João Gralheiro
Violência Policial e Ditadura

A 19 de maio de 1954, em pleno fascismo, Catarina Eufémia foi assassinada pelo tenente Carrajola, da GNR, porque tinha cometido o crime de lutar pelo pão e trabalho. Ela morreu, mas o Carrajola continuou a ser militar da GNR.
No dia 17 de maio de 2015, em regime que se diz democrático e de direito, José Magalhães e seu Pai foram selvaticamente espancado pelo subcomissário Filipe Silva, da PSP, em frente de seus filhos/netos menores (um com apenas 9 anos de idade), porque tinham cometido o crime de terem ido ver um jogo de futebol. Eles foram vítimas de ofensas corporais mas o Filipe continua a integrar a PSP.
Com gravidade tão intensa à daquelas agressões, temos o que aquele Filipe terá feito constar no Auto de Notícia que elaborou – que o José lhe havia cuspido, insultado e rasgado a farda -, o que, de acordo com as imagens do acontecimento, não é verosímil. Não houvessem câmaras de televisão por perto e sabemos bem o que aconteceria ao José na justiça portuguesa!…
Entre estes dois acontecimentos, histórias de agressões e assassinatos perpetrados por agentes da autoridade têm-se vindo a multiplicar, levando a que Portugal seja, invariavelmente, referenciado nos relatórios da Amnistia Internacional.
40 anos após a Revolução de Abril, que afirmou liberdades, como a de podermos festejar, manifestar e circular em lugares públicos, o que é que se está a passar?
Os profissionais das forças policiais são cada vez mais o que estas instituições deles querem e tais instituições são cada vez mais o que o poder político delas deseja, para se fazer perpetuar.
O que está acontecer mostra quão frágil se está a tornar a nossa Democracia, perigosamente descambando para versões musculadas, prelúdios de regime ditatoriais.Redação Gazeta da Beira
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