Manuel Silva
ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DO PSD


No próximo dia 11 de Janeiro, os militantes do PSD irão eleger o seu presidente. São três os candidatos: o actual presidente, Rui Rio, Luis Montenegro, ex-líder parlamentar do partido e Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais e ex-líder da distrital de Lisboa.
A escolha é entre a traição e a lealdade à herança de Francisco Sá Carneiro.
O primeiro líder do Partido Social-Democrata teve como modelos de referência as sociais-democracias europeias e, em especial, a sueca e a alemã, bem como o liberalismo político e a doutrina social da Igreja. No tocante a distribuição de riqueza e ao Estado-Providência, baseava-se na tradição socialista e social-democrata.
Sá Carneiro foi sempre contra o liberalismo económico, que cava injustiças e grandes desigualdades na distribuição da riqueza produzida. Sempre disse que o PSD não era um partido de direita. Quando a imprensa afirma ser a AD (Aliança Democrática) uma frente de direita, mente. A AD era uma frente reformista que, com o PSD, o CDS, o PPM e o Movimento Reformador, constituído por dissidentes do Partido Socialista, albergava toda a direita democrática, o centro e a esquerda mais moderada. Ah, o então PPD também requereu a adesão à Internacional Socialista a que pertencem os demais Partidos Sociais-Democratas. Só não foi possível essa adesão, porque só um partido, num país, poderá pertencer à herdeira da II Internacional. No caso português, já o PS fazia parte da mesma.
Quando Sá Carneiro faleceu, a construção do socialismo pela via da social-democracia ainda estava no programa do partido.
A acção governativa da AD pautou-se pela libertação da sociedade civil, mas sob regulação do Estado, para que os fortes não aniquilassem os fracos, e uma especial atenção aos mais desfavorecidos da sociedade. Daí o aumento das pensões e dos salários, com destaque para o salário mínimo, bem acima da inflação. Procurou captar investimentos nacionais e estrangeiros, defendia o emagrecimento do Estado, com a privatização dos sectores que foram desnacionalizados na revisão constitucional de 1989, por acordo entre o PSD e o PS, dedicando ainda uma grande atenção às classes médias, às pequenas e médias empresas, que sempre foram e são a espinha dorsal de qualquer economia.
A democracia não é constituída apenas pelas liberdades fundamentais, tem que ser também social e económica. Aliás, as classes médias e muitos operários e demais trabalhadores formavam o essencial das bases do PSD. O grande capital, esse está com quem é poder. O capital português só consegue sobreviver à custa do Estado. Daí estar com quem manda. Por isso, não se fale só da corrupção dos políticos. Para haver corrompidos terá de haver corruptores: muitos dos nossos empresários.
Nos dias que correm, com a globalização, consequência do liberalismo económico, feita para servir as multinacionais, assistimos a uma cada vez maior concentração da riqueza e ao desaparecimento das classes médias, bem como a um maior empobrecimento de quem já era pobre nos países em vias de desenvolvimento e também nos países ricos.
O pequeno e o médio comércio e até pequenas empresas industriais estão a desaparecer, devido a uma política oligopolística permitida por uma grande parte dos governos e instituições internacionais. Goste-se ou não do marxismo, as teses de Marx sobre a acumulação de capital estão novamente actuais. É caso para dizer: abençoado liberalismo económico !
Os próprios partidos socialistas são coniventes com esta situação. Quando o PS é mencionado como partido de esquerda, dá para rir. Em Portugal, os autênticos sociais-democratas estão, por força das circunstâncias, à esquerda do PS.
Rui Rio, ao recusar políticas liberais, defendendo um partido de centro e reformista, é, destes candidatos, o único leal à herança Sá Carneirista.
Os outros candidatos pregam abertamente o liberalismo económico que falhou em todo o mundo, provocando injustiças, pobreza, miséria, pelo que, aos militantes do PSD coloca-se uma escolha. Votando em Rui Rio estão a ser leais à herança do seu primeiro líder. Caso votem em Luis Montenegro ou Miguel Pinto Luz, estarão a defender um partido da direita, do país de cima contra o país de baixo. Foi aquilo a que assistimos no consulado de Passos Coelho, com o qual aqueles senhores estão comprometidos. Ou seja, estão a trair os valores e ideias do PSD, pregando mais um prego no seu caixão.
Faleceu Patxi Andion

Faleceu recentemente o cantor espanhol Patxi Andion, com 72 anos de idade, em consequência de acidente de viação.
Foi autor de belas canções como “Palabras” (Vinte años), “Una, dos e três”,”Padre”, em homenagem ao seu pai, republicano que combateu o fascismo franquista hoje de volta, com o PP e o VOX, seus herdeiros testamentários, “Nos passaron la cuenta” “Ai, Manuela” e tantas outras, onde era referido o amor, a resistência anti-fascista, a luta pela justiça social. Que outros cantores, cá e no estrangeiro, continuem a bater-se pelos mesmos ideais. Entre estes destacamos Manu Chao, que tem combatido, a cantar, a globalização.
Que Patxi Andion descanse em paz.
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