglês Churchill, por exemplo, foi um dos grandes obreiros do também chamado Estado Providência. É, aliás, curioso verificar como o mais churchilliano que Churchill, João Carlos Espada, nunca refere esta faceta do mestre.
Juncker poderá ser o catalisador desta direita social que varra o neo-liberalismo. Como os partidos de esquerda moderada há muito romperam com o marxismo, voltaríamos à “belle epoque” da alternativa entre forças democráticas, mas também socialmente empenhadas. É isto que faz correr a direita que temos, um pouco por todo o lado, contra o presidente da C.E., manchando-lhe a reputação. Quanto a honestidade, bom seria que esta direita se olhasse no espelho sem ser em atitude narcísica.Redação Gazeta da Beira

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