João Matos do Vale
“DITADURAS”

Certamente todos nós nos reconhecemos com facilidade regimes ditatoriais e totalitaristas que existem na actualidade e outros que ficaram para os anais da história. Tendo em conta as diferentes correntes políticas, podemos considerar que existem dois pensamentos políticos básicos: A esquerda e a direita.
Mas a diversidade de ideologias em cada um dos sectores é enorme. Se pensarmos que a dita esquerda segundo alguns politólogos inclui sociais-liberais, progressistas, sociais-democratas, socialistas, ambientalistas, comunistas e anarquistas e que a direita engloba correntes como os conservadores, neoliberais, reaccionários, neoconservadores, anarcocapitalistas, monárquicos, teocratas, nacionalistas, fascistas e nazistas, facilmente chegamos à conclusão de como é vasto este espectro.
Muitas vezes é muito ténue a linha que separa os objectivos de uma ou outra força partidária. Quantas vezes apenas o caminho para atingir a meta é diferente e é apenas aí que reside a diferença.
Quantas vezes quando chega ao poder um partido dito de esquerda toma medidas tidas como de direita e vice-versa. Tal é altamente louvável quando se reconhece que a medida preconizada pela oposição é melhor do que aquela que é defendida por quem ocupa a cadeira do poder. Infelizmente esta situação apenas acontece no reino da fantasia, pois dificilmente quem governa reconhece que estava errado e valoriza as muitas vezes vozes assertivas da oposição.
Está no ADN da oposição criticar as medidas do governo e no ADN do governo, criticar a postura não construtiva da oposição e isto acontece independentemente da cor política.
Mas por vezes acontece que quem chega ao poder torna-se totalitarista e ditador, terminando assim um estado democrático onde convivem governo e oposição, dentro das sãs regras do respeito e das leis vigentes. E depois de chegarem ao topo da hierarquia do poder não é fácil destituir os seus ocupantes.
Hugo Chavez dizia que custa não é manter-se no poder, mas sim lá chegar. Em democracia é o inverso, pois a permanência no poder cria vícios que podem ser punidos nas urnas e em alguns casos (autarquias e Presidência da República) até existe a limitação de mandatos.
Ao longo da história da humanidade temos assistido a imensas ditaduras que se vão perpectuando no poder durante anos e até décadas. As monarquias e as sucessões dinásticas, também podem ser vistas como estados ditatoriais, embora em algumas monarquias o papel do Rei (ou Raínha) é quasi simbólico.
Mas como referia, houve ditaduras que para se perpectuarem no poder tiveram de calar as vozes da oposição, silenciando-as em muitos casos com prisões por motivos políticos, com a morte das vozes mais incómodas e até em alguns casos fazendo autênticos genocídios, fosse por questões raciais ou mesmo por questões ideológicas.
Vimos isso com os genocídios no Ruanda e na Bósnia na última década do século XX, mas também o que ocorreu com o Holocausto durante a II Grande Guerra Mundial (1939-1945) pelos nazistas liderados por Adolf Hitler ou com o Holodomor (1932-1933) causado por Josef Stalin, quando governava a comunista União Soviética. Os judeus e os ucranianos, vítimas destes dois violentos genocídios quase foram exterminados, pela crueldade de ditadores.
Facilmente se constata que se um dos genocídios por perpetrado por uma ideologia de direita ou outro foi seguramente por uma ideologia de esquerda. Assim, facilmente se conclui se conseguirmos pensar pela nossa própria cabeça que não existem ditaduras boas, nem genocídios justificáveis. As ditaduras são sempre negativas e os genocídios são cruéis, desumanos e altamente condenáveis e reprováveis.
O grande estadista britânico Winston Churchill disse que a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela…
Assino por baixo.
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