Manuel Silva
Os dois dias dedicados a S. José
Há dois dias dedicados a S. José: o dia do Pai (19 de Março) e o Dia de S. José Operário (1º de Maio, dia do trabalhador). S. José foi operário carpinteiro, por isso o seu nome aparece associado ao Dia do Trabalhador, comemorativo de inúmeras prisões e assassinatos de operários, na cidade de Chicago, no dia 1 de Maio de 1886, pela polícia local, às ordens do governo americano e do capitalismo selvagem que servia. Aqueles trabalhadores lutavam pela jornada diária de 8 horas de trabalho, porque laboravam 14 e 16 horas, pagos miseravelmente e sem qualquer apoio social.
Por motivos idênticos se comemora no dia 8 de Março o Dia Internacional da Mulher, evocando as operárias que, lutando por semelhantes direitos, morreram queimadas dentro de uma fábrica pela polícia americana. Por isso, o dia 8 de Março não é o dia de todas as mulheres, mas apenas das mulheres trabalhadoras.
Era esta a exemplar democracia americana no século XIX!
Também Cristo foi operário carpinteiro, ao lado de S. José.
Após o 25 de Abril, apareceu uma canção, de cujo autor não me lembro e não consegui descobrir na internet, que falava no “voo 126”, no qual Cristo regressava à Terra “em fato-macaco, como qualquer trabalhador”. Era o Cristo dos operários e demais trabalhadores, dos explorados e oprimidos, como se dizia naquela época. A Sua opção de classe estava claramente definida.
Jesus Cristo e, certamente, S. José, sempre esteve ao lado dos pobres, tendo dito “ser mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus”, o que significava ser a questão da riqueza moral.
Nos dias de hoje, aquela questão continua pertinente. Com o fim do comunismo e o avanço do capitalismo liberal, a distribuição da riqueza é cada vez mais amoral. Como para os neo-liberais a solução está toda na “mão invisível do mercado”, cada vez se investe menos na saúde pública no mundo inteiro, o que tem provocado, essencialmente, o avanço do “coronavirus”.
Por todos aqueles motivos faz sentido comemorar NA RUA o 1º de Maio, apesar da epidemia que grassa na sociedade, com as devidas cautelas e o apoio das forças policiais, como aconteceu com as manifestações da CGTP.
Com o fim de direitos laborais alcançados com o sangue de muitos milhares de trabalhadores, o aumento das desigualdades, a precariedade laboral, os baixos salários, a fome a alastrar em todo o país, como demonstrou com factos e números, em entrevista concedida à edição do “Expresso” do passado dia 1 de Maio, Isabel Jonet, justifica-se a contestação na rua no Dia do Trabalhador.
Se não fosse a CGTP, os trabalhadores estariam muito pior do que estão.
Se Cristo voltasse à Terra, não admiraria que o fizesse em fato-macaco e se dirigisse a todos os trabalhadores que o usam nas suas profissões, não se dirigiria a Walt Street ou a uma offshore, onde se praticam as maiores vigarices. Esta gente crucificá-lo-ia, acusando-o, provavelmente, de comunista, como se faz com todos os que defendem a justiça social.
No PSD, apenas Pacheco Pereira concordou com as manifestações do 1º de Maio. É bom que os chefes deste partido não esqueçam que o PSD não é um partido dos trabalhadores, mas inter-classista. No entanto, foi com o apoio de muitos operários e demais trabalhadores que se fez o partido mais português de Portugal.
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