Manuel Silva
CDS cada vez mais à direita
CDS cada vez mais à direita

Provavelmente, as pessoas menos jovens – já não falo das crianças da altura do 25 de Abril e de quem nasceu após aquela data – não se lembrarão da forma como nasceu o CDS. O então primeiro-ministro, Vasco Gonçalves, próximo do PCP, disse a Freitas do Amaral para fundar um partido de direita democrática idêntico aos partidos conservadores, democratas-cristãos ou liberais, existentes na Europa há muitos anos.
Esse partido foi fundado. Tinha como presidente Freitas do Amaral, sendo o seu ideólogo e estratega Amaro da Costa, que morreu com Sá Carneiro em Camarate. Afirmava-se de centro, pois, na altura, ninguém dizia ser de direita. O nome do Partido era Centro Democrático e Social (CDS), inspirado na democracia-cristã e no conservadorismo, tendo as suas referências principais em Churchill ou Adenauer.
Freitas e Amaro da Costa quiseram integrar a direita na democracia, o que conseguiram. Só que, após o 28 de Setembro – a maior asneira de Spínola -, os partidos de extrema-direita foram proibidos e extintos, tendo este sector político entrado para o CDS, praticando nas regiões rurais actos de caciquismo e mesmo vandalismo. No entanto, o partido e a sua direcção mantiveram sempre um comportamento democrático exemplar.
Com a morte de Amaro da Costa, o CDS nunca mais foi o que havia sido. A direita mais conservadora avançava cada vez mais, levando Freitas do Amaral a abandonar a liderança do partido. Após, com Lucas Pires, Adriano Moreira, Manuel Monteiro e Paulo Portas, o CDS assumia-se claramente como de direita. Assunção Cristas era mais aberta e progressista. No entanto, a sua demagogia populista determinou a sua derrota nas últimas eleições legislativas.
No último congresso daquele partido, foi eleito seu presidente um dos dirigentes mais à direita, Francisco Rodrigues dos Santos, antigo líder da Juventude Popular (JP), claramente identificado com a alt-right (direita dura), assim como quem o rodeia, do que é exemplo Abel Matos Santos, que é salazarista e elogia a PIDE, o que o levou a abandonar a direcção dita centrista. Se esta gente pudesse, voltaríamos a ter um regime despótico e autoritário, do qual são herdeiros.
As semelhanças do CDS com o Chega, do reaccionário e vira-casacas André Ventura, são muitas. A Iniciativa Liberal não pertence à alt-tight. É liberal-conservadora, defensora do liberalismo económico que só aumentou as desigualdades, a miséria e o desemprego.
É esta a direita que temos, clara e felizmente minoritária na sociedade.
Na última eleição para a escolha do presidente do PSD, essa direita, cujas raízes estão no passismo, obteve 47% de votos, mas a maioria dos militantes escolheram para continuar na sua direcção Rui Rio, porque o seu programa e a sua acção são sociais-democratas, inter-classistas, defensores do Estado Social, ainda que este possa ser alargado ao sector privado, e da distribuição da riqueza. No entanto, Passos Coelho, ao fim de um longo silêncio, veio dizer que o PSD deve ser o federador da direita, com reaccionários e fascistas à ilharga, o que prova pertencer o mesmo e a sua clique à alt-right. Se o PSD seguisse tal caminho, os socialistas e António Costa agradeceriam.
ISABEL DOS SANTOS
Há muito tempo que toda, mas toda a gente sabia ser o dinheiro que Isabel dos Santos investia no mundo inteiro roubado ao povo angolano. Sabiam políticos, presidentes da República e primeiros-ministros que lhe estenderam a passadeira vermelha, bem como os seus sócios, entre os quais se encontra grande parte da nata do empresariado português, já para não falar nas sociedades de advogados que à sua custa ganharam rios de dinheiro .
Como dizia Lenine, “o dinheiro não tem ideologia”.
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