João Matos do Vale

“COVID-19”

Nos últimos tempos, muito se tem escrito, lido e escutado por causa da pandemia provocada pelo Covid-19. Infelizmente é nas alturas de crise que se revelam certas pessoas. Há quem demonstre uma coragem nunca antes vista ou mesmo uma força sobre-humana, em momentos de maior dificuldade. Outros porém, baixam o braço e precocemente dão-se por derrotados, recusando-se a lutar.

Sei que esta luta contra o vírus é uma luta desigual, mas é e será sempre uma luta de todos e que ninguém pense que é imune ou que se irá manter sempre aquela mentalidade de que “isso” só acontece aos outros.

Nestas alturas vemos as verdadeiras acções de civismo, de solidariedade e de urbanidade que é tão característica do nosso povo português. Infelizmente também vamos vendo atitudes que em nada nos dignificam. Por mais que se diga e que se saiba que estar de quarentena, não é o mesmo que estar de férias, há quem aproveite a ausência do local de trabalho ou o encerramento de estabelecimentos de ensino, para se ir bronzear para a praia mais próxima.

Outros aproveitam para viajar, mesmo sabendo que poderão com essa acéfala atitude estar a disseminar o vírus por regiões e por populações que ainda não tinham sido atingidas. Essa triste mentalidade de não pensar nas consequências dos seus actos é infelizmente comum a muitos dos nossos conterrâneos, mas não é obviamente exclusiva. Sempre referi que a protecção civil somos todos nós e neste caso de saúde pública no momento em que estamos a meio de uma guerra contra o Covid-19, temos de ser ainda mais responsáveis, pois os nossos actos podem provocar imensos danos colaterais.

E é curioso quando se faz uma simples rectrospectiva do que foram os conflitos neste século XXI, facilmente chegamos à triste conclusão de nos andamos a preocupar com os mísseis intercontinentais com ogivas nucleares, com a possibilidade de alguns países com regimes ditatoriais serem detentores de tecnologia nuclear ou mesmo com a chamada guerra das estrelas e estarmos neste momento numa guerra contra um inimigo de dimensões microscópicas.

Nesta reflexão veio-me à memória o excelente livro publicado em 1898 pelo escritor britânico Herbert George Wells “A Guerra dos Mundos”. Essa obra mais tarde imortalizada na rádio por Orson Welles em 1938, relata a invasão da terra por marcianos. Nesse romance os marcianos eram detentores de tecnologia de ponta que as armas dos terráqueos não conseguiram derrotar. Um raio de morte disparado pelos discos voadores vindos do planeta vermelho, destruía tudo quanto lhe aparecia pela frente. Foi uma luta árdua e prolongada, até que subitamente os marcianos começaram a morrer, derrotados por uma simples bactéria.

Quantas vezes nos preocupamos com a montanha e somos derrotados por um simples grão de areia. Nestas alturas há que nos mentalizarmos que estamos todos no mesmo barco e se não remarmos todos no mesmo sentido, o naufrágio pode acontecer. E esse barco onde estamos chama-se Terra.

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