Manuel Silva

A CIA programou a morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa?

Alexandre Patrício Gouveia, militante do PSD e irmão de António Patrício Gouveia, secretário de Francisco Sá Carneiro, que com ele morreu em Camarate, publicou no Verão passado um livro intitulado “Os mandantes do atentado de Camarate – o envolvimento americano”, no qual acusa a CIA e cinco dirigentes do Partido Republicano dos EUA, agora rendido a Donald Trump, de montarem o atentado em que morreram Sá Carneiro, Amaro da Costa, bem como as suas companheira e esposa, Patrício Gouveia, já referido, e os dois pilotos, no dia 4 de Dezembro de 1980.

O republicano Ronald Reagan tinha sido eleito presidente dos EUA cerca de um mês antes do atentado, tomando posse em Janeiro de 1981. Alexandre Patrício Gouveia iliba Reagan, mas acusa Henry Kissinger, principal conspirador para conduzir o Chile, em 1973, para a ditadura de Pinochet e que fez parte de vários governos republicanos, sendo o chefe da sua diplomacia, bem como Frank Carlucci, embaixador em Portugal durante o PREC, mais tarde director da CIA e secretário da defesa de Ronald Reagan. Aquela polícia, segundo o autor do livro, programou o vil e cobarde assassinato daqueles políticos e governantes.

Como se explica que a CIA, no tempo da guerra fria, eliminasse o primeiro-ministro e o ministro da defesa de um aliado da NATO? Embora os EUA vissem o Irão como um inimigo figadal, vendiam-lhe armamento de forma ilegal e clandestina, passando muito desse material por Lisboa. Sá Carneiro e Amaro da Costa, ao aperceberem-se, proibiram tal passagem criminosa e ilegal, bem como estranha.

Mais tarde soube-se – o presidente Reagan confessou-o – que o dinheiro proveniente da venda de armas se destinava a financiar os “contras” da Nicarágua, fascistas ligados ao regime corrupto, despótico e cleptocrata de Anastácio Somoza, que colocou a esmagadora maioria dos nicaraguenses na miséria, transformando o país numa coutada da família do ditador e seus amigos, incluindo empresários americanos.

Nessa altura, a Nicarágua vivia num regime bem próximo de uma ditadura comunista, chefiado pelo revolucionário Daniel Ortega, que saiu do poder, depois foi eleito Presidente da República e impôs, agora sim, uma ditadura.

Existia uma segunda guerrilha, liderada por Edén Pastora, o Comandante Zero, braço direito de Ortega na luta pelo derrube da ditadura somozista, que não queria ver na Nicarágua uma segunda Cuba, mas uma sociedade democrática, o qual rompeu com o seu antigo aliado e desencadeou nova guerrilha por um país livre e democrático. Reagan e os republicanos não quiseram apoiar esta última guerrilha, certamente porque queriam o somozismo de volta para voltarem a explorar aquele pequeno país. A diplomacia americana também é e foi sempre isto…

O que Alexandre Gouveia escreveu foi dito, há alguns anos, por um antigo agente da CIA sobre Camarate. A bota bate com a perdigota, como se costuma dizer. Nem só o KGB e a actual polícia política russa assassinaram muita gente, a CIA também o fez e faz. Só que, no Ocidente, não se dá o mesmo relevo aos seus actos criminosos…

Perante estes factos, ainda há dúvidas de que Sá Carneiro, Amaro da Costa e demais acompanhantes foram assassinados e que os mandantes do crime pertenciam à CIA e às altas esferas americanas?

Alexandre Gouveia acusa também Pinto Balsemão, sucessor de Sá Carneiro no PSD e no governo, de procurar esconder o crime e defender constantemente a tese do acidente.

Recordamos que Pinto Balsemão é o principal representante em Portugal do grupo de Bilderberg, no qual pessoas ligadas a todas as administrações americanas têm lugar de destaque.

 

PS: há jornalistas que antes de escreverem devem informar-se sobre o que procuram transmitir. Na revista E. do “Expresso”, de 10 de Outubro passado, João Miguel Salvador afirma que o lobista da Goldman Sachs, Durão Barroso, já pertencia ao MRPP antes do 25 de Abril. É mentira! Só aderiu àquele partido no pós-25 de Abril, quando viu que a sua organização estudantil (FEML – Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas) ia ganhar a AE da Faculdade de Direito de Lisboa, que antes estava nas mãos da UEC, organização pertencente ao PCP. Foi o principal dirigente da Associação de Estudantes, que em 1976 foi ganha pela JS. Pouco depois, convencido que a revolução era “chão que deu uvas”, deixou o partido e a FEML, da qual foi expulso, e aderiu ao PSD quando este estava no poder. Posteriormente, o seu percurso é bem conhecido.

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