João Pedro Coelho
Refugiados
Está à porta da Europa uma vaga de migração sem precedentes.
Estes migrantes, provenientes de zonas de forte conflito armado, fogem de uma morte certa, de uma vida sem futuro e fogem para poderem sobreviver e não assistirem à morte dos seus familiares, filhos e amigos.
Esta vaga de migração era esperada. Vários sociólogos e cientistas sociais europeus vinham alertando para esta eventualidade há vários anos. Portanto, ninguém pode afirmar que fomos apanhados desprevenidos.
Este êxodo migratório comporta milhares de sírios, afegãos, iraquianos, líbios, iemenitas, sudaneses e zonas próximas da Europa.
O Ocidente e particularmente os EUA (Estados Unidos da América) têm cometido, nas últimas décadas, demasiados erros nestas zonas. As intervenções ocidentais (EUA e seus aliados) no Afeganistão, no Iraque, no Iémen, na Líbia, no Chade têm, contrariamente ao esperado, proporcionado o aparecimento de grupos terroristas cada vez mais fortes.
O aparecimento do E.I. (Estado Islâmico) foi a grande viragem no terrorismo internacional. As acções terroristas efectuadas em nome de Alá, e anteriormente lideradas por Osama Bin Laden, passaram a ser coordenadas por um estado com território e populações no seu interior.
A formação do E.I e a seu avanço no terreno não olha a países (seja a Síria ou o Iraque), povos (sejam curdos ou tribos locais) ou religiões (sejam cristãos ou muçulmanos). Os territórios e povos “conquistados” ou se adaptam à sua lei “islâmica” ou são destruídos.
O regresso a uma situação sustentável nas zonas de onde os migrantes são originários só poderá acontecer com a destruição total do E.I.
É incompreensível como o E.I. se financia através da venda do petróleo que explora nas zonas ocupadas. Como é vendido, a quem é vendido, como é transportado o petróleo? Porque ainda não se destruíram todas as instalações petrolíferas do E.I.?
O que faz o Ocidente? Este Ocidente tão ágil a reagir a Sadam Hussein ou a Khadafi, temporiza, agora, com esta situação. Porquê?
Quantos mais milhares de mortos serão necessários para que exista uma resposta coordenada do Ocidente?
Acredito, agora, que o fluxo de refugiados na Europa será o detonador de uma acção militar internacional contra o E.I.
Agora, já dói à Europa…..e, como tal, a Europa reagirá.
Entretanto por cá, Portugal, temos assistido a todo o tipo de reacções. Diversas associações mobilizam-se para receberem e apoiarem os refugados. Por outro lado, velhos fantasmas xenófobos reaparecem e vários extremistas manifestam-se contra qualquer ajuda aos migrantes.
Congratulo-me com a posição assumida pela insuspeita Angela Merkel, e com a sua visão de “obrigação moral” da Europa para com estes migrantes.
Outra posição de relevo foi a defendida pelo Papa Francisco, colocando-se inequivocamente “ao lado” destas refugiados e pedindo à Europa que os receba.
Aconselho muitos “puritanos” a olharem para o Papa e a reverem-se nas suas palavras humildes, fraternas e cristãs.
Para além de todos os problemas em acolher milhares (ou milhões) de refugiados, a Europa está confrontada com uma outra situação grave decorrente deste êxodo. É natural que os extremistas e terroristas tenham infiltrado elementos seus no seio dos refugiados., com o objectivo de praticarem actos terroristas em solo europeu. Este problema é real e deve ser devidamente ponderado.
Deveremos receber todos os refugiados? Devemos fechar as fronteiras? Devemos “assobiar para o ar”?
Inclino-me que devemos receber os refugiados que for possível, independente da sua origem, raça, sexo ou credo.
No entanto, a solução tem que passar por “ir à origem” do problema. Só uma intervenção armada patrocinada pelas Nações Unidas e que tenha por objectivo a destruição do E.I. poderá travar definitivamente este fluxo migratório.
João Pedro Coelho (Setembro 2015)Redação Gazeta da Beira
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