Manter as energias limpas – Crónicas do Olheirão

Mário Pereira

O aquecimento do nosso planeta é cada vez mais uma realidade inquestionável e que é bem atestada pelas temperaturas deste Outono que se mostram bem mais amenas do que era habitual.

Hoje aceita-se que este fenómeno  vai a curto prazo gerar mudanças marcantes no clima de todo o planeta, cujas consequências poderão ser dramáticas para a humanidade, mas talvez sejam positivas para outras espécies que nós temos andado a prejudicar.

As temperaturas amenas no nosso Outono não são desagradáveis. A chatice é que este calorzinho pode fazer com que o nível do mar suba alguns centímetros e  isso ser suficiente para ocorrerem  inundações gigantescas nas áreas costeiras onde vive a maioria da humanidade.

Espero que seja só um delírio imaginar o pessoal que mora na zona de Aveiro a tentar, a pé ou de carro, chegarem à A25 para conseguirem subir a serra. A nível global imagino que venham a ocorrer  migrações gigantescas porque grandes territórios se tornarão inabitáveis.

O problema é que o nosso modo de vida exige o consumo de grandes quantidades de energia, que é obtida através do petróleo e do carvão, que têm de ser queimados libertando grandes quantidades de fumos e gases.

Discussões como as realizadas em Paris são importantes, mas não deixam de ser reveladoras da hipocrisia das nações.

Os ricos querem que os pobres poupem tanto como eles mas, aqui como em tudo, quem  pode poupar mais é quem tem mais e não quem tem menos.

Os pobres serão os mais afetados pelos fenómenos climáticos extremos sejam inundações ou secas, porque as suas habitações e infraestruturas são mais frágeis mas também porque têm menos meios de socorro e proteção, mas os efeitos nos países ricos também serão muito significativos.

Não tenho dúvidas que muitos e bons engenheiros e economistas já andam  a estudar como é que as suas empresas poderão posicionar-se para ganharem dinheiro com as obras de proteção e de reconstrução que será preciso fazer nos próximos anos.

Este é um dos problema que só será resolvido com mudanças globais, mas há sempre pequenas mudanças que cada um de nós pode fazer para reduzir o impacto que causa no clima do nosso planeta.

É indispensável conseguir produzir energias limpas e renováveis para reduzir o consumo do petróleo e do carvão e têm sido feitos progressos importantes com a instalação de painéis solares, um pouco por todo o lado, para produzir eletricidade ou aquecer águas sanitárias.

Entretanto vamos ouvindo as pessoas queixarem-se da eficácia destes sistemas por não serem tão produtivos como diz a propaganda.

Eu não sei nada de engenharia, mas sei que uma empresa, que montou uma instalação de painéis solares fotovoltaicos (12 painéis) na nossa região, recomendou que eles fossem lavados pelo menos duas vezes por ano.

Conheço a pessoa que se encarrega dessa tarefa. Ela diz-me que é impressionante a quantidade de pó e até de musgos que se acumulam nos painéis. Por ocasião da última limpeza e por curiosidade a pessoa registou a produção da instalação  que antes da lavagem era de 6 amperes e que terminada a lavagem, mantendo-se o céu nublado, passou de imediato a produzir 8 amperes.

Aqui fica o registo de como um balde de água, um pouco de detergente e uma escova podem contribuir para reduzir o efeito estufa e para a melhoria das contas da eletricidade.

Existe a crença que a chuva da nossa região, por vezes forte, lava tudo mas não é verdade. Só o pó dos pinheiros forma uma camada que combinada com a humidade da noite e calor dos painéis durante o dia cria condições ótimas para o crescimento de fungos e musgos.

Eu próprio tenho um painel solar para aquecer águas e sinto que ele tem cada vez menos capacidade, o azar é que ele está no telhado e eu prefiro ter a água menos quente do que ir lá acima lavá-lo.

Por razões de trabalho desloco-me bastante pela região e comecei a reparar na coisa. É estranho que nunca tenha visto ninguém a lavar os painéis solares.

Atendendo à quantidade de painéis que existem, só na nossa região, esta atividade até poderá ser uma oportunidade de negócio.

Mário Pereira

Dezembro 2015Redação Gazeta da Beira

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