José Dimas o escritor improvável que nos dá uma lição de vida

ASSOL apoia utente a concretizar um sonho

“Não consigo descobrir” é um livro de poesia lançado por José Dimas, um utente da ASSOL que não teve medo de lutar pelos seus sonhos. O lançamento ocorreu, recentemente, na Galeria Leituras (In)esperadas, em Vouzela. Com casa cheia e muitos aplausos, o autor falou deste seu projeto. Uma lição de vida que mostra que os sonhos podem tornar-se realidade.

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José Dimas, natural de Lisboa, residente em Ribeiradio há cerca de 10 anos, lançou o seu primeiro livro, chama-se “Não consigo descobrir” e é composto por um conjunto de poesias que reflete o que os olhos viram e o coração sentiu. “Tem vários temas. Fala daquilo que me vinha na alma, ia escrevendo consoante aquilo que se ia passando na atualidade”, explicou o escritor à Gazeta da Beira, num dia que descreve como “muito feliz”.

Dimas há muito que foi “picado” pelo “bichinho da escrita”, como revela, até já tinha escrito um livro, mas por falta de apoios teve que ficar na gaveta. Com o “Não consigo descobrir”, que surge no seu percurso como utente da ASSOL, a história foi diferente. Agora, o autor só pensa no futuro, onde, como garante, não vai deixar de escrever e já está, inclusive, a pensar avançar com um novo livro.

“ASSOL é uma rotunda onde as pessoas passam para viver a sua vida”

O projeto teve o apoio da Associação de Solidariedade Social de Lafões que desde o primeiro momento deixou Dimas sonhar. Toda a encadernação foi também realizada por utentes da instituição, nas oficinas. No total foram produzidos 50 livros que esgotaram imediatamente.

“A ASSOL tem como lema apoiar pessoas com algum grau de dificuldade. Quando cada uma das pessoas entra em nossa casa, na ASSOL, subscreve connosco um acordo: Não deixar de ser pessoa, não deixar de realizar os seus sonhos”, explica Carlos Rodrigues, presidente da instituição.

Dimas cumpriu à risca as cláusulas, sonhou e concretizou. “O Dimas teve um sonho de escrever esse livro e foi passado para o papel à mão os seus sonhos, materializados em forma de poema. O Matias Pancho que trabalha nas oficinas de encadernação e trabalha diretamente com o Dimas, entendeu que esses poemas que ele escrevia eram dignos de serem apresentados numa cerimónia pública ao mais alto nível. A ASSOL não fez mais que a sua obrigação realizou o sonho do Dimas e prova assim que é uma rotunda onde as pessoas passam para viver a sua vida”, resumiu o diretor.

“Há neste livro muita dignidade e há sobretudo o pulsar de uma pessoa que tenho sonhos”

Carlos Rodrigues confessa-se surpreendido com a qualidade de escrita de José Dimas. “É uma obra com muito conteúdo, muita emoção. Há, no livro, muito saber, muita dignidade e há, sobretudo, o pulsar de uma pessoa que tem sonhos”. Dimas é assim um escritor improvável que deu provas que vale a pena lutar pelos sonhos, independentemente das dificuldades. Uma lição de vida para todos. “.É realmente darmos voz a cada pessoa como ela é. Sem perguntar se tem uma pinta na cara, se tem um braço mais curto…Na ASSOL não se cataloga, temos lá pessoas, ponto final. E o Dimas como pessoa deu-nos uma lição. O Dimas merece hoje estar aqui”, defendeu

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