Manuel Silva

Racismo, Nacionalismo, Xenofobia e Liberdade de Expressão

O avanço da extrema-direita no mundo inteiro caracteriza-se pelo nacionalismo, o racismo, a xenofobia e o medo “do outro”. Tem sido esta a demagogia de Salvini, Marine Le Pen, Orban, Kakzinsky, Farage e tantos outros. A esta gente junta-se Donald Trump, com o apoio dos supremacistas brancos, especialmente a organização racista e terrorista Ku Klux Klan, que, aliás, apoiou a candidatura do actual presidente americano em 2016.

Recentemente, Donald Trump chegou ao ponto de aconselhar quatro mulheres congressistas que o têm criticado, e bem, a saírem dos EUA. A América é tanto delas como do louco e imbecil que preside àquele país. Três delas nasceram nos States e uma não nasceu, mas está naturalizada americana. Num comício do Partido Republicano, presidido por Donald Trump, os seus sequazes gritaram “manda-as embora, manda-as embora”.

Onde está a cultura tradicional do meltingpot e da América como terra de liberdade e oportunidades para toda a gente? Trump trai vergonhosamente a defesa daqueles valores pelos “founding fathers” (pais fundadores) dos EUA, em 1776, bem como a Constituição seguidamente aprovada.

Entre nós também há manifestações de racismo e xenofobia e não é só por parte do Chega/Basta do reaccionário André Ventura, do PNR ou dos skin heads. A alt-right (direita dura), que tem força considerável no CDS e na ala direita do PSD, a começar por pessoas próximas de Passos Coelho, vem, discretamente, defendendo ideias políticas próximas das de Trump e Bolsonaro. Há militantes dos partidos fundados por Sá Carneiro e Freitas do Amaral que elogiaram estas duas personalidades, se assim se podem apelidar.

Recentemente, uma historiadora que, segundo afirma, foi de extrema-esquerda na juventude, apoiante do Maio de 68, tendo passado a “muito, muito, muito conservadora”, segundo afirmou numa entrevista recente, de seu nome Maria de Fátima Bonifácio, num artigo publicado no “Público”, disse, a propósito das quotas de minorias no parlamento, que era contra as mesmas. Eu nunca concordei com quotas. Acho que as pessoas devem ser promovidas na política e na sociedade civil, por exemplo no mundo empresarial, segundo o seu mérito e capacidades demonstradas, independentemente do seu género, tendência sexual, cor da pele, religião ou recusa da mesma, ou pertencerem a quaisquer minorias.

Fátima Bonifácio escreveu, numa atitude racista, misturando a religião cristã, que os negros e ciganos não descendem dos direitos universais do Homem, pois não descendem da Cristandade. Quererá esta historiadora e professora universitária acabar com o Estado laico e ver novamente a aliança entre o trono e o altar? Assim sendo, mais que conservadora, mostra tendências absolutistas, mais parecendo uma descendente política do rei D. Miguel.

Os seus alunos estão a ser ensinados por uma ignorante em História, que desconhece haver desde sempre muitos negros cristãos e de outras religiões. Há, no mundo inteiro, milhões de padres, bispos e cardeais negros. Também existem muitos ciganos religiosos, especialmente, nas religiões cristãs.

Diz ainda que os ciganos não são “assimiláveis”. Os ciganos continuam a obrigar a casar meninas menores com quem os pais entendem. Essas meninas são obrigadas a sair bem cedo das escolas. Mas também há ciganos formados, como são os casos de Carlos Miguel, secretário de Estado da Administração Local, ou o Dr. José Domingos, um excelente advogado, de Santarém, que pertenceu, em tempos idos, ao MRPP.

Se aquela assimilação não surte efeito, tal deve-se à demissão do Estado em levá-la à prática. O governo de Durão Barroso criou o Ministério das Cidades, com o fim de humanizar as mesmas e integrar socialmente pessoas marginalizadas, de bairros críticos e não só. José Sócrates acabou com esse ministério, provavelmente mais interessado em outros negócios, pelos quais está a pagar.

Estas posições são repelentes e retrógradas, mas quem as defende tem todo o direito a manifestá-las publicamente num regime democrático. È essa a superioridade ética da democracia face às ditaduras, nas quais há censura para quem pense, escreva e manifeste ideias contrárias às de tais regimes. No entanto, as patrulhas de esquerda, cultoras do politicamente correcto, do policiamento da linguagem e do pensamento, defendem a censura daquelas ideias, o que mostra estarem dispostas a praticar a censura, caso fossem poder. Como não são, só ajudam os xenófobos e racistas, que se armam em vítimas das suas posições.

O avanço destas ideias foi possível mais de 70 anos após a queda do nazismo e do fascismo de Mussolini, devido à globalização, que aumentou as desigualdades sociais e provocou o aumento do desemprego entre os trabalhadores do Ocidente, com as deslocações de fábricas para países onde se paga mal aos operários. Quem deu um grande contributo para a eleição de Donald Trump foram operários desempregados, mergulhados na pobreza ou mesmo na miséria. O avanço do nacionalismo europeu tem como causas a submissão dos parlamentos nacionais ao Parlamento Europeu e o domínio político e económico dos países grandes sobre os pequenos, em nome das “regras europeias” postas na prática por burocratas que ninguém elegeu e não permitem que cada país siga a política que entende, ainda que dentro de determinados parâmetros.

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