Lançamento do livro de Jaime Gralheiro

"Poesia"

A 7 de julho, dia em fez 90 anos, foi publicado o último livro de Jaime Gralheiro. “Poesia” é seu título, e contém textos poéticos escritos pelo Autor desde 1950 a 2014.

Numa tarde de verão de 2019, Amadeu Carvalho Homem afirmou ser necessário estudar-se Jaime Gralheiro, nas suas multifacetadas formas de intervenção, pois que, para além da vasta bibliografia que havia publicado, desde a dramaturgia ao romance, com certeza que teria deixado espólio bastante para o efeito.

Porque o Jaime Gralheiro, Poeta era uma realidade literária ainda não conhecida, aquelas palavras foram indutoras da necessidade de trazer ao conhecimento dos leitores mais esta forma de intervenção do Autor, para que pudesse tornar-se mais e melhor conhecido.

Escreve Jaime Gralheiro que “é no jogo subtil do som das palavras com os seus significados e sintaxe que a Poesia emerge”.

Fernando Paulo Baptista, no prefácio que ofereceu, deixou dito «Criadores por excelência dos acordes e dos ritmos encantatórios e do dizer fundador e instaurador de mundos, são os Poetas os eternos ungidos dessa dádiva “divina” de ter na Terra um destino a cumprir, ora dando voz ao rumor das “vozes” que, irrompendo e irradiando de todas as regiões onde o Ser se faz sentir, lhe vêm tocar misteriosamente a raiz e a flor da sensibilidade, ora riscando ou gravando na carne viva, enigmática e sacral de cada palavra as pegadas mudamente sofridas dos passos por que passam e os atravessam, ora plasmando cadenciadamente os movimentos angulares do cosmos, do mundo e da vida, no tempo-hora-momento de, através do seu canto, se fazerem “escutar”, bem mais que “ouvir”…».

Já Amadeu Carvalho Homem, na reflexão que verteu no texto do seu prefácio, afirmou «Encontra-se portanto o Poeta, como crisálida, em processo de lenta mas inexorável transformação. Talvez não seja uma coincidência o facto desta metamorfose coincidir com o anárquico mas redentor início dos anos sessenta do Século XX e com a alvorada de um decénio que se singularizou – nas opiniões, nos costumes, nas vanguardas artísticas, nos movimentos estudantis internacionais e nacionais, na própria mutação dos estilos de convivência social – que se identificou, dizíamos, com a rejeição de legados do passado e com a promessa, ainda apenas vagamente pressentida, de um novo amanhã. 

O nosso Poeta já não se revolve, já não se perde em flagelações privadas. Antes começa a revoltar-se. Publicamente. Exprime-o de uma forma muito directa, impressivamente sintomática de denúncias futuras: “A gente calar-se é apodrecer; // Dizer que sim é nem chegar a ser! // Por isso grita: não e não! // Estar em desacordo // É a posição // Mais digna e decente!”».

Numa livraria perto de si, a partir de 7 de julho, demos os Parabéns ao Autor, lendo a sua poesia.

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