Manuel Silva

PORTUGAL ENTREGUE A UMA MAFIA POLÍTICA E ECONÓMICA?

O capitalismo vender-nos-á a corda com que o havemos de enforcar.

Lenine

 

O jornal “Público”, de hoje, dia 11 de Julho de 2020, em manchete, afirma que “o Ministério Público vai acusar Ricardo Salgado de liderar organização criminosa” e que “o líder do BES montou estrutura à revelia da equipa de gestão e do regulador”.

Pouco antes de ser efectuada a resolução do BES, em 2014, Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, Carlos Costa, então P.R., P.M. e governador do Banco de Portugal, bem como o ex-ministro de Cavaco e ex-líder do PSD, que ainda hoje faz análises na SIC, aos domingos, à noite, afirmavam que o problema era com o GES, o BES estava óptimo e de boa saúde.

Logo, a seguir, houve a “resolução” do BES, que estava falido. Toda aquela gente não sabia o que se passava? Onde estava a inspecção e regulação do Banco de Portugal? Se Carlos Costa pedisse, na altura, a sua demissão, não seria a atitude mais digna que poderia ter? A partir daí, a sua credibilidade acabou e, agora, tem mais encanto na hora da despedida, fazendo uma comparação com um conhecido fado de Coimbra, cantado pelo Juiz Conselheiro Machado Soares.

Recordamos que Ricardo Salgado ajudava todos os partidos, tendo feito até publicidade na Festa do Avante, órgão oficial do PCP. Consta ter pago uma campanha presidencial de Mário Soares e outra de Cavaco Silva.

O processo “Operação Marquês”, em que é arguido principal José Sócrates, depois de ter envolvido Carlos Santos Silva, seu grande amigo e “filantropo”, e o grupo Lena, acabou por abarcar processos em que são arguidos Ricardo Salgado, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro (PT).

A PT, que era a empresa mais poderosa do país, levou um grande tombo, indo parar às mãos da Altice, empresa altamente endividada.

João Rendeiro, presidente do BPP foi condenado pelo Tribunal da Relação de Lisboa a 5 anos e 8 meses de prisão.

O BPN, o banco de importantes figuras do cavaquismo, como o seu presidente Oliveira e Costa, já falecido, faliu, custou bem caro ao erário público, tendo grande parte dos seus responsáveis sido condenados a pesadas penas de prisão.

As falências bancárias custaram ao Estado (aos contribuintes) o equivalente a 27 pontes Vasco da Gama ou 50 hospitais. Na sequência da resolução do BES, foram criados dois bancos, o Banco Mau ficou com todos os produtos tóxicos, o Banco Bom, chamado Novo Banco, ficou limpo, no entanto, passados 6 anos, tem imensas imparidades, sendo um sorvedouro de dinheiros públicos. Para esta gente há dinheiro, na saúde e em diversos sectores públicos fazem-se cativações.

Mais recentemente, António Mexia, ex-ministro das Obras Públicas no governo de Santana Lopes, e Manso Neto, presidentes, respectivamente, da EDP e da EDP Renováveis, foram afastados, por ordem judicial, daqueles lugares, sendo acusados de corrupção e participação em negócio

Em todos aqueles processos crime instaurados aparecem figuras políticas importantes, ou que já o foram, do PSD e do PS. A conclusão a que chegamos é que, há muitos anos, o país está entregue a uma espécie de Mafia política e económica, envolvendo alguns grandes capitalistas e gestores, bem como políticos corruptos, que não vão para o poder para servir quem os elege, mas para se servirem.

Esta situação, adicionada à crise provocada pelo “coronavirus”,  que está para dar, durar e agravar-se, vai provocar uma crise de grandes proporções, não esquecendo anteriores escândalos provocados pelo alto capitalismo internacional, o maior dos quais é 90% da riqueza pertencer a 10% da população mundial e os restantes 10%  a 90% dos habitantes deste planeta, o que, em grande parte, se deve à globalização.

Isto não pode continuar assim. Lenine dizia “o capitalismo vender-nos-á a corda com que o havemos de enforcar”. Ou os governantes do mundo inteiro deixam de ser serventuários do capitalismo e passam a impôr regras ao mesmo no sentido de ter uma faceta humana, como aconteceu desde a II guerra mundial até à queda do muro de Berlim, quando lhe faltou o contra-ponto, ou este sistema económico, já gravemente doente, acabará por morrer.

Se o capitalismo atingir o ocaso, haverá revoluções no mundo inteiro. Quem as dirigirá? Os comunistas estão bastante desacreditados para tal. Poderão ser movimentos inorgânicos que aproveitarão o descrédito dos partidos ou a instauração de ditaduras fascistas. Qualquer destas soluções provocará o caos e a guerra, o que será péssimo. Uma coisa é certa: muito vai mudar. Está nas mãos do próprio capital industrial e financeiro regenerar-se, ter menos ambição e pagar melhores salários. Se o não fizer, pode muito bem cumprir-se a frase em epígrafe de Lenine.

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